quinta-feira, 28 de abril de 2011

Wappa Gappa - Gappa (2004) [Japan]



Anos 80... pra muitos o rock progressivo "agonizava", mas nadando contra a corrente, o japão fervilhava com novas bandas que mergulhavam fundo no estilo (Novela, Outer Limits, Gerard etc). Estas bandas deixaram suas influências no prog feito pelas novas bandas japonesas. O Wappa Gappa, um dos representantes desta nova safra aparece com este terceiro trabalho. Honrando as influências, aqui está o vocal feminino cantado em japonês e os bons músicos da fértil escola sinfônica japonesa. A diferença é o instrumental que puxa mais para os arranjos quebrados e algums guitarras atonais, mas nada que assuste os fãs de sonoridade melódica e sinfônica. Muito Hammond (lembrando o Gerard), bateria competente e solos vintage.
Um album bastante bonito.

1.Kyoei no ichi (Souk) (7:44)
2.Ido Uuenchi (Kirmes) (8:43)
3.Ranja (10:51)
4.Taiyo no kin np ringo (The golden apples of the sun) (8:31)
5.Heishitachi-e (To soldiers) (6:50)
6.Gokujo no yuuutsu (Exquisite blue) (7:28)
7.Escher (9:39)
8.Etranger (8:38)

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Quikion - Ramadan (2004) [Japan]



Trio japonês altamente influenciado pela escola minimalista francesa, com farta utilização de acordeão, o Quikion apresenta este quarto trabalho que ganha lançamento também na França pela Gazul, selo da Musea especializado em RIO e afins. Fora a influência citada, a banda apresenta vocais femininos em japonês, mostrando tambémvárias adaptações de músicas folclóricas de países como Iugoslávia, Romênia e Inglaterra (The Cuckoo), bem como uma música do compositor Kurt Weill. Banda a ser descoberta para alguns e pérola para os admiradores do gênero.

1.Moon and a Bride (3:06)
2.Ramadan (6:05)
3.The Cracked Harmonium of Chotabaru (2:34)
4.Die Ballade von der Hollen-Lili (2:56)
5.Guessing Song (3:20)
6.Cha-Ri-Ne (5:05)
7.Spellbound (5:07)
8.Sirba D'Accordeon (4:04)
9.The Cuckoo (3:25)
10.Concertina Blues (3:03)
11.Heaven Knows (5:14)
12.Kondratiev Song (2:14)

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Deux Ex Machina - Cinque (2002) [Italy]



Considerada como uma das melhores bandas de rock progressivo da atualidade, o Deux Ex Machina (formado em 1985 em Bolonha, Itália) ganhou enorme reputação e respeito graças às suas enérgicas apresentações e aos seus discos de estúdio. O sexteto italiano tem como marca registrada o vocalista alberto Piras (sempre com as letras e vocais em latim) e a fusão de rock, jazz, fusion e clássico. A banda afirma que o latim foi a melhor solução para conciliar a natureza melódica do idiona italiano e a fluência do inglês.
Nos anos 90, a banda lançou quatro discos de estúdio e dois discos ao vivo. Seu primeiro trabalho foi uma ópera-rock gravada em apenas dois dias! Destaca-se também a participação da banda em alguns tributos, entre eles ao Van Der Graph Generator, uma de suas influências. A banda já se apresentou nos EUA no Nearfest 2001.
Este quinto disco de estúdio, o primeiro pela Cuneiform e o primeiro a ser lançado nos EUA, é um poderoso trabalho de jazz/rock/fusion. É o ápice de "uma busca por um impacto maior usando o Rock como ferramenta".
Album, altamente recomendado.

1.Convolutus (7:18)
2.Rhinoceros (Afropuglise) (8:19)
3.Uomo del Futuro Passato (Roccaccione..... (8:42)
4.Olim Sol Rogavit Terram I (Maurino Piras) (5:04)
5.Il Pensiero Che Porta Alle Cose Importanti (7:28)
6.Luce (Pensando a Claudia) (6:19)
7.De Ordinis Ratione (Nuovo) (6:55)
8.Olim Sol Rogavit Terram II (Cadaverone..... (20:22)

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Forever Twelve - Spark of Light (2004) [USA]




A banda norte-americana da Califórnia, o Forever Twelve tem uma linha música onde se engloba muito violão, bons teclados (mellotron, moog etc), vocal feminino cristalino da simpática Cat Ellen, flautas bem tocadas (ouça a segunda música), guitarras choradas que nos fazem lembrar de Camel com assinaturas a la Yes , um baixo quase perfeito (ouça a primeira música) e a bateria que não deixa nenhum instrumento na mão. Um disco que foge completamente da escola tradicional norte-americana e mergulha de cabeça num estilo próprio.

1.Rama (8:03)
2.Spark of Light (10:03)
3.Keep It Alive (8:50)
4.Brown Cloud (6:40)
5.Mouse (9:43)
6.Life Changes (15:02)

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Clepsydra - Alone (2002) [Switzerland]



Sabe aquele disco que os admiradores mais radicais de rock progressivo (leia-se os que acham que o prog acabou em 1979) vão odiar? É este! Você, que é uma pessoa normal e sempre disposto a descobrir música de qualidade, é a pessoa indicada para comprar curtir esse album. Simplesmente o melhor disco da banda, com um casamento perfeito de guitarras, teclados e letras carregadas de significados. Um disco sem nada demais, mas tambem sem nada de menos, simplesmente no ponto, figura fácilmente entre os melhores de rock progressivo que foram lançado no ano de 2002.
Uma curiosidade, você pode achar esse album em três capas diferentes.

1.Tuesday Night (13:16)
2.Travel of Dream (10:54)
3.The Return (7:10)
4.The Father (7:31)
5.Alone (6:00)
6.The Nest (6:58)
7.God or Beggar (5:45)
8.End of Tuesday (5:03)

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Yang - A Complex Nature (2004) [France]



Yang é o novo quarteto liderado pelo guitarrista Frederic L'Epee (Shylock, Philharmonie) e A Complex Nature seu trabalho de estréia. Após o fim da banda Philharmonie em 1998, L'Epee dedicou-se à carreira solo, com trabalhos baseados em composição e improviso, com diversas apresentações, lançamento de seis CDs solos e a participação no GLI (Groupement de Libres Improvisateurs). Em setembro de 2002, L'Epee formou o quarteto Yang que conta com o próprio L'Epee, na guitarra, seu aluno Julien Vecchio, na segunda guitarra, Volodia Brice, na bateria, que participou da última formacão do Philharmonie, e Stephane Bertrand, no baixo. Embora L'Epee não encare Yang como a continuação do Philharmonie, é difícil não notar as similaridades entre a música do Yang e a última fase do Philharmonie (Rage e The Last Word). As composições são energéticas, com estrutura compacta e dominadas pelas guitarras com distorção. As sequências com contrapontos entre as duas guitarras ainda estão presentes, mas agora com mais energia. O album trás oito faixas, todas compostas por L'Epee, sendo três "baladas" (Compassion, Manchild e Impatience) e cinco faixas mais pesadas. Em Compassion a música começa calma, com apenas uma guitarra que é seguida pelos outros intrumentos, culminando com solo torturante que lembra Fripp na era Red. Manchild começa com tema simpático, com passagens onde as duas guitarras fazem belo contraponto para o desenvolvimento do contrabaixo, até evoluir para uma série de contrapontos rápidos e com muita energia para o grande finale. O ponto alto do album são as composições mais pesadas, como Les Deux Mondes, Le Masque Rouge e Orgueil, todas apresentando forte influência crimsoniana, onde o contraponto das duas guitarras que marcou o KC dos anos 80 é aqui aproveitado de modo muito energético e vibrante, com o espírito dos anos 70. O destaque desse trabalho fica para a faixa Souterrain, a mais criativa e cheia de energia. Recomendado para quem gosta de King Crimson, de música instrumental inteligente e elaborada para um par de guitarras tocadas por dois guitarristas exímios.

1.The Two Worlds (8:16)
2.Subterranean (6:35)
3.Innocent Seducer (5:46)
4.Compassion (4:26)
5.Homme-Enfant (4:41)
6.Impatience (7:03)
7.The Red Mask (5:27)
8.Pride (5:54)

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The Move - Looking On (1971) [U.K]




The Move foi uma das bandas mais importantes surgidas no meio dos anos 60 mas que nunca teve um reconhecimento na América, porem seu disco de estréia de 68 apesar de não ter sido um fenômeno de vendas, ouve um reconhecimento da critica especializada que os consideravam autênticos e sofisticados. Sua característica no inicio era dar mais prioridade a aparência que o som, fazendo com que comparações com o Jeff Beck Group fossem inevitáveis, mas aos poucos graças ao talento do seu líder, o compositor e guitarrista Roy Wood, a combinação de doses psicodélicas com o molho britânico inevitável dos Beatles e ainda um mórbido sendo de humor seria a combinação certeira para que a banda monta-se um repertório onde as improvisações roqueiras se destacavam dando ao grupo uma personalidade forte que ajudou sustentar sua base por um certo tempo.
O mais curioso é que os americanos só foram descobrir a banda algum tempo depois que os mesmo já haviam se separados, exceto dois de seus integrante Roy Wood e Jeff Lynne que juntos resolveram montar uma banda de rock orquestral e ganhado fama e sucesso com o nome de The Eletcric Light Orchestra e que logo se tornou uma das maiores referencias no rock-pop dos anos 70. Só que no caso do The Move, havia um formato de experimentalismo e uma preocupação de soar pesado e claro em alguns momentos pop, mas na linha da chamada invasão britânica, se bem que eles acabaram chegando um pouco atrasados nesse sentido. O nome da banda viria do fato de que no inicio seus integrantes tiveram que se “mover” de suas cidades locais e fixar em Birmingham para montar a banda, porem quando foram tentar a sorte em Londres foram ver The Who em um show onde Pete Townshend quebrava guitarras e destruía aparelhos de tv “que naquela época era muito mais caro” em cima do palco o que acabou influenciando muito em varias composições do grupo. Tiveram logo no começo 4 singles tirados de compactos simples catapultados para as paradas do top-ten inglês entre 67-68. Não demorou muito o quinteto se desfalcaria do baixista Ace Kefford que nunca foi um grande colaborador mas gostava de aparecer mais que os outros em fotos promocionais e entrevistas.
Porem somente com o quarto disco Looking On , que por sinal marca a entrada de Jeff Lynne na banda, eles chegariam e ainda assim uma única vez ao topo das paradas com a musica "Blackberry Way" considerada por muitos como uma das suas melhores canções que é uma espécie de humor negro para “"Penny Lane" dos Beatles e inclusive já foi revisitada pelo ELO. As musicas de Lynne como "What?" e "Open Up Said the World at the Door" são maiores e complexas enquanto as de Wood são puro hard-rock já na linha metal que geraria também comparações com Black Sabbath, e isso éra o diferencial do álbum já que a união de duas cabeças diferentes seriam determinantes parase fazer um som brilhante e consistente. Se você prestar atenção nas musicas de Wood como "Looking On" and "Turkish Tram Conductor Blues” parece até que havia uma profecia de que um dia surgiria o estilo grunge, já que ela tem a cara do Soundgarden. Já na clássica “Feel Too Good”, um dos grandes hits do disco, tudo começa com um riff pesado e um piano boogie que logo depois vai se expandido em improvisos de guitarra que culmina com vocais ala Beach Boys, em geral as musicas lembram coisas dos Faces e pitadas de Black Crowes. Em “When Alice Comes Back To The Farm" tem piano honky-tonk meio maluco como em varias experimentos do album. Outros destaques são “Brontosaurus” que já foi regravado pelo Cheap Trick e “Wild Tiger Woman”.
Essa versão postada aqui no blog é a remaster, com faixas extras, mas que sinceramente não acrescentam nada ao album, que é brilhante apenas com suas músicas originais.

1.Looking On (7:49)
2.Turkish Tram Conductor Blues (4:49)
3.What? (6:43)
4.When Alice Comes Back to the Farm (3:44)
5.Open Up Said the World at the Door (7:11)
6.Brontosaurus (4:26)
7.Feel Too Good (9:34)

Bonus Tracks:

8.Lightning Never Strikes Twice (3:15)
9.Looking On Pt. 1 (4:34)
10.Looking On Pt. 2 (4:51)
11.Turkish Tram Conductor Blues (4:54)
12.Open Up Said the World at the Door (1:27)
13.Feel Too Good (2:40)
14.Duke of Edinburg's Lettuce (1:26)

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terça-feira, 26 de abril de 2011

The Norman Haines Band - Den of Iniquity (1971) [U.K]



Clássico e super buscado álbum de rock progressivo de um ex-integrante da banda Locomotive com maravilhosa guitarra, órgão e vocal sublime, além de uma capa um tanto bestial. Um álbum enormemente variado, onde não sobra nem falta nada e com um tema final realmente antológico. Excelente.
Podem baixar sem medo de não gostar, album maravilhoso, um dos meus preferidos entre todos postados aqui no blog.

1.Den Of Iniquity (04:34)
2.Finding My Way Home (03:25)
3.Everything You See (Mr Armageddon) (04:37)
4.When I Come Down (03:58)
5.Bourgeois (03:01)
6.Rabbits (13:05)
a.Sonata (For Singing Pig)
b.Joint Effort
c.Skidpatch
d.Miracle
7.Life Is So Unkind (08:06)
a.Moonlight Mazurka
b.Echoes Of The Future
8.Elaine (04:36)
9.I Really Need A Friend (03:43)
10.Daffodil (03:52)
11.Autumn Mobile (03:33)
12.Give To You Girl (02:53)

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Synergy - Electronic Realizations for Rock Orchestra (1975) [USA]



O álbum de estréia de Synergy (pseudônimo usado pelo tecladista Larry Fast) talvez seja seu mais popular trabalho, e nos traz 5 peças idealizadas pelo músico norte-americano para uma verdadeira “orquestra” apenas composta de teclados eletrônicos: timbres que “mimetizam” instrumentos de caráter orquestral (fagote, cravo, violino) são mesclados e fundidos a timbres artificiais, próprios de sintetizadores.
“Electronic Realizations...”, realizado em 75, possui claras influências de alguns tecladistas progressivos da vertente sinfônica (Rick Wakeman, Keith Emerson) e alguma influência do prog-eletrônico alemão (Tangerine Dream, Kraftwerk em seus primórdios) além de menções à compositores da música erudita moderna, como Ravel e Stravinsky. Não há exatamente nada de “inovador” na música do Synergy, seria apenas uma adaptação de típicas composições e orquestrações de influência clássica para teclados eletrônicos, com “toques“ futurísticos, coisa que músicos como Wendy Carlos em “Laranja Mecânica” ou “Switched-On Bach ” já chegaram a fazer anteriormente, mas talvez sem a “magia cândida” das composições de Fast.
As melodias, concepções harmônicas e arranjos de Larry Fast costumam ser bem simples e formais, sem improvisos e sem climas ou quebras muito radicais. Não há também demonstrações de grande virtuosismo de sua parte, mas tudo é feito com certo bom gosto e qualidade, criando-se assim etéreas e bem acabadas peças instrumentais, de texturas suaves e sonoridade leve e ingênua: Uma música bastante acessível e agradável de se ouvir.
“Legacy”, “Synergy” e “Relay Breakdown” seriam as composições mais expressivas e que melhor representariam este álbum desta “banda-de um-homem-só”, que exerceria sensíveis influências em algumas bandas eletrônicas modernas, tal como o Orbital em seu disco “The Middle of Nowhere”.
Um album extremamente recomendado.

1.Legacy (10:10)
2.Slaughter on Tenth Avenue (11:50)
3.Synergy (5:28)
4.Relay Breakdown (6:24)
5.Warriors (12:51)

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Os Mutantes - Os Mutantes (1968) [Brazil]



Muita gente tem a mania de buscar apenas no rock americano ou inglês a sua fonte única de inspiração e conhecimento, enquanto as pérolas da MPB permanecem no esquecimento.
Também a quem não ache que tais pérolas existam, mas houve a bossa nova, a tropicália (anote aí: "bossa nova" não é uma invenção da vanguarda londrina), coisas que poderiam dar um forte impulso ao rock nacional, em sua busca de identidade. Realmente, não é justo que só a tal "geração AI-5" tenha conhecido o primeiro LP dos Mutantes, lançado em 68 eis as pérolas.
Pelo ineditismo para a época e pelo seu distanciamento dos clichês roqueiros, este pode ser considerado o melhor disco do grupo (sem menosprezar os posteriores, Os Mutantes, de 69, e A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado, 70). Rita Lee, Arnaldo e Serginho Baptista faziam música, está na cara, pelo puro barato de criar, de se divertir. Assim como outras obras-primas da tropicália, este disco contou com o auxílio do George Martin (produtor dos Beatles) brasileiro, Rogério Duprat. Sintetizar orquestralmente as idéias lisérgicas que os Mutantes simplesmente jorravam não deve ter sido fácil, mas com certeza Duprat curtiu adoidado.
Vejam só: o disco abre com "Panis et Circensis", de Caetano e Gil. De repente a música se interrompe como se alguém tivesse tropeçado no fio do toca-discos; em seguida ela continua para acabar em meio a ruídos de sala de jantar, com talheres e conversas familiares. Tudo isso com orquestração digna de aberturas wagnerianas. Depois vem "Minha Menina" (Jorge Ben) e "O Relógio", de autoria do grupo, um dos grandes momentos deste lado, graças à estranheza do contraste entre a melodia leve e o non-sense da letra (o relógio parou/ desistiu para sempre de ser antimagnético, 22 rubis/ eu dei corda e pensei/ que o relógio iria viver/ pra dizer a hora de você chegar).
"Maria Fulô", de Leonel de Azevedo e José de Sá Roris, cai num clima de quilombo, com marimbas, Kalimbas e cuícas no maior samba. "Baby", de Caetano, é cantada (imaginem só) por Arnaldo. A última faixa do lado A é "Senhor F" (O senhor F/ vive a querer/ ser senhor X/ mas tem medo/ de nunca voltar/ a ser senhor F outra vez), mais uma pérola de autoria do grupo, com arranjo inspirado (assim como outros momentos desde LP) em coisas do Sargeant Peppers dos Beatles.
O lado B abre com "Bat Macumba" e segue com Rita cantando, à la Françoise Hardy, o clássico francês "Le Premier Bonheur du Jour". "Trem Fantasma", Mutantes em parceria com Caetano, destaca uma bela combinação de vozes com metais. "Tempo no Tempo", versão de uma música dos Mamas & the Pappas, tem um solo de carrilhão no final, e "Ave Gencis Khan" (sic) encerra o disco num pique de George Harrison, com fortes toques orientais.
É isso aí. De resto, só mesmo ouvindo. Os climas mudam, de faixa para faixa, da água para o vinho. Sem nenhum preconceito, os Mutantes fizeram uma viagem psicodélica pela música universal, bastante influenciados pelos Beatles e auxiliados pelas partituras mágicas de Rogério Duprat. É um disco de MPB, tratado com o espírito efervescente da época, o espírito de libertação das formas e padrões. Por isso é um disco que os roqueiros brasileiros devem conhecer.

1.Panis Et Circensis (3:40)
2.A Minha Menina (4:46)
3.O Relógio (3:33)
4.Adeus Maria Fulô (3:06)
5.Baby (3:02)
6.Senhor F (2:36)
7.Bat Macumba (3:12)
8.Le Premier Bonheur Du Jour (3:40)
9.Trem Fantasma (3:19)
10.Tempo No Tempo (1:49)
11.Ave Gengis Khan (3:48)

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Nuit Câline À La Villa Mon Rêve - Juillet 1977 (1977) [Belgium]



Esse é um daqueles grupos que simplesmente surgem, acontecem e, sem mais nem menos desaparecem após terem gravado seu único álbum. Uma pena, pois a pegar como exemplo esse trabalho aqui postado, o Nuit Câline À La Villa Mon Revê tinha muita lenha pra queimar e produzir mais alguns ótimos albuns.
Juillet 1977 é um disco perdido na história do progressivo belga. Disco muito bom, um progressivo com influências folk simplesmente maravilhoso e de sonoridade bastante requintada e de certa forma até mesmo um pouco delicada, mas acima de tudo, muito bela.

1.Podferdeck, quelle drache!" (6.06)
2.La chaleur de l'été (3.43)
3.Le coeur en morceaux (3.50)
4.Mardi, 14h30 (10.45)
5.La route (3.20)
6.Les Lundis d'Hortense (4.05)
7.La princesse est salariée (3.42)
8.Sauve qui peut, tout va bien dans nos bureaux (3.32)
9.Contravention (4.36)
10.Maison closes (4.50)

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Ananda Shankar - Ananda Shankar (1970) [India]


Ananda Shankar é sobrinho do Ravi Shankar e tornou-se pioneiro na arte de misturar tradições musiciais do Oriente e do Ocidente. Ele estudou cítara na Índia e depois migrou para Los Angeles, onde tornou-se conhecido por este disco auto-intitulado. As faixas mixam raga com psicodelia, cítara com sintetizadores moog, e o resultado é no mínimo curioso. Seu primeiro disco lançado em 1970, Ananda faz versões de clássicos como "Jumpin' Jack Flash", dos Stones, e "Light my Fire", dos Doors. Destaque ainda para "Metamorphosis" e "Sagar", esta última com 13 minutos de pura viagem, misturando cítara a guitarras folk.

1.Jumpin' Jack Flash (3:40)
2.Snow Flower (3:10)
3.Light My Fire (3:29)
4.Mamata (Affection) (2:50)
5.Metamorphosis (6:49)
6.Sagar (The Ocean) (13:13)
7.Dance Indra (3:49)
8.Raghupati (3:35)

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Gunesh Ensemble - Вижу Землю (Looking at the Earth) (1984) [Turkmenistan]



Sempre gostei de pesquisar sobre grupos de lugares pouco convencionais, com certeza em meio a descobertas através dessas “viagens”, uma das bandas mais interessantes que encontrei é o Gunesh Ensemble. Liderado pelo baterista Rishad Shafiev, o grupo apresenta de forma espetacular uma fusão de Jazz-Rock instrumental com elementos de música folk do oriente médio, com a utilização de instrumentos tradicionais daquela região. Lembra por momentos Passport, Embryo e S.B.B, mas sempre soando de forma bastante singular, enfim, um álbum único e imperdível de um grupo que poderia ter ido muito alem do que foi.

1.Baikonur (5:02)
2.Bu Derdy (7:44)
3.Oriental Express (3:32)
4.Rhythms Of The Caucasus (8:25)
5.Wind From The Gang (4:32)
6.Vietnamese Frescoes (4:20)

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Tarkus - A Gaze Between The Past And The Future (2002) [Brazil]



Este é um ótimo álbum, nota-se muito a influência dos gigantes do prog como Yes, Genesis e Jethro Tull. Os intrumentos são bem divididos não se exaltando muito, a não ser os solos de guitarra, mas nem por isso deixam de ser muito bons e bem trabalhados. Outro instrumento que é bem utilizado é a flauta que está sempre presente, apelando assim para os fãs de Tull.
O álbum começa muito bem, a primeira faixa "Exit From Calcutta", tem ótimas passagens e improvisações de guitarra. As mudanças de humor da música são bem encaixadas formando uma peça completa e sólida, realmente progressiva no seu espírito, muito bom mesmo. Mudando um pouco de estilo, o album segue com "You Want The Real Me" começando basicamente acústica (o violão me lembra muito de Pinball Wizard) só depois de muitos versos que a banda inteira entra, a música tem belos vocais, daqueles que você fica cantando depois. A terceira faixa é uma releitura de fragmentos da ópera rock Dies Irae da banda Devil Doll da Eslovênia, uma das grandes influências da banda. Segue então "Blue Light" que no estilo é parecida com a segunda faixa, começando acústica e com vocais, e com um exelente solo flauta no final. O álbum segue com "The Raft Of The Medusa" que honra muito bem o termo progressivo, mudança de tempos, solos de guitarra e longas passagens instrumentais. Por último, a faixa bônus, "Hold Me Now", que começa com uma guitarra mais afiada que as outras canções, depois retoma o clima de Progressivo Sinfônico, volta brevemente ao peso durante o solo e finaliza de forma melancólica e suave.
Um album muito bom e bastante recomendado.

1.Exit from Calcutta (10:43)
2.You Want The Real Me (6:32)
3.Fragments from Dies Irae (5:30)
4.Blue Light (5:42)
5.The Raft of Medusa (12:36)

Bonus Track:

6.Hold Me Now (6:32)

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Hands - Hands (1977) [USA]



Este é o 1º e surpreendente trabalho desta excelente banda americana, que chegou a registrar 3 discos. O que de cara chama a atenção no som da banda é a semelhança com o Gentle Giant, principalmente em riffs de algumas faixas, onde o instrumental apurado, porém com menor teor experimental, melodias extremamente bonitas, são notórios. Mas a medida que se escuta este disco é que se nota que se trata de uma obra muita mais profunda do que uma cópia do Gentle. Todos os instrumentos aparecem sob medida, na realidade todos os músicos são muito bons, e nenhum instrumento se sobressai a outro, mas vale destacar os timbres usados pelo tecladista, que soube colocar cada nota de forma magnífica, seja através do melotron, moog, piano, etc, o trabalho deste músico neste disco é digno de aplausos! O disco traz também algumas músicas extras cuja a gravação é horrível. Algumas faixas que merecem destaque:
Zombieroch, a banda já mostra competência já nos primeiros acordes, Com um riff inicial complexo(baixo, piano, bateria, guitarra) bonito nos moldes do Gentle, em que o violino se destaca e muito, além da perfeito complemento da flauta, e um arranjo primoroso. Excelente.
Prelude #2 é a 2ª faixa já é mais acústica em que violino flauta e piano se complementam de forma magnífica.
Triangle of new fligth - 3ª faixa, começa de uma forma bem tranquila, onde a flauta e violino além do teclado, executam uma melodia belíssima, o que culmina em um riff inesperado e muito bem bolado, várias e brilhantes mudanças no decorrer música são facilmente notadas. Muito boa.
Mutineer´s Panorama, mais lenta com a presença do melotron, sustentando os demais instrumentos, de uma forma geral, lembra Focus.
Worlds apart, a 1ª com vocal, começa com violino e piano, abrindo para um belo vocal apoiado pelos demais instrumentos, numa belíssima melodia, até uma mudança vertiginosa, e enrgética que culmina numa das passagens mais bonitas que já pude apreciar em toda vida, logo depois volta ao tema inicial. Uma das músicas mais bonitas que já escutei!
Dreamsearch, 6ª faixa, começa com um belo violão que logo é complementado por um bandolin, e logo após pala banda, também com competente vocal, e várias mudanças de andamentos podem ser notadas, excelente.
Mindgrid, 8ª faixa, Esta é a cara do mirthanmadir com o acréscimo do violino.
Um trabalho desconhecido, mas primoroso e que merece ser conhecido por qualquer um que goste de rock progressivo.

1.Zombieroch (4:19)
2.Prelude #2 (1:35)
3.Triangle of New Flight (6:50)
4.Mutineer's Panorama (3:12)
5.Worlds Apart (4:08)
6.Dreamsearch (9:49)
7.Left Behind (6:02)
8.Mindgrind (5:40)
9.Greansoap (2:27)
10.I Want One of Those (3:16)
11.Antarctica (10:32)
12.The Tiburon Treasure (2:25)

Bonus Tracks:

13.Hands in the Fire (7:16)
14.Castle Keep (3:36)

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terça-feira, 19 de abril de 2011

Marco Antonio Araújo - Lucas (1984) [Brazil]



"Lucas" é o último disco lançado até a sua morte prematura em 1986, devido a um aneurisma cerebral. O nível de maturidade musical que Marco Antonio Araújo atinge neste disco nos faz tentar imaginar para onde ele iria, talvez lançando discos de altíssimo nível até hoje.
O destaque, até pelo seu tamanho, é para a primeira faixa, a maravilhosa "Lembranças". A evolução dela é incrível. Muitos grupos, ao fazerem uma música maior, fazem apenas uma colagem de várias idéias praticamente desconexas, mas o que vemos aqui é o oposto disto.
O equilíbrio entre os instrumentos está ainda maior neste disco. Marco Antonio Araujo regendo a música com seu violão, criando lindas harmonias, piano bem mais presente que nos discos anteriores. Talvez seja o disco com o qual os apreciadores de progressivo mais se identificarão.
Sobre as faixas, "Caipira" é uma ótima música bem ao estilo do músico, com um excelente refrão na guitarra, "Para Jimmy Page" conta somente com Marco Antônio, "batendo" em seu violão bem a la Page. "Lucas", bela faixa de violão e sintetizadores. "Brincadeira" e "Cavaleiro" na verdade fazem parte da música "Fantasia No. 3", e "Cavaleiro" aqui tendo uma versão um pouco diferente, com vozes, ainda mais bonita.
"3rd Gymnopedie", que entra no disco como bônus assim como as três últimas, é na verdade uma versão da música do compositor Eric Satie.
Recomendadíssimo, é essencial na discoteca dos apreciadores de música instrumental em geral e progressivo

1.Lembranças (16:48)
2.Caipira (6:27)
3.Lucas (4:25)
4.Para Jimmy Page (5:17)
5.Brincadeira (3:47)
6.Cavaleiro (6:26)
7.3rd Gymnopedie (3:18)

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Premiata Forneria Marconi - L'Isola di Niente (1974) [Italy]



Um ótimo álbum de uma banda otima. PFM é mais uma grande banda progressiva italiana, e um dos seus melhores álbuns é este: l'Isola Di Niente.
Ele começa com um lindo coral, calmo e relaxante, que vai ficando tenso até entrar num som pesado, com uma guitarra forte, e todos os instrumentos muito entrosados, como todo o disco. Daí seguem belos arranjos vocais, muitas variações rítmicas e melódicas, vários solos. Lembra um pouco Genesis, Yes ou King Crimson, mas o som sempre apresentado de forma única. A faixa La Luna Nuova é fantástica, começa com contratempos, passa pelo barroco, e chega em um "jazz" de emocionar. Você não sabe se a guitarra esta solando improvisando ou criando uma melodia, com um tema penetrante. Depois segue com um rock (bem Mutantes). A quarta faixa é uma musica mais calma, belíssima, que lembra bem Clube da Esquina (Estilo que os influenciou como Mussida uma vez declarou). A última musica é experimental, com um baixo técnico e criativo, esta música fecha o album de uma maneira emocionante com sintetizadores e guitarras. Bom já que falei das 4 canções, não me custa falar da segunda desse disco (a única com letra em inglês, inspirada no livro Fausto de Goethe), pro lado jazz/rock, uma música que anima, e tem um refrão muito bonito. No final dela é feito um solo de acordeon alla Hermeto Pascoal.
O ponto fraco são os vocais, não havia um musico dedicado especificamente a isso, mas também não chega atrapalhar.
Um álbum altamente recomendado.

1.L'Isola di Niente (10:42)
2.Is My Face On Straight (6:38)
3.La Luna Nuova (6:21)
4.Dolcissima Maria (4:01)
5.Via Lumiere (7:21)

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Pig Farm On The Moon - Orbital (2003) [Venezuela]



Trata-se de uma magnífica banda venezuelana de Progressivo Sinfônico, mas que canta em inglês. Influências em Yes, Genesis e um pouco de ELP, alem claro, de o seu jeito peculiar e sublime de soar. Um som feito pra quem gosta de canções longas sobre uma cama de melodias e arranjos extremamente opulentos.

1.Awaken From Reality (16:04)
(Including The Trial, The Voice and The Reason To Live)
2.Genesis (Instrumental) (9:28)
3.I Lost My Wings (12:19)
4.The Queen Maibe (18:53)
I-Into The Globing's Woods
II-Meeting The Queen
III-The Journey Through The Shadow's Rift
IV-Facing Lot
V-What I Left Behind
5.The Return Of The Rain (11:42)

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Mahavishnu Orchestra - Apocalypse (1974) [U.K]



Apocalypse marca uma espécie de final de uma época para McLaughlin( tão logo o álbum foi lançado ele envolveu-se com músicos indianos num trabalho acústico, no estilo jazz-rock fusion) e também porque trata-se de uma Mahavishnu reformada, com músicos diferentes da formação clássica dos álbums anteriores. Todos os músicos que trabalharam com ele neste disco são virtuosos, destacando-se o violinista Jean-Luc-Ponty , o baterísta Michael Walden, que alíás toca tão bem ou até mais que o próprio Billy Cobhan, o tecladista Gayle Moran e o baixista Ralphie Armstrong. Musicos, relativamente desconhecidos, mas fantásticos, que conduzidos por Michael Tilson Thomas, maestro e regente da Orquestra Symphonica de Londres fazem deste trabalho uma obra prima belíssima e imprescindível.
Todas as cinco composições são melodicamente irrepreensíveis, cuja sensibilidade das notas emociona, assim como a produção de George Martin.
Os climas dos solos de guitarra, violino e teclados, entremeados por fragmentos eruditos da orquestra, são maravilhosos. Em Visions of The Beyond, nos é oferecido uma soprano e uma conclusão rockorquestra inesperada. Os primeiros acordes de Wings of Karma nos dá a impressão de estar diante de Stravinsky e Hymn to Him, é um épico dos épicos. Sempre me emociono quando escuto seu epitaph. Considero Apocalypse uma obra comparável as de Bethoveen, Bach e outros imortais, guardadas as devidas proporções, é óbvio!.
Repleto de fragmentos jazzísticos e progressivos, sua multiplicidade rítmica e melódica é impressionante o que o torna obrigatório em qualquer coleção do gênero, uma vez que se analisarmos seu espectro de influencias poderemos constatar que ela vai de Miles Davis, Hendrix, Parker, Connors, Farlow, Holland, Holdsworth e outros responsáveis pela educação musical da Mahavishnu. Sempre imaginei como foi compor e arranjar todo ele. McLaughlin tem uma concepção singular de execução de seu instrumento, original, com uma linha não simplista.
Ele é, em qualquer linguagem, um mestre, fato que de demonstra de modo insofismável em Apocalypse.

1.Power Of Love (4:13)
2.Vision Is A Naked Sword (14:18)
3.Smile Of The Beyond (8:00)
4.Wings Of Karma (6:06)
5.Hymn To Him (19:19)

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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Bauhaus - Stairway To Escher (1974) [Italy]



Bauhaus é um quinteto italiano de Jazz-Fusion, formado na década de setenta por ex-integrantes da banda"Buon Vecchio Charlie". Stairway To Escher (1974) reeditado em luxuosa edição em cd pelo selo Akarma em 2003, foi o único registro da banda gravado ao vivo. As influências vão desde Return To Forever, Eleventh House, Mahavishnu Orchestra até as bandas de Canterbury. Solos de sax, guitarra e piano elétrico dialogam em perfeita sintonia em temas enérgicos e bem construídos. Ainda em 1974, Bauhaus levaria o título de melhor banda estreante no segundo Festival Villa Pamphillii.

1.The Lonious Gropious (3:28)
2.Modulor (5:53)
3.Bijoux (9:46)
4.Section Aurea (4:34)
5.Stairway To Escher (5:23)
6.Ri-Fusion (8:46)
7.Tipi Di Topoi (9:04)

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Laghonia - EtCetera (1971) [Peru]



Poucos países na América do Sul tinham um cenário tão fértil quando o gênero abordado era a Música Psicodélia e o Space Rock quanto o Peru. Mas por mais que bandas de qualidade não faltasse naquele país, com certeza o ápice de criatividade em músicas dessa vertente veio através da ótima Laghonia. A banda nasceu em 1965, com os irmãos Cornejo (Saul na guitarra, Manuel na bateria) e Eddy Zaraus (Que fez o seu próprio baixo e que ele usou ao longo de toda sua carreira com o grupo. Laghonia faz uma música extremamente bem trabalhada, desenvolvidas com seções do órgão poderoso, peso na medida certa nas guitarras distorcidas, wah-wah, mudanças radicais de ritmos sobre arranjos muitas vezes complexos e muito mais. Sem dúvida um disco extremamente recomendável e um dos melhores a ser lançado no hemisfério sul.

1.Someday (3:15)
2.Mary Ann (5:09)
3.I'm a Nigger (3:39)
4.Everybody on Monday (4:45)
5.Lonely People (4:52)
6.Speed Fever (5:55)
7.Oh! Tell Me Julie (2:43)
8.It's Marvelous Cornejo (3:09)
9.World Full of Nuts (3:46)
10.We All (3:02)

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Led Zeppelin - Led Zeppelin III (1970) [U.K]



O ano de 1970 teve dois tricampeões: o Brasil e o Led Zeppelin. Enquanto Pelé, Jairzinho & cia. papavam nosso terceiro título no México, Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham terminavam seu disco de número III. Já estabelecido como maior banda de rock do planeta, o grupo não precisava provar nada pra ninguém. Mas Jimmy Page tinha uma dívida consigo mesmo.
A imagem da banda “pesada” o incomodava demais. Seus colegas também não dormiam bem com a idéia. "Era uma coisa de jornalismo burro, escroto mesmo", cuspiu Robert Plant, em uma entrevista em meados dos anos 90. "E sabe qual foi a melhor coisa que fizemos para nos livrar disso? Led Zeppelin III, um disco radicalmente diferente do que se esperava", concluiu Plant na mesma entrevista.
Jimmy Page resolveu descansar sua Les Paul 59, trocando-a por violões Harmony e Martin na maioria das faixas. Mas, muito além de simplesmente explorar o lado acústico da banda, o álbum revelou seus novos horizontes. "Friends" usava escalas orientais; "Gallows Pole" tinha suas raízes celtas, "Tangerine" tinha inspiração country...
A mudança só foi possível graças a uma paradinha estratégica. Depois de dois anos de intermináveis excursões e, e por consequência, rios de goró e toneladas de tietes, o Led deu uma limpada no carburador se isolando em um bucólico sítio no País de Gales, Bron-Y-Aur. Naquele ambiente árcade, os cabeludos contiveram seus impulsos barulhentos e entregaram-se aos nobres raptos do folk. "Na época, acharam que era suícidio comercial", lembrou Robert Plant.
Quanta estupidez! Difícil não se contagiar pela alegria de "Bron-Y-Aur Stomp" ou pela eletrizante slide de "Hats Off To (Roy) Harper". Impossível não acreditar no fascínio de obras-primas de canção como "Tangerine" e "That's The Way".
E não era só isso não. Os rocks da safra III, poucos e bons, são todos inesquecíveis. A começar pelo que abre o disco, "Immigrant Song", saga viking de pilhagens e estupros imaginada por Plant. "Celebration Day" tem Page infernal, acompanhando o banho de euforia dos vocais: "Ma-ma-ma, I'm so happy!" E, claro, "Out On The Tiles" (expressão que faz referência às noitadas ultra megaetílicas de John Bonham).
Nada disso, porém, se compara ao derramamento de sangue, suor e lágrimas promovido pelo bluesão (não-ortodoxo no que tange aos doze compassos) fundo-de-poço "Since Iove Been Loving You". Sete minutos de êxtase, gravados ao vivo no estúdio (John Paul Jones fez o baixo nos pedais do órgão). Para muitos, o momento mais emocionante do Led Zeppelin. Quando Robert Plant canta: "Can't you hear me? Can't you you hear me?", pareçe que o céu vai desabar. Ilusão pura. Nesta hora, o ouvinte é que está lá em cima, nas alturas.

1.Immigrant Song (2:25)
2.Friends (3:54)
3.Celebration Day (3:29)
4.Since I've Been Loving You (7:23)
5.Out On The Tiles (4:07)
6.Gallows Pole (4:56)
7.Tangerine (3:10)
8.That's The Way (5:37)
9.Bron-Y-Aur Stomp (4:16)
10.Hats Off To (Roy) Harper (3:42)

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Beto Guedes - A Página do Relâmpago Elétrico (1977) [Brazil]



Primeiro disco da carreira de Beto Guedes, essa estréia não poderia ter sido mais inspirada.
Contando com a colaboração de um belo time de músicos e com músicas de sua autoria e de amigos como Milton Nascimento, Flávio Venturini e até de seu pai Godofredo Guedes(autor da última faixa, Belo Horizonte), esse trabalho é um exemplo da fortíssima influência que a música progressiva exerceu na história de muitos talentosos músicos mineiros da década de 70. O Clube da esquina – nome que representa e simboliza essa geração de músicos vindos de Minas Gerais – foi um movimento que teve entre seus maiores ícones,músicos e letristas como Milton Nascimento, Lô Borges, Wagner Tiso, Beto Guedes, Fernando Brant ,Márcio Borges e mais uma dezena de gente talentosa e irrequieta.
Beto Guedes foi sem dúvida um dos maiores nomes vindo dessa turma e apesar de ter lançado outros excelentes discos como Amor de índio, Sol de Primavera e Contos da Lua Vaga, é em A Página do Relâmpago Elétrico que Beto mais flerta com o som progressivo que nessas alturas(1977) já tinha vivido seu auge no mundo.
Vários são os destaques desse disco, Lumiar tornou-se um clássico da carreira de Beto Guedes e ainda é executada em qualquer um de seus shows, a faixa-título, música de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, começa num ritmo lento ao acompanhamento preciso de um violão e um chocalho contínuo, depois segue com a bateria e percussão duelando até o fim, trata-se de uma das mais interessantes canções de toda a carreira do cantor.
Neste disco temos 3 faixas instrumentais(Chapéu de sol, Bandolim e Belo Horizonte), sendo que Chapéu de sol(Beto Guedes/Flávio Venturini) é uma das mais lindas faixas já feitas no progressivo brasileiro(aqui já admitindo que esse trabalho poderia ser incluído sob tal rótulo). Ao som de moog, flautas e da bateria quebrada e sempre precisa de Robertinho Silva, a canção é a mais bela faixa instrumental da carreira de Beto Guedes(nesse disco ainda temos a faixa Bandolim, outra pérola!) e a segunda da carreira de Flávio Venturini(a primeira é 1974 do disco Criaturas da Noite do Terço, escrita também por Venturini).
Poderíamos descrever faixa a faixa, afinal, todas são muito bonitas e muito bem tocadas, dignas de linhas e mais linhas de comentários positivos, porém, independente do rótulo indicado, independente se viu esse cd à venda em prateleiras de MPB, Progressivo, Música Regional, etc, esse trabalho é sem dúvida um dos pontos altos da música feita no Brasil dos anos 70.

1.A Página do Relâmpago Elétrico (05:21)
2.Maria Solidária (03:01)
3.Choveu (04:25)
4.Chapéu de Sol (04:26)
5.Tanto (03:52)
6.Lumiar (03:25)
7.Bandolim (4:25)
8.Nascente (03:40)
9.Salve Rainha (03:02)
10.Belo Horizonte (02:33)

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Henry Cow - Legend (1973) [U.K]



Em maio de 1968, dois estudantes da Universidade de Cambridge (e exímios músicos) decidem montar uma banda. Os dois rapazes, um chamado Fred Frith e outro Tim Hodgkinson, inicialmente pretendiam montar apenas uma banda ou de jazz ou de blues, principal influência dos dois, porém, ambos tinham um gosto e uma visão musical muito mais ampla e diversificada para aprisionar seu recente projeto num só estilo. Ambos também decidiram que não precisavam de mídia para bajular ou serem bajulados, o que eles queriam mesmo era mostrar seu trabalho com total liberdade, expondo suas visões musicais e políticas sem rotulações ou preconceitos. Mas apesar de avessos a se "venderem" ou a aprisionar seu som, ambos nunca tiveram nenhum problema em tocar com outros grupos ou artistas que tivessem uma relação comercial melhor ou de mais sucesso que eles (como o Soft Machine, Pink Floyd e Mike Oldfield), ou que tivessem uma visão musical ainda mais radical que o grupo (como os percussores do Krautrock, o grupo alemão Faust), e isso posteriormente seria de grande valia para o engrandecimento artístico e musical da banda, que seria muito bem utilizada por eles. Decidiu-se também que outros músicos de igual calibre fossem chamados para fazer parte desse projeto e que seguissem da mesma influência política-musical de seus fundadores. Em 1972, Chris Cutler, um exímio baterista inglês, o baixista John greaves e o instrumentista Lindsay Cooper entram para o time do Henry Cow, se não fechando a formação clássica do grupo, pelo menos servindo de base para a primeira (e maravilhosa) aventura da banda em estúdio. Gravado entre o final de 1972 e meados de 1973, Legend sem dúvida é o marco inicial do movimento que iria ser definido no final dos anos 70 como RIO, ou Rock In Oposition. Aqui, mesmo ainda sofrendo de uma influência da escola fusion Canterburiana e do Crimson de 1969, os elementos tão peculiares ao grupo (Quebra de tempos sonoros, misturas de vários estilos musicais, melodias extremamente complexas e às vezes até difíceis de acompanhar) já se encontravam (e muito) nesse trabalho. A primeira música, a clássica "Nirvana for Mice" nos parece mostrar que a banda percorreria um som mais convencional em seu inicio, mas já nos surpreendendo pelos efeitos sonoros e musicais que a mesma nos mostra no decorrer de sua duração. Ao decorrer do álbum, percebemos então que Frith, Hendkinson e seus asseclas querem mesmo é fugir de qualquer estilo sonoro definido, como podemos perceber nas três partes de "Teenbeat" e mais especificamente em "With The Yellow Half-Moon And Blue Stat", onde solos descompassados se unem a ritmos precisos e complexos ao mesmo tempo. O grupo no final do disco nos coloca o caráter político que o mesmo apresentava, de forma às vezes radical, em seu som e performance (em alguns shows da banda, a bandeira da antiga União Soviética era hasteada no palco) na sombria "Nine Funerals Of The Citizen King", nela a banda canta de uma forma melancólica, porém altamente sombria, sobre as mazelas do capitalismo e os efeitos danosos que o mesmo impunha para com a sociedade, sem duvida fechando com chave de ouro esse trabalho diferente e inovador. A capa do álbum também é feita para fugir de qualquer visão estética convencional, colocando na capa apenas a foto de uma meia, fugindo da grandiosidade visual de Roger Deans, Hipgnosis e Paul Whiteheads tão vigentes no período. Sem dúvida, um disco maravilhoso, mas também um precursor, onde a partir dele, uma nova forma de se fazer o som progressivo seria realizada.

1.Nirvana for Mice (Frith) (4:53)
2.Amygdala (Hodgkinson) (6:47)
3.Teenbeat Introduction (Cow)(4:32)
4.Teenbeat (Frith/Greaves)(6:57)
5.Nirvana Reprise (Frith) (1:11)
6.Extract from with the Yellow... (Frith) (2:26)
7.Teenbeat Reprise (Frith) (5:07)
8.Tenth Chaffinch (Cow) (6:06)
9.Nine Funerals of the Citizen King (Hodgkinson) (5:34)

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Funkadelic - Maggot Brain (1971) [USA]



Assim como James Brown, George Clinton é referência obrigatória e objeto de zilhões de samples, não só no meio do rap como na música pop em geral. Porém, muitos dos que balançam ao som de "What's My Name?" (releitura do rapper Snoop Doggy Dogg para "Atomic Dog", de Clinton) não conhecem a real extensão do trabalho do mestre do funk espacial.
A primeira investida musical de Clinton - até então um pacato cabeleireiro de Nova Jersey - na virada dos anos 50 para os 60 foi com os Parliaments. O grupo emplacou a singela canção de amor "(I Wanna) Testify" na parada de R&B americana. Animado, o artista mudou-se para Detroit e foi tentar a carreira como compositor da Motown.
Em Detroit, Clinton entrou em contato com a psicodelia e o som de garagem de bandas como MC5 e Stooges. Os donos dos cigarros Parliament não queriam ver o nome de seu produto associado a um grupo de doo wop e entraram na Justiça contra o cantor. Era o que faltava para Clinton mudar o nome da banda e seu estilo musical. Sob a alcunha de Funkadelic, o combo psicodélico do Or. Funk assinou com a Westbound em 1967. Quatro anos depois, lançaria sua obra-prima: Maggot Brain. O disco é um exemplo perfeito do caleidoscópio sonoro que é a obra do artista, clássico da black music, além de um dos melhores álbuns lançados na década de 70.
As gravações dessa maravilha rolaram em festas regadas a ácido - denunciado pelo clima "viajante" do disco. O ouvinte desavisado com certeza vai estranhar a primeira faixa, uma viagem guitarrística de mais de 10 minutos executada em um único take por Eddie Hazel (guitarrista do P-Funk, morto em 1994, e que era uma espécie de reencarnação de Jimi Hendrix). "Maggot Brain" é até hoje marca registrada dos shows da banda.
Encerrada a psicodelia melancólica da faixa-título, "Can Vou Get To That" entra para o deleite dos funkeiros. Manhosa e malaca ao extremo, a composição faz parte de qualquer top 10 do grupo.
Preste atenção em "Hit It And Quit It", em que também fica clara a influência de Hendrix não só no som da guitarra, mas sobre a sonoridade do Funkadelic como um todo. Já "Vou And Vour Folks, Me And My Folks" é um groove viajante que explora as raizes gospel e R&B, cuja batida é daquelas que fica o tempo todo na mesma levada sem encher o saco. "Super Stupid" é um caso à parte. Serviu de base para pelo menos umas cinco canções dos Red Hot Chili Peppers, antecipando em vinte anos aquilo que ficaria conhecido no começo dos anos 90 como funk-o-metal.
Comandada pelo baixo (que ainda não era tocado por Bootsy Collins, considerado o braço direito de Mr. George), "Back In Our Minds" é a penúltima faixa, a mais hippie do disco. Com tanta Iisergia rolando, o maluco Dr.Funk não resistiu à tentação de fechar o registro com outra de suas viagens conceituais. Ainda bem, pois os quase 10 minutos de "Wars Of Armageddon" não podem ser definidos com outro termo que não "funkadélicos". E, no fim das contas. essa é a virtude que torna Maggot Braín tão especial: o improvável equilíbrío entre rock psicodélico e funk music.

1.Maggot Brain (10:20)
2.Can You Get to That (2:50)
3.Hit it and Quit it (3:50)
4.You and your Folks, Me and my Folks (3:36)
5.Super Stupid (3:57)
6.Back in our Minds (2:58)
7.Wars of Armageddon (9:42)

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Jeff Buckley - Grace (1994) [USA]



O padastro foi bacana:nos dois anos que viveu com a mãe dele, deu carinho e discos do Led Zeppelin que mudaram sua vida. O olhar triste nas fotos pode não ter nada a ver com isso, mas o fato é que Jeff Buckley foi um menino sem pai. Ou melhor, que teve pai por apenas cinco dias. Ao decolar para a fama, Tim Buckley o deixou para trás, na barriga da mãe. Quando o menino estava com 8 anos, a mãe, separada, o procurou. Foi então que pai e filho passaram juntos um feriadão de Páscoa. Um par de meses mais tarde, Tim cheirou mais heroína do que seu organismo podia processar, e morreu, aos 28 anos. Deixou nove álbuns, a obra cantada com entusiasmo pela crítica: a voz de alcance admirável e surpreendentes fraseados jazzísticos, as canções lapidares entre o folk, o soul e a psicodelia, a poesia culta... Jeff morreu aos 30, num acidente triste, mas com tintas poéticas: afogou-se à noite no rio Wolf, em Memphis, pouco depois de cantarolar "Wholelotta Love". Foi em 29 de maio de ]997. Até então, havia lançado apenas um álbum cheio: Grace. As letras não chegam perto das que o pai escrevia, mas gritam aos ouvidos no disco três oitavas e meia de voz expostas sem exibicionismo, e canções de estrutura intrincada, com afinações de inusitado bom gosto à guitarra. À volta do efebo, uma banda impecável: Matt Johnson na bateria, e Mick Grondahl, no baixo. Arrebatamento total, emoção desmedida nas interpretações. Sobre o que canta o anjo caido? Estado de graça, claro, mais amor correspondido e adeus, falta de medo da morte ... Tudo em um tom que o crítico inglês Barney Hoskyns definiu como "êxtase insustentável", metafísica com orgasmo. Afinal, Buckley soa como page e Plant no mesmo corpo. Ah, sim, e três covers belíssimas que transcendem o rock, o pop e tudo mais: "Lilac Wine", dolorida canção famosa na voz de Nina Simone; a peça religiosa "Corpus Christi Carol", feita sob medida para corais impúberes, e a profana "Hallelujah", de Leonard Cohen, bem copiada da versão seminua que John Cale fez no disco-tributo I'm Your Fan, de 1991]. A despeito disso tudo, Grace não sacudiu o mundo quando foi lançado, em agosto de 1994. Ainda vigorava o luto pós-suicídio de Kurt Cobain, e no Reino Unido o britpop era apenas mais um entre tantos "trambiques" rock'n'roll. Até a morte de Jeff Buckley, o disco vendera menos de 300 mil cópias nos EUA. A revista Rolling Stone, em micareta histórica, tinha dado cotação três estrelas (entre cinco) e diagnosticado imaturidade em Jeff. Do outro lado do Atlântico, ouvidos melhores entenderam. Na França, houve um amor à primeira vista total: a revista Les Inrockuptibles cravou o rapaz como futuro do rock e foi entendida por seus leitores, que o elegeram artista do ano e Grace, melhor disco de ]994. McCartney, Lou Reed, Tom Verlaine, Bowie e Page babaram em público. Ao comentar o fato com o amigo e jornalista Bill Flanagan, Jefffez piada: "Estou com um bom fã-clube de cinqüentões". Os colegas do tempo de escola lembram dele como um baita palhaço. Sempre vai haver quem martele a tecla do trágico, mas o fim de sua vida é mais bem explicado por esse aspecto de temperamento. O maior conflito artístico de Jeff Buckley esteve ligado à administração da herança paterna, explícita não só na voz e no rostinho bonito, mas também numa série de influências e escolhas artísticas. O segundo grande conflito foi o mesmo de Cobain. Com potencial para se transformar em megastar, Jeff optou por shows pequenos e volume baixo; fez questão de manter improvisos erráticos e arestas por aparar em suas canções, Pode parecer tolo, mas esse ser ou não ser mainstream era questão central nos anos 90, E provavelmente continua sendo para quem, palhaçadas da vida real à parte, levava a obra loucamente a sério e com ambição estética do tamanho de sua paixão.

1.Mojo Pin (5:42)
2.Grace – 5:22
3.Last Goodbye (4:35)
4.Lilac Wine (4:32)
5.So Real (4:43)
6.Hallelujah (Leonard Cohen, arr. Jeff Buckley) (6:53)
7.Lover, You Should've Come Over (6:43)
8.Corpus Christi Carol (2:56)
9.Eternal Life (4:52)
10.Dream Brother (5:26)

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

The Monkees - Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd. (1967) [USA]



Com certeza um dos mais injustiçados grupos de toda a história da música pop foram do quarteto The Monkees.
Os termos que a imprensa USA hoje (hype, armação, etc.) foram usados por veículos musicais "sérios" para definir o grupo como uma cria do estúdio Columbia, que em 65 selecionou entre os mais de quinhentos candidatos, quatro rapazes para estrelarem uma série de TV, nos moldes dos filmes "A Hard Day's Night" e "Help!", dos Beatles. Para o cobiçado papel de conjunto de rock: Mickey Dolenz (bateria/voz), David Jones (guitarra/voz) , Peter Tork (baixo/voz) e Michael Nesmith(guitarra/voz).O seriado estreou em 66 e detonou uma verdadeira monkeemania, que se estendeu aos discos. Nos dois primeiros, "The Monkees" (66) e "More of The Monkees" (67) eles só cantavam, acompanhados por músicos de estúdio. As canções eram de " proveteiros" como Neil Diamond, David Gates, Tommy Boyce e Bobby Hart. Só que, impulsionados pela maluqíssima série de TV (produzida pelo não menos maluco Bob Rafelson), os álbuns grudavam feito pixe nas paradas, para ódio dos críticos cabeças que viam neles algo tão relevante quanto,digamos, o desenho "Os Impossíveis". A situação não agradava à banda que, junto ao sucesso que obtia, exigia liberdade para tocar e compor como gente grande. Largaram de seus produtores e lançaram "Headquarters" (67), decidindo sobre toda a elaboração do disco. Ganharam a admiração de Frank Zappa ("Pelo menos, são bem produzidos", disse o saudoso Mr.Z), Jack Nicholson (roteirista de Head, no Brasil, "Os Monkees Estão À Solta"), James Frawley e outros desqualificados sociais.
Foi aí que se viram com a liberdade de conceber a maior bizarrice que um grupo dito "descartável" jamais ousou lançar: o álbum "Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones, Ltd".
A maioria das faixas eram na tadição do acid rock, tipo Jefferson Airplane e Grateful Dead, recheadas com vinhetas esquisitas e instrumentação atípica. "She Hangs Out" tinha aqueles tecladinhos vagabundos com os quais os Charlatans sonham toda noite; "Cuddly Toy" era psicodelia light, tipo A Fábrica de Chocolate. "Words" era psicodelia de verdade, lembrando 13th Floor Elevators (!). As baladas estavam entre as melhores do grupo: "Hard to Believe" (parecia um Neil Diamond descontrolado) e "Don't Call On Me" (com clima de happy hour para casais freaks apaixonados. "Pleasant Valley Sunday", o grande hit, foi regravada por Wedding Present e Magnapop. "Daily Nightly" tinha rajadas de sintetizadores (aqui usados com pioneirismo histórico) e órgãos Hammond alucinados, construindo o fundo para a voz de Dolenz. "Star Collector" fechava o disco num clima fantasmagórico, tipo Scooby Doo.
Não há dúvida de esse foi o grande disco deles. A série de TV acabou em 68 e eles fizeram o filme Head (também dirigido por Rafelson), tão biruta e experimental que foi um grandioso fracasso. Tork saiu do grupo que, como trio, gravou mais dois álbuns, antes de notar que a mágica e a espontaneidade eram coisas do passado.
Em 86, Jones, Dolenz e Tork fizeram "Pool It!" e a turnê Happy Together de encomenda para velhinhas sauidosistas numa das mais constrangedoras jogadas da história. Nesmith preferiu preservar os Monkees na memória, certo de que estarão sempre vivos com sua fama nos anos 60, de famosos bubblegummers psicodélicos.

1.Salesman (2:37)
2.She Hangs Out (2:57)
3.The Door Into Summer (2:48)
4.Love Is Only Sleeping (2:30)
5.Cuddly Toy (2:38)
6.Words (2:51)
7.Hard To Believe (2:36)
8.What Am I Doing Hanging 'Round (3:08)
9.Peter Percival Patterson's Pet Pig Porky (0:27)
10.Pleasant Valley Sunday (3:14)
11.Daily Nightly (2:32)
12.Don't Call On Me (2:51)
13.Star Collector (4:27)

Bonus Tracks:

14.Special Announcement (0:35)
15.Goin' Down (4:46)
16.Salesman (2:36)
17.The Door Into Summer (2:52)
18.Love is Only Sleeping (2:32)
19.Daily Nightly (2:31)
20.Star Collector (4:52)

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Steely Dan - Can't Buy a Thrill (1972) [USA]



Eles detestam os palcos, as entrevistas e os fotógrafos. Amam jazz, literatura beat, perfeccionismo e sexo.
O nome foi afanado dos dildos de borracha que povoavam o livro The Naked Lunch (Almoço Nu aqui. no Brasil), de William Burroughs. E a idéia inicial era fazer um pop simples, que se tornaria sofisticado com o passar dos anos.
Dito e feito: quando em meados de 72 iniciaram as gravações de Can't Buy A Thrill, já possuíam um grau de sofisticação pouco comum aos grupos de caráter pop da época - como The Grass Roots e Three Dog Night, além de já terem tocado em várias bandas e composto para muita gente.
O Steely Dan chegou a ficar parado por treze anos, o grupo é uma verdadeira instituição musical. Os donos do império são Donald Fagen (teclados/vocais) e Walter Becker (guitarralbaixo/vocais ocasionais), dois caras excêntricos que recrutaram caros e respeitados músicos de estúdio para o grupo.
A arte da transfiguração comandada por Becker e Fagen contou com a ajuda preciosa das guitarras de Jeff Baxter (ex-The Fugs, ex-The Ultimate Spinach) e de Denny Dias (que mesclava Santana com bebop), mais a precisão rítmica da bateria de Jim Hodder (ex-The Bead Game) que emprestou seus vocais a uma das canções, "Midnite' Cruiser", um tributo ao jazzista Thelonious Monk.
Neste álbum apareciam alguns dos maiores hits do Steely Dan: canções como "Do It Again", "Reelin' In The Years" e "Dirty W ork" (onde os vocais principais ficaram com o tecladista David Palmer, pois Fagen morria de medo de ser um cantor). Quanto às letras deles, eram imagéticas e bizarras - Becker explicou, na época, que "elas evocavam sensações esquecidas". Que tal então despertar arrepios dos anos 70 ao reouvir Can't Buy A Thrill - e também todos os seus geniais sucessores que foram lançados pelo Steely Dan?
Um clássico.

1.Do It Again (5:56)
2.Dirty Work (3:08)
3.Kings (3:45)
4.Midnite Cruiser (4:08)
5.Only a Fool Would Say That (2:57)
6.Reelin' in the Years (4:37)
7.Fire in the Hole (3:28)
8.Brooklyn (Owes the Charmer Under Me) (4:21)
9.Change of the Guard (3:39)
10.Turn That Heartbeat Over Again (4:58)

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Pat Metheny Group - American Garage (1980) [USA]



American Garage é seguramente uma obra prima do jazzrock. Até porque a musica que dá título a este importante álbum do final da década de 70 é uma amostra perfeita desta fusão. Embora possa ser incluído no subgênero fusion, do progressivo, ele é um disco de Jazz rock, uma vez que sua estrutura de composição privilegia o jazz contemporâneo. Ele apresenta uma característica extremamente interessante e notória: Trata-se de um disco de estúdio mas que você tem a nítida sensação, ao ouvi-lo, que esta sendo executado ao vivo com um silencio sepulcral no estúdio, tamanha é a dinâmica imposta à mixagem. Com certeza eles o reproduziriam deste modo em alguma garagem americana. Embora a banda seja chamada de Pat Metheny Group, ela poderia ser chamada de Lyle Mays Group, uma vez que este maravilhoso tecladista, participa de todas as composições e faz a dupla perfeita com Pat. Este, é um guitarrista da escola de Wes, Baker, Scotfiled , Pass e outros que tocam com timbres limpos e de modo muito técnico e abençoado. Não imagine que estamos diante de um disco de jazz rock com aquelas musicas que se iniciam por um tema e há um improviso interminável e uma conclusão sobre o mesmo tema. Não, Americam Garage é lindo, melódico, surpreendente e em alguns poucos momentos chega a reverenciar o Wheather Report de Zawinul e Pastorius. Entendo que seja o grande disco de Metheny para o público. Conheço muitas pessoas não ligadas ao progressivo e ao jazz que literalmente se apaixonaram quando o escutaram. Você gosta dele já na primeira audição e me arrisco dizer que todos se apaixonam por ele assim que o conhecem. Epic é uma composição de quase 13 minutos que termina como um épico... lá em cima.. no topo que é o lugar aonde este trabalho deve ser colocado.

1.(Cross the) Heartland (4:54)
2.Airstream (6:55)
3.The Search (6:20)
4.American Garage (4:13)
5.The Epic (12:59)

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Le Orme - Contrappunti (1974) [Italy]



Um dos expoentes da geração setentista do progressivo sinfônico italiano, o Le Orme teve seu apogeu criativo entre 72 e 74 , quando lançou a trinca de albums que solidificaram sua fama :“Uomo di Pezza”, o monumental “Felona e Sorona”(tambem já postado aqui e este “Contrappunti” onde a banda contou com a participação no pianoforte do produtor e arranjador Reverberi .
Obviamente o tipo de formação teclados , baixo , bateria inspira analogias com o ELP. No entanto o grupo sempre manteve uma personalidade bastante singular , valorizando profundamente as melodias e optando muitas vezes por formatos mais compactos para suas composições ( em toda discografia clássica do grupo as maiores músicas não chegam aos 9 minutos ). Até nas baladas acústicas , onde mais uma vez se poderia tentar encontrar ecos das indefectíveis baladas de Lake , os chorosos vocais em italiano de Tagliapietra acabam por afugentar maiores aproximações.
Em Contrappunti, evidentemente, os teclados de Pagliuca (auxiliado pelo piano de Reverbieri) dão o tom. Óbvio: Como ocorre aliás nos discos anteriores, não temos a guitarra solista para dividir a execução da maioria dos solos e das melodias , logo os teclados podem deitar e rolar. Tagliapietra e principalmente Dei Rossi quando solicitados cumprem seu papel com extrema competência, mas os momentos chave do disco passam pelos mãos de Pagliuca . É claro que isto confere a ele maior responsabilidade. Se o disco for um desastre já sabemos quem é o principal culpado.
Mas não é necessário ter esse tipo e preocupação: A confecção dos arranjos , melodias e solos foi muito bem sucedida em Contrappunti. Mais sereno e calmo do que o explosivo Felona e Sorona, o álbum tem 4 destaques:
Contrappunti, piano e teclados interagem no primeiro minuto, depois o restante da banda entra a todo vapor, com momento virtuosístico de Pagliuca. Este, a partir dos 2min50s executa sozinho algumas sonoridades fúnebres, e no final retorna, com variações, a melodia inicial , desta vez com o apoio do baixo e da bateria.
Aliante, baixo e bateria executam base nervosa, contrapondo-se às intervenções solenes e “tranquilizadoras” do teclado.
Notturno praticamente sozinhos, teclados e piano transitam por melodias sombrias à passo moroso, sem arroubos virtuosísticos.
Maggio, grande perfomance de toda a banda na introdução. Depois os vocais chorosos de Tagliapietra (melhor momento dele no disco), secundado por sinuosa linha de baixo, são intercalados pelas intervenções dos teclados, executando a cativante e majestosa melodia principal e sua variação, até mais interessante (além de um solo bizarro).

1.Contrappunti (5:56)
2.Frutto acerbo (3:35)
3.Aliante (3:20)
4.India (3:13)
5.La fabbricante d'angeli (4:47)
6.Notturno (3:51)
7.Maggio (8:51)

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