sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Road - Road (1972) [U.K]



Noel Redding é mundialmente famoso por ter sido o baixista da banda de Jimi Hendrix durante o final dos anos de 1960, tendo gravado com ele alguns dos maiores discos de rock em todos os tempos. Com sua saída do grupo de Hendrix e o fim de seu projeto paralelo, Fat Matress, em 1972 ele resolveu novamente se aventurar pelo mundo do rock e novamente tocando baixo. Então se juntou a Rod Richards na guitarra e Leslie Sampson na bateria para gravar um tremendo álbum de rock. O disco ao longo do tempo acabou se tornando um dos tesouros escondidos do hard rock além de ser outro belo trabalho da vida de Noel Redding, que faleceu em 2003, aos 57 anos de idade. Típico hard rock setentista inicia muito bem com a faixa I’m Trying já mostrando todo o virtuosismo dos músicos. Guitarra muito bem executada por Rod Richards, que veio da banda Rare Earth, bateria competente de Leslie Sampson e no baixo Noel Redding, músico que evidentemente dispensa comentários. Em pouco mais de seis minutos, a banda detona um som pesado, denso e de grande qualidade técnica. Uma abertura que mostra a que a banda veio. I’m Going Down to the Country, composta por Redding é mais curtinha e apresenta um som com violões e bonito arranjo de slide guitar para a canção que é quase um country rock. A faixa serve como amortecedor entre a primeira e Mushroom Man, uma bela canção. Esta canção merece um capítulo à parte. Guitarras com wah-wah fantásticos e ótimo trabalho vocal. Uma perfeita mistura de Cream, Hendrix, Beck, Bogert and Appice e até coisas mais pop dos anos 1970, fazendo com que a música em si já pague pelo disco inteiro. É possível até arriscar a dizer que tenha influenciado anos mais tarde bandas da chamada geração grunge tamanha a semelhança com que possa ter com essas bandas dos anos de 1990. As guitarras sujas e envenenadas trazem brilho para a total curtição do som. Man Dressed in Red é algo mais próximo do psicodélico. Aqui novamente o guitarrista faz a diferença toda. Som de primeira linha e sendo um dos destaques do álbum. Composta pelo baixista se destaca pela força instrumental do trio e pelas distorções realizadas pelo guitarrista Rod Richards. Mesmo sem ser conhecido do público roqueiro em geral, é tranquilo afirmar que o Road seja um dos grandes nomes do hard rock setentista. É, sem dúvida, um power trio de respeito e isso pode ser sentido neste álbum, principalmente no trabalho mostrado nesta quarta faixa do disco. Outra curiosidade é a faixa Space Ship Earth. Maravilhosa, parece saída de Electric Ladyland direto para 1972. Em seus três minutos se destaca principalmente pelo grande trabalho do baixista. Base pesada e que praticamente preenche todos os espaços vazios fazendo deste outro belo momento do disco que termina com a longa faixa título, que, com seus quase dez minutos, desfila potência, criatividade e peso num excepcional rock and roll. A faixa é tirar o fôlego, tudo perfeito e no lugar certo. Por sorte dos fãs e colecionadores, este álbum foi reeditado tanto em CD no em LP anos atrás. Muito provavelmente já se encontre fora de catálogo. Sua versão original é hoje uma verdadeira raridade.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.I’m Trying (6:32)
2.I’m Going Down to the Country (2:41)
3.Mushroom Man (4:08)
4.Man Dressed in Red (7:00)
5.Space Ship Earth (3:26)
6.Friends (6:14)
7.Road (9:24)

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Malicorne – Malicorne 2 (1975) [France]



Este é o segundo disco desta que é uma das melhores bandas francesas de folk rock. O disco é excelente do início ao fim, emocionante pela forma sutil com que é executado e também pela qualidade das músicas. Cantado em francês, óbvio, dando-lhe mais charme ainda se considerarmos que as músicas são verdadeiras pérolas do folk setentista no estilo medieval, porém se diferenciando um pouco de bandas como Gryphon. O Malicorne pode ser colocado tranquilamente ao lado de bandas como Spyrogira, Steleeye Span e outras do estilo sem sombra de dúvida. A obra começa como Le Maria de Anglais, a primeira faixa e já Mostra folk medieval da banda. O vocal de Marie Yacoub é singelo e combina perfeitamente como estilo musical da banda. O arranjo envolto em violinos, mandolins e violões são belíssimos e já mostra o quanto o Malicorne era talentoso em seus melhores momentos. A segunda é Le Garçon Jardiniek, chama a atenção pela beleza da melodia. Desta vez o vocal fica por conta de Gabriel Yacoub, mantendo o nível em alta. O grupo fazia uma música absolutamente original podendo facialmente ser considerando como um grupo único dentro de sua proposta e formato musical, fazendo da banda algo bastante original e que salta aos ouvidos imediatamente após os primeiros acordes. Isso pode perfeitamente ser conferido já no início da execução da faixa La Fille Aux Chansons, uma maravilhosa faixa e arrepia da cabeça aos pés aos fãs. A melodia é cantada em francês, ajudando a tornar uma épica a canção e praticamente domina metade do lado A, sendo dividida em duas grandes partes. O final deste lado termina de forma excelente com Cortege de Noce, parte final da suíte. Virando o lado do disco, conti nua igual e seguem músicas ótimas como Marions Les Roses, típico folk que parece ter saído do período da idade média direto para os anos 1970. Para os amantes do folk é certo que o disco será ouvido centenas de vezes. Para finalizar temos outra ótima suíte, Bourée, Scotti ch-valse / le Bouvier. Disco extremamente raro de ser encontrado hoje em dia, foi editado em 1975 pelo selo Gamma. Depois do segundo disco, o Malicorne passou para algo mais experimental, próximo do rock progressivo também obtendo maior êxito comercial em sua longa carreira. O disco de estréia do Malicorne, também homônimo, foi lançado em 1974 e tem o nível de qualidade muito próximo desta verdadeira obra-prima do folk francês e, sem dúvida nenhuma, é um dos melhores também nos quatros cantos do mundo. Apesar da carreira no Malicorne, o músico Gabriel Yacoub também se notabilizou por um trabalho solo de respeito, tendo gravado vários discos no mesmo período em que atuava junto com a banda.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Le mariage anglais (4:07)
2.Le garçon jardinier (2:54)
3.La fille aux chansons (marion s'y promène) (10:27)
4.J'ai vu le loup, le renard et la belette (2:29)
5.Cortège de noce (4:08)
6.Branle - la péronelle (4:32)
7.Le galant indiscret (2:19)
8.Marions les roses (chant de quête) (3:32)
9.Suite : bourrée, scottishe - valse (2:34)
10.Le bouvier (5:14)

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Leaf Hound - Growers of Mushroom (1971) [U.K]



Formado nos idos de 1970 em Londres, o Leaf Hound lançou apenas um álbum, que simplesmente assombra pela qualidade, impacto, excelente execução e canções que beiram a perfeição e nos chocam por saber que bandas inferiores conseguiram êxito enquanto o Leaf Hound praticamente nada conseguiu em sua época. Formada pelos irmãos Derek e Stuart Brooks na guitarra e baixo, Mick Halls na outra guitarra, Keith G. Young na bateria e pelo excelente vocalista Peter French, o Leaf Hound praticamente nasceu do legendário Black Cat Bones – grupo onde se encontrava os irmãos Brooks. O quinteto lançou esta pequena obra-prima do hard rock, chamada Growers of Mushroom em pleno 1971 pela Decca Records tendo sido gravado em apenas um dia (na verdade uma sessão de 11 horas de estúdio) e ainda hoje surpreende pela força e que chega a lembrar em alguns momentos grupos de sucesso como Free e principalmente o Led Zeppelin, o que pode ser percebido na faixa Freelance Flend, que abre o disco e nos traz à lembrança a música Good Times Bad Times, contida no álbum de estréia do grupo de Page e Plant. Já a bela Sad Road to the Sea tem uma levada mais acústi ca, é linda de morrer e destaca um belo solo de guitarra de Brooks. A terceira faixa é Drowned My Life in Fear, também de primeira linha. A longa faixa Work My Body, com seus oito minutos, é a suíte do disco, um hard rock que se mistura com blues produzindo um belo resultado final principalmente pelo trabalho das guitarras e vocais. Na sequência, ainda temos With a Minute To Go, a grande balada do disco. Possui um belo andamento, vocal emocionado, linha de baixo muito interessante e violões ao fundo. A faixa título já é curti nha, interessante e não chega a cortar o barato, mas dá pra dar uma respirada durante sua execução. O hard rock intenso volta com tudo em Stagnant Pool. A faixa é daquelas arrasa quarteirão com as duas guitarras solando o tempo todo, baixo pulsante e pesado e uma bateria pra lá de efi ciente. Após o lançamento do álbum na Inglaterra e de um relativo sucesso em seus shows, Growers of Mushroom foi editado também na Alemanha pelo selo Telefunken, porém acabou não alcançando o sucesso esperado e a banda dispersou-se. Com o fim prematuro, Peter French seguiu para o Atomic Rooster, alcançando então muito sucesso com o estupendo In Hearing Of. Logo depois ele ainda participaria do excelente Cactus, dos ex-Fanilla Fudge Carmine Appice e Tim Boggert. O disco teve importantes reedições anos atrás inclusive em vinil num material gráfico incrível contando com um superpôster, capa dupla, dura e ótima prensagem. Recentemente, o Leaf Hound se reagrupou para realizar nossos trabalhos mas certamente a química de 1971 já não será a mesma.

Fonte: Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Freelance Flend
2.Sad Road to the Sea
3.Drowned my Life in Fear
4.Work my Body
5.Stray
6.With a Minute to Go
7.Growners of Mushroom
8.Stagnant Pool
9.Sawdust Ceasar

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Rare Amber - Rare Amber (1969) [U.K]



O Rare Amber é mais um daqueles efêmeros grupos surgidos na Inglaterra no final dos anos de 1960 e que buscavam no blues novas possibilidades musicais. O grupo gravou apenas um álbum em 1969 que se tornou uma raridade tempos depois. Composto de músicas próprias além de covers de B.B.King, Muddy Waters e Otis Spann, o disco agrada muito aos fãs do gênero. Rare Amber tem um início promissor com a faixa de estranho nome, Malfunction of the Engine, um blues rock elétrico composto pelo próprio grupo. Aqui a guitarras ganham destaque com bons solos durante a execução, assim como uma gostosa linha de baixo e bateria. You Ain’t Made Yet é um das melhores músicas do disco. Uma faixa mais próxima do psicodelismo baseado num teclado belíssimo e um vocal que mostra que Roger era realmente um cantor competente. Para quem não conhece o som da banda, é possível perceber influências do Cream no formato das composições e arranjos. Guardadas as devidas proporções, as participações da guitarra lembram um pouco o modo com que Eric Clapton tocava. Já It Hurts me, como diz no nome, trata-se de um triste (aliás, como a maioria dos grandes blues da história) e tradicional blues. Aqui o slider guitar é o destaque para o belíssimo momento. Podemos destacar no álbum ainda faixas como Paying the Cost to be the Boss, composição de B.B.King, outro blues tradicional onde as guitarras falam mais alto, além do teclado soar em prati camente toda a execução da música de forma muito inspirada. Night Life é outra cover e se trata de um blues lento onde a parte instrumental como acompanhamento para um contemplativo vocal extremamente bem executado pelo vocalista Roger Cairns. A harmônica rola solta em Custom Blues, composição própria do grupo e que também se tornou um momento interessante do álbum. Muddy Waters não poderia ficar de fora desta festa. O lado B abre de forma incrível com Popcorn Blues. Hearbreaker é outra boa faixa de B.B.King. Aqui guitarrista Del Walkins dá um show à parte para este som espetacular. O álbum acaba em grande forma com mais um clássico e o revisitado é Oti s Spann na faixa Blues Never Day, tema e frase ideal para o gênero assim como para este belo disco que não chegou a fazer sucesso durante o período do seu lançamento. Interessante notar como a capa do álbum engana. Se o ouvinte não conhecer o grupo, olhando a capa é possível imaginar que se trata de um grupo de hard rock com tendências satânicas já que na foto os caras lembram mais imagens de grupos como Black Sabbath, Black Widow, Buff alo, entre outros. Mas não engane, o Rare Amber manda ver num blues sensacional. Recentemente o álbum foi reeditado em CD, inclusive trazendo como faixas extras uma nova releitura de Malfunction on the Engine e a inédita Blind Love.

Fonte: Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Malfunction of the Engine (3:50)
2.You Ain’t Made Yet (2:58)
3.It Hurts me too (3:34)
4.Paying the Cost to be the Boss (3:34)
5.Night Life (5:15)
6.Custom Blues (3:11)
7.Popcorn Man (2:14)
8.Heartbreaker (2:49)
9.Soluti on (7:00)
10.Amber Blues (2:31)
11.Blues Never Die (2:05)
12.Malfunction On The Engine (Diff. Vers.) (3:24)
13. Blind Love (Unreleased) (2:29)

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Jericho Jones - Junkies, Monkeys & Donkeys (1971) [Israel]



A banda Jericho Jones, originária de Israel, apesar de uma pequena discografia, teve três nomes durante sua existência. Eles iniciaram suas atividades ainda em Israel em meados de 1968 com o nome de The Churchills. Com o objetivo de se projetar no cenário roqueiro, a banda tomou duas ati tudes: primeiro, mudou-se para a Inglaterra; segundo, trocou o nome para Jericho Jones, pois The Churchills poderia não ser tão bem aceito na Inglaterra, terra de Wilston Churchill. Os músicos eram Alain Romano (Guitarra), Mike Gabrielle (Baixo), Robb Huxley (guitarra), Danny Shoshan (Vocal) e Ami Criebich (bateria). Com este nome e formação, a banda iníciou sua carreira discográfica com o excelente álbum Junkies, Monkeys & Donkeys, de 1971. O álbum é uma mistura de hard rock com alguns momentos que lembram o psicodelismo do final dos anos 60. Destacando a faixa-título, Junkies, Monkeys & Donkeys, enigmática, progressiva, lembrando inevitavelmente Led Zeppelin. A primeira faixa é More Tranquilitatas, cujo trabalho instrumental é o grande destaque. A faixa começa numa levada pop da época, dando a impressão de que o álbum irá seguir esta linha. Em seguida, Main in the Crowd mostra a que veio o Jericho. Faixa pesada, com grande trabalho de guitarra, enfim, puro hard rock da melhor safra. A música seguinte, There is Always a Train prova que o disco realmente é muito bom. Com um belo dueto vocal, violões e guitarras bem dosadas. A faixa seguinte, Yellow and Blue, é uma balada que neste momento cai muito bem e serve de aperitivo para o restante do álbum. O início da próxima faixa, Freedom, lembra bastante o ritmo de Cocaine de J.J. Cale e gravada também por Eric Clapton. Segue-se a instrumental Triangulum e a óti ma No School To-Day. O disco, com dez canções, chega ao final com a melhor faixa da obra. Chamada What Have We Got to Lose é uma música ótima, combinação de peso, melodia e um grande instrumental. O Jericho Jones (ou Jericho) pode não ter alcançado um grande sucesso em sua época, mas é inegável sua qualidade, estilo próprio e grande capacidade de criar grandes canções. Mesmo ouvindo várias bandas da época, seguramente podemos classificar o Jericho como uma das melhores bandas de rock pesado. Sua força instrumental é fantástica, além de contar com um vocalista excelente. Muitos anos depois Danny Shoshan voltou às atividades, mantendo um trio de blues, lançando discos e tocando em bares por seu país natal.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Mare Tranquilitatas (2:20)
2.Man in the Crowd (3:16)
3.There is Always a Train (6:32)
4.Yellow and Blue (5:12)
5.Freedom (3:47)
6.Triangulum (0:47)
7.No School to Day (5:51)
8.Junkies, Monkeys & Donkeys (7:45)
9.Time is Now (3:00)
10.What Have We Get to Lose (4:26)

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Blackfeather - At The Mountains Of Madness (1971) [Australia]



Normalmente quando o assunto é hard rock australiano, a primeira banda lembrada é o AC/DC, pois devido ao sucesso mundial que eles alcançaram, sempre é a primeira referência quando o tema é o rock feito na terra dos cangurus. Caso os debatedores sejam mais aficionados e com um conhecimento mais abrangente do universo rockeiro, serão citados os grupos Rose Tattoo, Buffalo, Master’s Apprentices, Angels e muito provavelmente o Blackfeather. Todos esses grupos, com a exceção lógica do AC/DC, alcançaram um sucesso local, porém não ultrapassaram as fronteiras australianas. O Blackfeather chegou até a colocar algumas músicas nas paradas de sucessos australianos e contou com a presença do vocalista Bon Scott , tocando timbales e tamborim, em uma das faixas neste seu primeiro álbum. O grupo foi formado em Sydney no ano de 1970 pelo vocalista Neale Johns e logo se tornou extremamente popular na cena local, principalmente por suas apresentações ao vivo. No entanto não é a presença do carismático vocalista do AC/DC que faz esse disco ser altamente recomendado e sim o seu conteúdo musical que é um extraordinário e inventivo hard rock progressivo. A primeira faixa, que dá nome ao disco, inicia calmamente com um poema recitado sobre uma base de guitarra dedilhada e se torna um empolgante hard rock, com a guitarra solando o tempo inteiro, vocal arrasador e uma bateria e baixo galopante. Apesar disso o grupo não era somente o guitarrista, e o vocalista Neale Johns também mostra todo o seu talento na faixa seguinte, On This Day That I Die. Nesta música a sequência inicial é brilhante e segue com solos e bases de guitarras melodiosas e uma marcação segura na parte rítmica. Nesta faixa o grande destaque é o trabalho vocal Seasons of Change é uma peça progressiva e tem novamente um inesquecível desempenho do vocalista, criati vos arranjos de cordas e ainda traz a participação de Bon Scott . Mangos Theme é indescritível, oito minutos e oito segundos de uma beleza ímpar. Um brilhante tema com sonoridade árabe na melodia, um belo arranjo para violinos e cordas sobre uma percussão hipnótica, solos de guitarra psicodélicos e uma sequência final simplesmente grandiosa. O tema que vem em seguida não deixa nada a dever ao anterior, se chama Long Legged Lovely. O começo é um poderoso riff valorizado pela interpretação de Neale Johns. Para completar o trabalho, temos a suíte The Rat com 14 minutos de duração e dividida em cinco partes com sequências disti ntas e complexas. O desempenho dos músicos nesta última faixa se mantem no padrão das músicas anteriores, ou seja, excelente. Este é um disco fundamental para apreciadores do hard rock setentista. Muito raro em vinil, foi relançado anos atrás em versão digital em edições limitadas e que fizeram a alegria dos fãs do gênero.

Fonte: Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.At the Mountains of Madness (3:32)
2.On this Day That I Die (4:00)
3.Seasons of Change Part I (3:53)
4.Mangos Theme Part II (8:07)
5.Long Legged Lovely (7:34)
6.The Rat (13:40)

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Axis - It’s a Circus World (1978) [USA]



O baterista Vinnie Appice e o guitarrista Danny Johnson tocavam na banda de apoio do guitarrista americano Rick Derringer durante o ínicio dos anos 1970. Os dois se juntaram ao baixista Jay Davis e formaram o power trio Axis no início de 1976 e no mesmo ano gravaram e editaram um disco denominado It’s a Circus World, pelo selo RCA. Um disco com interessantes momentos de um hard rock tipicamente americano, na mesma linha do praticado por Rick Derringer. A primeira faixa do disco é Brown Eyes, uma música bastante cadenciada com uma boa melodia e solo dobrado no final. Já a sequência é um puro rock pesado dos bons. Busted Love e Juggler trazem riff s pesados de guitarra, baixo e marcação poderosa da bateria. Depois o clima cai um pouco com a funkeada Soldiers of Love que tem um refrão pegajoso, e o lado A do disco se encerra com a desinteressante balada Train, talvez o momento mais fraco do álbum. O lado B começa com Armageddon, outra bem pesada, com vigorosa introdução da bateria de Appice e trabalho de baixo e guitarras cadenciados. Ray’s Eletric Farm tem introdução com um ótimo riff executado pelo guitarrista e bom desempenho vocal. A faixa seguinte é a mais acessível do disco, com andamento bem rock and roll e momentos interessantes no desempenho do baixista, mas nada de excepcional. Cats in the Alley e Bandits of Rock vêm a seguir com guitarras pesadas, baixo cadenciado e uma bateria mostrando que eram do ramo. Quando achamos que o nível vai ficar lá em cima, novamente ocorre uma quebra no ritmo, pois a faixa-título encerra o álbum com uma balada com violinos e cordas, porém mantém o peso
nas guitarras, sendo um final até interessante. Inegavelmente o grande destaque do disco é a poderosa bateria de Vinnie Appice, com introduções e marcações de ritmo poderosas, que, aliadas ao satisfatório desempenho do guitarrista e do baixista, garantem neste disco ótimos momentos de um bom hard rock. Como o disco não atingiu o sucesso comercial esperado, a banda se separou e acabou se tornando um item curioso na biografia do baterista Vinnie Appice, que viria a se consagrar durante a década de 1980 como um integrante do Black Sabbath e posteriormente no grupo que Ronnie James Dio formou após sair deste. Recentemente It’s a Circus World foi relançado em formato digital possibilitando que fãs do famoso baterista, além de apreciadores do bom hard rock americano, tivessem acesso a esta boa obra.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Brown Eyes (4:19)
2.Busted Love (3:44)
3.Juggler (3:27)
4.Soldier of Love (3:42)
5.Train (4:50)
6.Armageddon (2:51)
7.Ray’s Eletric Farm (3:05)
8.Stormy Weather (2:48)
9.Cats in the Alley (2:50)
10.Bandits of Rock (3:51)
11.Circus World (4:19)

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Captain Beefheart - Trout Mask Replica (1969) [USA]



"O Capitão Coração-de-Boi", nome verdadeiro de Don van Vliet, nasceu em Glendale, Califórnia no ano de 1941 e formou sua primeira Magic Band em 64. Sua música é única e de importância histórica já reconhecida. Na lista de "100 melhores LPs de todos os tempos", publicada no New Musical Express, em 85 -, Beefheart recebeu votos para oito de seus discos, perdendo apenas para os Beatles (com onze) e Bob Marley (dez).
O Trout Mask Replica, "Réplica de Máscara de Truta", um álbum duplo e seu terceiro lançamento, partiu de um convite de Frank Zappa, o produtor, para que Beefheart gravasse em seu selo Straight. O Capitão recebeu controle artístico total e tempo de estúdio praticamente ilimitado. Muita gente o considera a conquista mais importante na música desde que o homem primitivo bateu, pela primeira vez, duas pedras uma na outra.
As principais influências e a inspiração de Beefheart foram os blues e o jazz de vanguarda, estilos evidentes em toda a sua obra. Os resultados que atinge, porém, a partir desta matéria-prima são tão ricos e soltos e, ainda assim, de ritmos contagiantes que desafiam qualquer descrição.
Beefheart nunca foi um músico formal. Ele apresenta as diferentes partes a seus músicos de vários jeitos, entre eles o assobio e trabalha diretamente com eles até obter exatamente o som desejado. O resultado é um trabalho em conjunto altamente organizado que soa como se estivesse sendo composto ali, no ato. O fluxo criativo de Beefheart é espontâneo: tudo o que ele tem a fazer é abrir uma torneira interna para vir jorrando. Consta que compôs todas as 28 faixas deste disco em oito horas e meia, utilizando um piano e um gravador. Ele diria, depois, que só demorou tanto porque tinha apenas um conhecimento superficial do teclado! Levou, então, os músicos ao isolamento quase total de sua casa no deserto de Mojave e instruiu-os ali por oito meses, antes de entrarem no estúdio. O efeito final é galvanizante.
A formação básica consistia em Antennae Jimmy Semens (Jeff Cotton) na guitarra e Drumbo (John French) na bateria - ambos de formações anteriores da Magic Band - com Zoot Horn Rollo (Bill Harkleroad) na segunda guitarra e Rockette Morton (Mark Boston) no baixo. Estes dois eram, nessa época, desconhecidos que tocavam em bares. Beefheart os chamou porque queria gente sem idéias preconcebidas, a quem pudesse ensinar desde a estaca zero. Seu primo, The Mascara Snake, tocava clarineta barítono, assim como o próprio Capitão, também nos sax tenor e soprano.
Beefheart foi abençoado com a voz de Howlin' Wolf, meio Nelson Cavaquinho com o alcance de uma multi-oitava. Algumas faixas são cantadas sem nenhum acompanhamento e permanecem entre suas canções mais populares. Ele canta em cima de dissonâncias ou ritmos pulsantes, na maioria das vezes, ambos simultaneamente intervêm com os mais lúcidos solos de sax free imagináveis.
Trout Mask... não envelheceu quase nada, tanto que muita gente ainda está tentando assimilá-lo. Nenhum instrumento ocupa um papel secundário. Todos os músicos de Beefheart estão sempre solando e sempre tocando tangencialmente. Em torno de um penetrante e profundo som de baixo, o baterista elabora padrões rítmicos complexos de extraordinária fluidez e habilidade. A base do som de guitarra é um toque de slide fantástico - Jimmy Semens e Zoot Horn parecendo dois cachorros loucos brigando - mas, ainda assim, de um lirismo sublime. As letras do Capitão partem de uma livre associação e jogos de palavras alucinatórios: o verbo encarnado entre a loucura total e a lucidez absoluta.
Com a exceção de algumas canções de Ian Anderson e de uma banda londrina chamada Screw, que fazia covers, foi apenas durante o punk que as pessoas realmente começaram a seguir os caminhos musicais mapeados pelo Capitão. O NME chamou 1978 de "O Ano de Captain Beefheart". Os mais afetados foram Pere Ubu, Devo, The Pop Group, Clock DVA e Gang of Four. Peter Murphy e Mick Karn batizaram seu trabalho em conjunto com o título de uma das faixas de Trout Mask..., "Dali’s Car". Desde então, o "Fator Beefheart" reaparece constantemente.
A pouco tempo “Nosso Capitão” veio a falecer, mas nos deixou eternizado seu nome através de obras de riquezas fora de série.

1.Frownland (1:41)
2.The Dust Blows Forward 'n the Dust Blows Back (1:53)
3.Dachau Blues (2:21)
4.Ella Guru (2:26)
5.Hair Pie: Bake 1 (4:58)
6.Moonlight on Vermont (3:59)
7.Pachuco Cadaver (4:40)
8.Bills Corpse (1:48)
9.Sweet Sweet Bulbs (2:21)
10.Neon Meate Dream of a Octafish (2:25)
11.China Pig (4:02)
12.My Human Gets Me Blues (2:46)
13.Dali's Car (1:26)
14.Hair Pie: Bake 2 (2:23)
15.Pena (2:33)
16.Well (2:07)
17.When Big Joan Sets Up (5:18)
18.Fallin' Ditch (2:08)
19.Sugar 'n Spikes (2:30)
20.Ant Man Bee (3:57)
21.Orange Claw Hammer (3:34)
22.Wild Life (3:09)
23.She's Too Much for My Mirror (1:40)
24.Hobo Chang Ba (2:02)
25.The Blimp (mousetrapreplica) (2:04)
26.Steal Softly thru Snow (2:18)
27.Old Fart at Play (1:51)
28.Veteran's Day Poppy (4:31)


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Analogy – Analogy (1972) [Italy]



Existem discos que nos chamam atenção por algumas características individuais e que ao longo do tempo se tornaram verdadeiros tesouros musicais procurados por colecionadores nos quatro cantos do mundo. E este Analogy é sem dúvida um destes casos. Somente pela capa do disco já se percebe que não se tratava de um grupo comum, que a proposta artística da banda era inovadora e que não estava presa em conceitos firmados e restritos. Para se ter uma idéia de quão raro é este trabalho, basta lembrar que a edição original foi lançada com apenas cerca de 1000 cópias e que chega a custar uma pequena fortuna. Tudo se inicia no ano de 1970, quando quatro músicos alemães que residiam no norte da Itália uniram seus interesses musicais a outros dois músicos italianos e formaram um grupo, o qual batizaram de The Yoice e já no ano seguinte lançaram um single que chegou a fazer um pequeno sucesso localizado. Em 1972, após algumas mudanças na formação, mudaram o nome do grupo para Analogy e gravaram o seu primeiro disco auto intitulado, que viria a se tornar um clássico do progressivo, principalmente pelo personalíssimo timbre vocal da cantora Jutt a Nienhaus.
Quase todas as músicas do disco possuem aquele toque característico de teclados e guitarra com uma marcação de baixo e bateria com forte influência de rock e blues. Além do interessante vocal, surpreende a habilidade do guitarrista alemão Martin Thurn e o tecladista italiano Nicola Pankoff , principalmente na faixa Indian Meditati on, uma maravilhosa composição baseada no diálogo entre guitarra e órgão. Uma forte base rítmica com influência folclórica aparece na música Tin’s Song, uma pequena peça com um arranjo acústico com base no piano e violão. Porém o destaque é a faixa Dark Reflections, composição do guitarrista Thurn, e Analogy, creditada como uma obra de todos os integrantes do grupo. Na primeira, todo o poder instrumental do grupo aparece logo nos primeiros acordes da canção, que, aliado a um impressionante desempenho vocal, vai se desenvolvendo em um tema bastante emotivo ao longo dos sete minutos.
Em Anology, o início é mais sereno e vai se transformando num crescendo instrumental, onde em um primeiro momento sobressai o trabalho de órgão para em seguida dar espaço para um poderoso riff de guitarra, marcado por um acompanhamento preciso de baixo e bateria; na sequência um solo de guitarra secundado por um discreto desempenho de baixo e o piano leva a música para um final contemplativo como no início. The Years At the Spring, outra atuação impecável de Jutt a Nienhaus e com mais balanço do que as faixas anteriores, novamente a guitarra é o destaque soando bem rock and roll. Pan-Am Flight 249 é um hard progressivo com elementos de blues, marcado por uma linha de baixo com um timbre bastante interessante. As reedições em CD lançadas nos últimos anos têm como bônus as músicas do compacto lançado no início da carreira além do outro trabalho do grupo, The Suíte, que tinha uma sonoridade mais folk progressiva com vários elementos de música renascentista.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Dark Reflections (7:00)
2.Weeping May Endure (4:50)
3.Indian Meditation (4:10)
4.Tin's Song (1:40)
5.Analogy (9:45)
6.The Year's At The Spring (4:35)
7.Pan-Am Flight 249 (5:15)

Bônus Track:
8.Milan On A Sunday Morning (6:07)
9.God’s Own Land (3:33)

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Minotaurus - Fly Away (1978) [Germany]



Mesmo que o ano de 1978 não tenha sido nada fácil para as bandas progressivas ainda assim tivemos belos lançamentos neste período, principalmente em países com Inglaterra e Alemanha. Um desses discos foi Fly Away gravado pela banda alemã Minotaurus. Sendo uma mistura de Pink Floyd e Eloy, começa de forma sensacional com a faixa 7117, uma canção com ótimos teclados Hammond, mostrando uma banda coesa, com técnica apurada, além de um bom cantor. O som é um progressivo urgente com bateria intensa, bons trabalhos do guitarrista Mick Helsberg que já chega para mostrar que o disco, apesar de obscuro, tem seu valor dentro da proposta. As letras, cantadas em inglês, mostram uma boa voz do seu cantor Peter Scheu, principalmente nas partes mais agudas. Esta primeira faixa foi inclusive incluída no filme 7117 de Stanley Krubick. Outra faixa interessante é Your Dream, mostrando uma condução competente. Os teclados, mesmo soando datados hoje em dia, são de extrema beleza e eficiência. A canção traz passagens climáticas que permitem ao ouvinte literalmente viajar no som. Apesar de ser o único registro fonográfico da banda, impressiona pela forma da execução, qualidade das músicas e maturidade que eles já demonstravam ter em estúdio. Para se ter uma idéia do trabalho da banda, podemos concluir que foi uma referência para o Marillion nos anos 1980, pois algumas músicas, como, por exemplo, Lonely Seas, lembram muito a banda do cantor Fish. Esta canção em especial tem uma belíssima introdução do vocalista, servindo de ponte para a parte instrumental que vem em seguida. O som climático da música ajuda muito, principalmente na base conduzida pelo teclado e baixo. A banda usava muito bem a guitarra nos trabalhos solo, o que ajudava a variar um pouco nas passagens mais lentas. Tudo isso feito com muito bom gosto e qualidade. Highway é uma faixa um pouco mais rápida e dinâmica, mas é em Fly Away, música título, que a banda mostra todo seu talento, o que acaba se tornando o grande momento do álbum. Praticamente impossível não se lembrar do Pink Floyd, principalmente de passagens do álbum Animals de 1977 e até mesmo de Dark Side of the Moon de 1973. A longa faixa despeja toda emoção e técnica numa música que poderia facilmente ter alcançado um sucesso maior ou mesmo ser considerada como um dos clássicos do rock progressivo, principalmente na Alemanha. Apesar do bom disco gravado, o Minotaurus não seguiu adiante e acabou se tornando um desconhecido no mundo musical em anos posteriores. Na época de seu lançamento fez relativo sucesso em seu país de origem, por ser considerada como uma ótima banda ao vivo. Mesmo não podendo ser considerado muito criativo, o saldo final é um álbum com ótima qualidade musical além de muito bem executado. O disco em vinil é absolutamente raro hoje em dia, mas os relançamentos em formato digital podem ser encontrados. O álbum teve um relançado em CD em 1992 pelo selo Lost Pipedreams. A capa do disco, traz o Minotauro, símbolo da banda, não sendo exatamente uma capa de bom gosto. Apesar disso o disco é ótimo para os amantes do progressivo clássico, mesmo que a capa não indique isso.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.7117 (6:47)
2.Your Dream (5:40)
3.Lonely Seas (4:42)
4.Highway (3:20)
5.Fly Away (13:20)
6.The Day The Earth Will Die (4:40)
7.Sunflowers (3:59)

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Mahogany Rush - Strange Universe (1975) [Canada]



Frank Marino é um dos grandes guitarristas de rock e junto com sua banda Mahogany Rush possui uma obra de respeito. Este disco, Strange Universe, seu terceiro álbum, lançado pela 20th Century em 1975 é um dos grandes momentos do artista em sua longa carreira. O músico é reconhecido tanto pelo seu talento e habilidade por ser um dos músicos mais influenciados por Jimi Hendrix, tanto na forma de tocar como de jeito de cantar e compor. Seu primeiro álbum, Maxoon de 1973, um tremendo disco, é totalmente parecido com coisas feitas por músico americano. Apesar da similaridade, é neste álbum que a banda consegue colocar seu próprio estilo em ação, criando um disco bem ao gosto dos fãs de guitarristas, mas onde as canções também se destacam pela beleza e qualidade. Já na primeira faixa, Tales of the Spanish Warrior, nota-se que o Mahogany Hush conseguiu achar um estilo arrebatador, mesmo usando Jimi Hendrix como força-motriz e já é perceptível na segunda faixa The King Who Stole (... The Universe). Já Moonlight Lady é lindíssima e que facilmente pode ser considerado como um dos trabalhos mais singelos e bonitos da longa carreira deste Power trio. No disco, também podemos destacar um canção dançante, quase uma soul music com uma melodia típica do hard rock americano setentista, além do forte trabalho de guitarra e bateria. Trata-se da faixa Satisfy Your Soul e permite que a banda mostre toda sua versatilidade. É um momento feliz do disco, principalmente pelo seu refrão. Strange Universe finaliza no mesmo pique de seu início, com a faixa-título deixando vontade de começar tudo novamente. Strange Universe é a última faixa e fecha o disco em grande estilo. O trabalho deste guitarrista é realmente de tirar o fôlego. Sem dúvida, Frank está no rol dos melhores músicos canadenses, podendo ser colocado ao lado de um seleto grupo de músicos como Neil Young, Leonard Cohen, Rush, entre poucos outros. Anos mais tarde, Frank Marino acabaria assumindo o nome próprio para a banda, ficando Frank Marino & Mahogany Hush e ainda gravariam inúmeros discos em sua carreira que dura até os dias de hoje, mas neste disco é certo que chegaram num de seus melhores momentos. A capa do disco é outro destaque a se comentar: além do desenho, sua versão em vinil original é dupla e ainda traz as letras no centro da capa. O disco teve alguns relançamentos em CD, inclusive existe uma edição com este disco junto com o segundo disco, Child of Novelty, também muito bom por sinal. Frank Marino pode não primar pela originalidade, mas não há dúvida de que construiu ao longo de vários anos um material muito interessante e que este Strange Universe está entre os belos discos de hard rock, principalmente para os amantes das guitarras.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Tales of the Spanish Warrior (4:54)
2.The King Who Stole (…the Universe) (3:57)
3.Satisfy Your Soul (3:15)
4.Land of 1000 Nights (4:36)
5.Moonlight Lady (4:05)
6.Dancing Lady (3:11)
7.Once Again (3:25)
8.Tryin’Anyway (3:51)
9.Dear Music (3:59)
10.Strange Universe (6:57)

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The Jimi Hendrix Experience - Electric Ladyland (1968) [USA]



Hendrix transformou a linguagem e expandiu os horizontes da guitarra elétrica no rock. Sua concepção musical transpunha as fronteiras das classificações, resgatando toda a tradição da música negra, ao mesmo tempo que apontava as principais tendências que viriam a emergir na década de 70 (heavy metal, jazz-rock, progressivo). A naturalidade com que arrancava, de inúmeras maneiras, inacreditáveis solos de sua Fender e criava melodias com efeitos de pedais e microfonias, era espantosa. Jimi ao vivo - incendiário em Monterey ou lançando bombas no Hino Nacional americano em Woodstock, fazia de sua guitarra uma extensão de seu próprio corpo e alma.
Mas também existia um "outro" Jimi: aquele dos estúdios e jam sessions, um experimentador fascinado pelo desenvolvimento das técnicas de gravação e efeitos, e que mais tarde montaria seu próprio estúdio (o Electric Lady, em Nova York). A interação mais perfeita dessas duas facetas de Jimi ocorre exatamente no terceiro e último álbum que ele gravou com o Experience: o duplo "Electric Lady Land". O seu primeiro LP era pura explosão: uma transposição para o vinil da energia em estado bruto que emanava do som de Hendrix. Depois veio "Axis: Bold as Love", com seus temas lisérgicos e maior elaboração no trabalho de estúdio, através de recursos técnicos então inovadores como o pan (efeito de estéreo em que um som passa de um canal a outro).
Em "Eletric Ladyland" estes experimentos de estúdios foram levados adiante. Mais do que nunca, Jimi sentia-se à vontade para ousar. Isso já se nota superposição de efeitos da vinheta introdutória "And the Gods Made Love". "Você já esteve na terra das mulheres elétricas/ O tapete mágico espera por você/ Então não se atrase" canta Jimi na faixa título. É o convite para uma imagem que segue através do tráfego da cidade e depois envereda pelo blues rasgado em "Voodoo Chile". O lado 2 começa com duas boas canções, mas menores em relação ao conjunto: "Little Miss Strange" (do baixista Noel Redding) e "Long Hot Summer Night". Mas ganha corpo novamente a partir de uma versão de "Come On" de Earl King e torna a brilhar no funk sincopado de "Gipsy Eyes" e nas linhas melódicas de "The Burning of the Midnight Lamp".
O segundo disco começa com a longa introdução tendendo para o blues de "Rainy Day, Dream Away"; o lado 3 conta apenas com mais duas músicas, que na verdade são uma única suíte, na qual vários climas se sucedem de maneira sublime. No último lado do disco há "Still Raining, Still Dreaming" - uma recriação da faixa que abre o lado 3 - que é seguida pelo pique de "Houses Burning Down", para encerrar-se com duas faixas geniais: "All Along the Watochtower", a versão definitiva da canção de Dylan, e "Voodoo Chile (Slight Return)", outra recriação estupenda que abre espaço para novos vôos de Hendrix. Esse disco expõe as "drogas" mais pesadas que fizeram sua cabeça: blues, funk e rock'n'roll. Uma fórmula simples, que ele "dosava" com sua guitarra, seu fuzz e seu wah-wah. Só mesmo Syd Barrett conseguiu (um ano antes) pintar com cores psicodélicas um painel tão significativo, tão adiante das manias musicais da época - como o blues branco e o rhythm & blues.
O lançamento de "Electric Lady Land" coincidiu com o fim do Experience (Jimi, Noel e Mitch Mitchell na bateria). Hendrix iria montar a Band Of Gipsies, com o baixista Billy Cox e batera Buddy Miles (ex-Eletric Flag), gravando um disco ao vivo do show realizado no Fillmore East (em Nova York) na noite de ano novo 69/70. Novamente com Mitchell no lugar de Buddy Miles, Jimi faria "The Cry of Love", seu último disco antes de morrer repentinamente aos 27 anos (18/09/70). Uma vida curta, um enorme legado.

1.…And The Gods Made Love (1:21)
2.Have You Ever Been (to Electric Ladyland) (2:12)
3.Crosstown Traffic (2:25)
4.Voodoo Chile (15:05)
5.Little Miss Strange (2:50)
6.Long Hot Summer Night (3:30)
7.Come on (Let The Good Times Roll) (4:10)
8.Gypsy Eyes (3:46)
9.Burning Of The Midnight Lamp (3:44)
10.Rainy Day, Dream Away (3:43)
11.1983… (A Merman I Should Turn To Be) (13:46
12.Moon, Turn The Tides…Gently Away (1:01)
13.Still Raining, Still Dreaming (4:24)
14.House Burning Down (4:35)
15.All Along The Watchtower (4:01)
16.Voodoo Child (Slight Return) (5:14)

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Artstruni - Cruzaid (2002) [Armenia]



Banda liderada por Vahan Artsruni, compositor, arranjador e guitarrista (acústica), mas há espaço para todos os músicos envolvidos mostrarem suas qualidades. O disco é quase todo instrumental e o som é uma excelente simbiose entre sons do ocidente e do oriente médio. O encarte do álbum traz um resumo da história da Arménia, entre várias informações interessantes, aquela que se relaciona com o título do disco: o fato da Arménia ter sido a primeira nação estado a adotar o cristianismo como religião oficial (século IV, ano 301).
No total são seis músicos que desfilam por todas as oito faixas do álbum uma elevada destreza em seus respectivos instrumentos, cujo som pode ser descrito como um fusion de fácil e suave sonoridade. O grupo ainda conta com um sotaque do Oriente Médio na sua musicalidade, o que mostra que longe de simplesmente imitar seus colegas americanos e ingleses, eles optam por apelar para sua própria formação cultural para dar a sua música um sabor genuíno local.

1.Aditon (5:51)
2.Barev (4:51)
3.The Lost Symbol (6:10)
4.Cruzaid (Part One) (6:30)
5.Cruzaid (Part Two) (6:06)
6.Im Ser (6:18)
7.Anush Garun (6:37)
8.Call of the Wind (5:01)

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sandrose - Sandrose (1972) [France]



Considerado por muitos como um dos principais grupos franceses de rock progressivo e um dos mais bem produzidos no gênero citado. O mentor do Sandrose é o guitarrista e compositor Jean Pierre Alarcen, que iníciou sua carreira em meados dos anos 1960, participando de vários grupos, inclusive da montagem da peça Hair em teatros franceses, porém sem alcançar o reconhecimento merecido. Posteriormente, integrou o grupo Eden Rose durante um curto período e ao deixar o grupo chamou o tecladista Henri Garella e o baterista Michel Julliem para tentarem a sorte em um novo projeto. Completaram o grupo o baixista Christi an Clairefond e a vocalista Rose Podwojny. Após vários ensaios, o grupo já tinha composto várias canções que formavam um bom repertório, sendo a maioria delas divididas entre Alarcen e Garella. Rapidamente assinaram com o selo Polydor francês e lançaram no ano de 1972 o seu primeiro e único disco. O destaque deste trabalho era o intercâmbio entre a guitarra e o teclado como se percebe logo na primeira faixa do disco, Vision. Em seguida, temos Never Good At Sayin’’ Good-bye onde Rose Podwojny interpreta a canção com toda a dramaticidade que este tipo de balada pede. A categoria de Alarcen para compor melodias com influências de música erudita e rock é demonstrada em Underground Session. A combinação dos dois estilos musicais gerou uma obra densa e climática que é valorizada pelo arranjo sinfônico produzido pelo mellotron executado por Garella aliado a um forte arranjo vocal. Old Dom is Dead tem um belo arranjo para guitarra e melotrom e é realçado pelo timbre vocal de Rose, realmente bem agradável. A faixa que tem um suingue mais acentuado no ritmo da bateria e baixo é To Take Him Away onde Alarcen demonstra toda a sua habilidade instrumental que é valorizada pelo acompanhamento dos outros membros na parte rítmica e na parte final com um sofisticado arranjo de teclados. Nesta e em outras faixas do disco podemos notar a capacidade individual de cada músico para dominar o seu instrumento e assim interpretar as composições com a intensidade necessária. Summer is Yonder mantém a atmosfera climática das faixas anteriores. O disco encerra com Metakara, uma composição de Henri Garella que demonstra muita influência de Jazz nas linhas melódicas da guitarra e órgão. Um agradável final. O disco, em determinados momentos, lembra alguns trabalhos de bandas inglesas como Spring e Pink Floyd principalmente nos timbres para teclados. Com o lançamento do disco, o grupo executou o seu repertório em várias apresentações durante o período de novembro a dezembro do ano de 1972, porém a falta de reconhecimento (principalmente financeiro) realçou as divergências internas que culminaram com o fim do grupo no final daquele ano. Sandrose é hoje um verdadeiro clássico do rock pogressivo francês e uma autêntica raridade em seu formato original. Jean Pierre ainda continuaria em carreira solo produzindo interessantes trabalhos nos anos seguintes.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Vision (5:22)
2.Never Good at Sayin’Good Bye (3:07)
3.Underground Session (Chorea) (11:06)
4.Old Dom is Dead (4:40)
5.To Take Him Away (7:04)
6.Summer is Yonder (4:47)
7.Metakara (3:22)
8.Fraulein Komen Sie Schlafred Mit Mir (0:32)

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Heads Hands and Feet - Old Soldiers Never Die (1973) [U.K]



Old Soldiers Never Die é o terceiro álbum deste interessante grupo inglês que fazia um rock com pitadas country e que era embalado em bonitos arranjos e boas melodias. O álbum acabou sendo o canto do cisne do grupo que era liderado pelo bom guitarrista Albert Lee. Jack of All Trades abre o álbum trazendo uma interessante faixa e que pode até enganar quanto ao gênero musical do disco. Numa espécie de faixa de musical da Broadway traz uma orquestra ao fundo fazendo com que o rock seja brevemente substituído por algo mais teatral. No decorrer da música, o rock and roll novamente assume os controles e desta vez um piano à la Jerry Lee Lewis é detonado por Albert Lee. O álbum avança desta vez com a bonita balada country Meal Ticket. A faixa mostra um vocal seguro de Tony Colton numa canção que passeia nas praias de grupos como James Gang, Eagles, The Band, Grateful Dead, entre outros. É um bonito momento do álbum principalmente para os fãs do sourtern rock. Outra canção que chama a atenção é Soft Word Sunday Morning. Uma bonita melodia, bom trabalho vocal de Colton e novamente a orquestra conduzida pelo maestro Johnny Harris traz todo o clima romântico e dramático para o momento. Não é o que se pode chamar exatamente de um rock clássico, mas ouvindo com atenção, a canção pode ser muito bem apreciada. A faixa seguinte é One Woman, desta vez o vocal é feito pelo convidado Albert Ray e a canção é um boogie no melhor linha Stones, safra setentista. A canção tem um clima festivo e agrada bastante a fãs de rock and roll clássico. I Just Another Ambusch é uma faixa tipicamente americana. A melodia e o arranjo se aproximam muito de canções de grupos como The Band principalmente pelo trabalho das guitarras e vocais de Albert Lee. Sem dúvida, um dos melhores momentos do álbum. Stripes é uma balada temperada por bons vocais e arranjo carregado de emoção enquanto que Taking my Music to the Man é um diverti do country rock na melhor linha Nitt y Dirty Gritty Band. Para fechar o álbum, Another Useless, um pop rock com vocal do baixista Chas, que mostra o quanto o grupo era polivalente, visto que seus músicos desempenhavam várias funções musicais. Ótimo final para um memorável álbum e que ainda hoje soa bem-humorado caindo muito bem vez ou outra. O Heads Hands and Feet já vinha de dois trabalhos bem-sucedidos e após alguns desgastes entre seus músicos lançaram este derradeiro trabalho. Após o final do grupo alguns de seus integrantes passaram a acompanhar o músico americano Jerry Lee Lewis em dois discos quando este gravava em Londres entre 1971 e 1973. O músico Albert Lee tocaria mais tarde com personalidades como Jon Lord, Emmylou Harris, Eric Clapton, entre tantos outros.

Fonte: Livro - Rock Raro - O Maravilhoso e deconhecido mundo do rock

1.Jack of All Trades (1:48)
2.Meal Ticket (2:44)
3.I Won’t Let You Down (5:04)
4.Soft Word Sunday Morning (4:35)
5.One Woman (5:33)
6.Just Another Ambusch (4:00)
7.Stripes (5:02)
8.Taking My Music to the Man (3:44)
9.Another Useless Day (4:33)

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