quinta-feira, 31 de março de 2011

The Foundation - Departure (1985) [Sweden]



Essa banda sueca lançou esse seu único álbum na metade dos anos 80. Com uma influência bastante forte em Camel, faziam um som muito rico, orientado muitas vezes por teclado soando de forma bastante sinfônica e melosa. Mas um fator bastante curioso é que apesar de se tratar de uma banda 80’s, não usavam em nenhum momento seqüenciadores ou computadores. Outras influências que os mesmos alegam ter alem do Camel, fica por conta de Klaus Schulze, Mike Oldfield, Vangelis, Igor Stravinsky, Genesis e ELP entre outras várias. Interessante também é perceber quando se ouve o álbum que cada músico parece ter estilos e ideais bem diferentes um do outro, por exemplo, enquanto o baterista parece gostar de canções mais animadas, o tecladista preferia viagens mais longas e de certa forma introspectivas, o baixista era um fã de Rhythm'n Blues e por fim, o guitarrista/vocalista, bebia e muito na fonte de Steve Morse, mas no resultado final, tudo se encaixava. Enfim, Departure é um trabalho de progressivo bastante suave e melodioso desprovido da complexidade do gênero, mas por outro lado de uma boa originalidade e acima de tudo, beleza.
Álbum super recomendado.

1.Walking Down the Avenue (5:43)
2.Crossing Lines (12:20)
3.Migration Time (1:12)
4.D-Day Dawn (8:18)
a)Forces on the Way
b)The Last of All Battles
5.Final Thoughts, Departure (12:40)

Bônus:

6.Red Roses (and my very best wishes) (5:44)
7.Don't Wake Me Up (15:46)

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Jean-Luc Ponty - Imaginary Voyage (1976) [France]



Filho de músicos (o pai era professor de violino e a mãe, de piano), este violinista francês começou na área musical ainda quando pequeno, por incentivo de seus progenitores. Começou a tocar aos 11 anos, completando seus estudos no final de sua adolescência, no Conservatório Nacional de Paris. Apesar de sua sólida formação erudita, foi no post-bop e no fusion que Ponty encontrou seu verdadeiro caminho, tocando na mítica banda "The Mothers of Invention" de Frank Zappa, fazendo colaborações junto à seu conterrâneo e também influenciador Stephanie Grappelli e passando pela segunda formação da Mahavishnu Orchestra de John Mclaughlin.
Depois disso (e já morando há algum tempo nos EUA), partiu para carreira-solo e consolidou-se de vez como um dos expoentes no desenvolvimento e evolução do violino elétrico (a Zeta Violin desenvolveu, em certa época, um moderníssimo modelo de interface MIDI especialmente para ele), bem como na introdução deste instrumento na vanguarda do jazz-rock nos anos 70, além de inspirada exploração de texturas eletrônicas em sequencers e sintetizadores, que se intensificaram a partir do começo da década seguinte através de trabalhos como "Individual Choice", de 1983.
Gravado na Califórnia em 76, "Imaginary Voyage" é seu terceiro disco inteiramente de composições próprias, e juntamente com os ótimos "Enigmatic Ocean" (77) e "Cosmic Messenger" (78), compõe a sua fase áurea e mais progressiva. Como nos demais discos de Ponty, todas as peças desta "viagem imaginária" foram cuidadosamente compostas e arranjadas por ele, resultando, como de costume, num trabalho bem acabado e de grande bom gosto.
A primeira música do disco, como o próprio nome sugere, remete à um estilo country e tem como ponto alto um ótimo duelo de violino com violão acústico, este último a cargo do norte-americano Daryl Stuermer, que posteriormente chegou a acompanhar o grupo Genesis em turnês ao vivo, após a saída de Steve Hackett. Em "The Gardens of Babylon" há uma variação mais lenta e serena do principal trecho melódico da agitada "New Country". A pequena "Wandering on the Milky Way" é uma etérea introdução de violino, repleta de um lento delay (eco), efeito este muito usado por Ponty desde o disco "Upon Wings of Music". Em "Tarantula", ouve-se um nervoso improviso de Ponty, mostrando bem o seu potencial no violino elétrico enquanto Stuermer, em sua guitarra, usa e abusa do wah-wah, um efeito típico dos anos 70.
Mas o ponto alto mesmo se encontra na suíte (de praticamente 20 minutos) que dá nome ao disco, e que está dividida em 4 partes interligadas entre si: A primeira começa com um desenvolvimento melódico seguido de escalas mais dissonantes e quebras de compasso, que se repetem em 3 velocidades diferentes; a segunda parte se introduz com uma levada em estilo jazz-funk, apresentando um solo de violino e ótimo solo de teclado executado pelo "insano" Allan Zavod (que também tocou com Frank Zappa); a terceira parte, a mais melodiosa, abre espaço para os improvisos do violino (muito bonito), guitarra e teclado, respectivamente. A quarta e última parte nos apresenta longos e progressivos improvisos da guitarra crua de Stuermer e do límpido violino de Ponty, com um tema de caráter apreensivo entre os dois improvisos e no fim.
Há de se destacar também o criativo e seguro trabalho da cozinha, composta por Tom Fowler no baixo (também da escola de Zappa) e Mark Craney na bateria (que viria a gravar com o Jethro Tull o álbum "A", de 80).
Apesar de se tratar de jazz de uma forma geral, os trabalhos de Ponty costumam ter muito boa aceitação por parte do público menos acostumado e iniciante à este estilo. Por esse motivo, alguns críticos acabaram por lhe aplicar, em determinada época, o apelido de "popstar do jazz-rock", e discos como "Mystical Adventures" (82), "Individual Choice" (além do próprio "Imaginary Voyage"), viriam a se tornar trabalhos bastante populares mesmo fora do restrito círculo jazzístico. O músico, todavia, divide opiniões da ferrenha crítica especializada no gênero: há os que o consideram um gênio e admiram sua capacidade criativa, e há os que menosprezam seu trabalho por completo. Mas é certo que este álbum pode ser visto como de grande expressão dentro do inventivo universo fusion dos anos 70.

1.New Country (3:07)
2.The Gardens of Babylon (5:06)
3.Wandering on the Milky Way (1:50)
4.Once upon a Dream (4:08)
5.Tarantula (4:04)
6.Imaginary Voyage, Pt. 1 (2:22)
7.Imaginary Voyage, Pt. 2 (4:05)
8.Imaginary Voyage, Pt. 3 (5:28)
9.Imaginary Voyage, Pt. 4 (8:00)

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quarta-feira, 30 de março de 2011

Egberto Gismonti - Academia de Danças (1974) [Brazil]



Academia de Danças é o trabalho mais progressivo na extensa discografia de Egberto Gismonti. Maestro, multiinstrumentista e arranjador, Egberto nunca teve o reconhecimento do público e da imprensa especializada em nosso pais. Claro que inúmeros dos seus trabalhos, como este que ora comento, são demais complexos para ouvintes que esperam uma musica convencional, sem experimentalismo, como nas faixas "Conforme Altura do Sol e da Lua", cuja influencia de Hermeto Paschoal é evidente.
Academia de danças nos aproxima muito da Mahavishnu Orquestra, pois alguns dos seus segmentos parecem guardar intima relação com o trabalho de John Mclaughlin.
Os tons são menores e "Palácio de Pinturas" inicia-se com um melodia por demais mórbida e triste porém belíssima e deslumbrante, assim como todo o lado A do então vinil, denominado CORAÇÕES FUTURISTAS, onde predomina os arranjos para violão e orquestra, com argumento baseado no livro das 1001 Noites. Scheherazade é uma composição maravilhosa. O modo de execução do violão de sete cordas de Egberto é singular e lhe confere identidade notória. O que seria então o lado B, ACADEMIA DE DANÇAS, revela um Egberto pianista, virtuoso e com composições cuja linha melódica é rebuscada e dissonante, com letras de Geraldo Eduardo Carneiro, muito bonitas. O trabalho tem participações de Robertinho Silva na bateria que apoia como ninguém rítimos complexos cheios de variações. Danilo Caymmi contribui com a flauta e Luís Alves no baixo. Existem alguns coros e vocal feminino de Dulce, mas o próprio Egberto é responsável pelo vocal principal. A regência da orquestra é de Mário Tavares.
Academia de Danças é um dos mais complexos discos de progressivo já gravado no Brasil e deve ser necessariamente conhecido pelos pesquisadores deste gênero. Ele foi lançado em 1974, em pleno movimento progressivo nacional, entretanto, ele extrapola todas as influencias que naturalmente ocorriam nesta época, nos grupos de progressivo das terras brasileiras, sendo um exemplo de originalidade musical.

1.Palácio De Pinturas (4:37)
2.Jardim De Prazeres (4:52)
3.Celebração De Núpcias (4:22)
4.A Porta Encantada (2:36)
5.Scheherazade (1:58)
6.Bodas De Prata (4:50)
7.Quatro Cantos (4:34)
8.Vila Rica (2:00)
9.Continuidade Dos Parques (3:03)
10.Conforme a Altura Do Sol (2:46)
11.Conforme a Altura Da Lua (1:52)

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New Trolls - Concerto Grosso (1971) [Italy]



Este disco pode ser considerado o pioneiro dentro do progressivo italiano influenciado pela música clássica barroca. Idealizado pelo argentino Luis Bacalov - então com grande influência dentro da RCA italiana - para ser trilha sonora do filme La Vittima Designata, a orquestração deste disco é magnânima, com neoclassicismo que remonta a Vivaldi e Händel, sendo ainda injetada pela influência de Concerto for Group and Orchestra do Deep Purple e pela música do The Nice. A experiência anterior do New Trolls ao lado do The Trip em trilhas sonoras e a crescente popularidade da mesma valeram a honrosa indicação para realização desta obra.
Allegro é puramente instrumental e um tema que abre o concerto com grande pompa e energia. Adagio (Shadows) introduz lindos vocais cantados em inglês com letras inspiradas em Shakespeare, repetindo com muita emoção "To Die, To Sleep, Maybe to Dream". O terceiro movimento, Cadenza, Andante Con Moto, é inspirada na música de Händel, mais propriamente em Water musik Suite, vocais em coro e um belo cembalo ao fundo, traz um tema bem triste fugindo da trilogia "allegro, adagio, allegro" que caracterizava a música barroca da escola italiana.
Shadows (per Jimi Hendrix) retoma o tema da segunda faixa e encerra com um eletrizante solo de guitarra em que Nico de Palo que não deixa pedra sobre pedra.
Fechando o disco, Nella Sala Vuota, Improvvisazioni difere bastante das restantes e tem um forte influência de Jethro Tull, ainda com vocais que figurariam com êxito em discos como Queen II. Felizmente as faixas extras são boas e não chegam a prejudicar a impressão que se teria do concerto.
Apesar de parecer um projeto ambicioso, o resultado foi extremamente feliz e resultou em uma verdadeira obra-prima considerada um dos mais importantes álbums na história do progressivo italiano, influenciando bandas como Il Rovescio della Medaglia e Osanna. Este Concerto receberia uma sequência em 1976, com Concerto Grosso No. II. New Trolls teve várias mudança de formação, inclusive mudando de nome, mas este disco permaneceu como o magnum opus da mesma.

1.Tempo: Allegro (2:15)
2.Tempo: Adagio (4:50)
3.Tempo: Cadenza - Andante con moto (4:10)
4.Tempo: Shadows (5:30)
5.Nella sala vuota, improvvisazioni dei New Trolls registrate in diretta (20:32)

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Gerard - Sighs Of The Water (2002) [Japan]



Este é o décimo trabalho ( se excluirmos o mini cd, chamado Evidence of the true love e a edição de colecinador Meridian ) do veterano power trio japones chamado Gerard. Com efeito, o virtuosismo de Toshio Ogawa, chama muito a atenção compondo e produzindo um rock sinfonico elegante, elaborado e de excelente qualidade. Embora seu primeiro álbum seja de 1983, a banda somente se firmou mesmo em 1987, com o lançamento de Empty Lie, Empty Dream. O trabalho é praticamente instrumental e cantado em ingles, sendo que os vocalistas são "special guests"(Jean Nakaji e Mika Nakajama). O instrumental é baseado em teclados, baixo e bateria. Predominam o sinclaviers e timbres majestosos e pujantes. Algumas passagens lembram fragmentos da música do Par Lindth Project, Thonk e até do U.K. A impressão que temos, para aqueles que acompanham o trabalho desta banda, é que eles sempre evoluem(ou ao menos procuram isso) bastante, e estão sempre produzindo trabalhos que chamam atenção sobre tudo de amantes de teclados, no entanto, ainda aguardamos ansiosos por algum power trios, com esta formatação, que não nos fazem pensar em Emerson, Lake & Palmer. De qualquer forma, um album extremamente recomendável.

1.Sights Of The Water (8:08)
2.From The Deep (7:22)
3.Pain In The Bubble (5:53)
4.Keep A Memory Green (5:10)
5.Cry For The Moon (4:45)
6.Aqua Dream Part One: Aqua Dream (6:50)
7.Aqua Dream Part Two: Spring (8:23)

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terça-feira, 22 de março de 2011

Zakarrias - Zakarrias (1971) [U.K]



Não deixe se enganar pelo nome: Zakarrias não é um cantor, e sim um grupo que lançou seu único disco de difícil classificação, um belíssimo álbum enigimático que passeia entre o folk, o rock com pitadas psicodélicas, a soul music e até mesmo o hard rock. Lançado em 1971 pelo selo Deram (que lançou alguns dos primeiros trabalhos de David Bowie), “Zakarrias” foi o único trabalho da banda homônima, que sumiu do mapa logo depois.
Denso, lento e profundo, o álbum traz nove canções de tirar o fôlego – seja pela melodia atraente, pelos bons arranjos ou pela voz suave de seu cantor, o austríaco Bobby Haumer, que assumia as funções de vocalista, guitarrista e baixista do grupo, contando ainda com um competente grupo de apoio formado por Martin Harrison na bateria, Peter Robinson nos teclados, Geoff Leigh no sax e flauta e Don Gould nos arranjos de cordas e piano.
“Zakarrias” abre com a psicodélica “Country Out of Reach”, uma faixa pesada para a época que mostra uma boa melodia de baixo acompanhado de um bom trabalho vocal de Haumer. A faixa – ainda que mais leve – chega a lembrar os momentos iniciais do Black Sabbath. “Who Gave You Love”, na seqüência, é um sonzaço de primeira linha. Peso com muita qualidade, boas passagens acústicas que nos remetem a Crosby, Stills, Nash e Young.
Já “Never Reachin’” é uma belíssima passagem do disco, onde vocal, flautas e violões criam um momento sublime. Passagens do “Led Zeppelin III” também marcam presença, principalmente em faixas acústicas como a longa e ótima “The Unknown Years”. O lado B do disco mantém o nível elevado. “Sunny Side” traz um poderoso órgão Hammond e um baixo contundente que atacam a canção em meio a uma intrigante melodia.
“Spring of Fate” é uma emocionante balada com direito a violinos, momento em que o Zakarrias mostra o seu lado mais emotivo e melódico. Let Us Change nos remete a Bowie, Led Zeppelin em sua fase mais acústica e até Van Der Graaf em momentos solo. Novamente um intrigante e rico trabalho instrumental. “Cosmic Bride” encerra o disco com um poderoso trabalho instrumental que ainda hoje soa atual e interessante – e que deve agradar fãs de grupos sofisticados como Love e Moby Grape além de cantores como Van Morrison e David Bowie.
Lançado o disco, os integrantes da banda não conseguiram renovar seus vistos no Reino Unidos, e tiveram que deixar Londres e a carreira, voltando para a Áustria encerrando de forma precoce suas atividades musicais. Incrível constatar com um músico que lança um álbum tão rico em melodias e detalhes, diversificado e interessante fica pelo caminho sem que tenhamos qualquer outro registro fonográfico.
Depois de tantos anos de ostracismo, o álbum teve um importante relançamento pelo ótimo selo Tapestry Records, novamente em pouquíssimas cópias, um clássico mais do que recomendado.

1.Country Out Of Reach (4:03)
2.Who Gave You Love (3:58)
3.Never Reachin´ (4:55)
4.he Unknown Years (6:59)
5.Sunny Side (3:39)
6.Spring Of Fate (3:17)
7.Let Us Change (3:50)
8.Don´t Cry (4:11)
9.Cosmic Bridge (5:59)

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sexta-feira, 18 de março de 2011

Yes - Fragile (1971) [U.K]



Com a saida do tecladista Tony Kaye (muito criativo mas pouco habilidoso) abriu-se no Yes espaço para a entrada do lendário tecladista Rick Wakeman (muito criativo e muito habilidoso) que deixou as coisas muito mais interessantes. Com essa nova excelente formação (Jon Anderson, Chris Squire, Steve Howe, Bill Bruford e Rick Wamenan), o Yes lança no fim de 1971 o disco Fragile - Composto de 4 musicas da banda e 5 peças individuais de cada músico. O disco é excelente, a começar pela capa, que marcou o início das capas piscodélicas do Yes feitas por Roger Dean.
Roundabout, com certeza trata-se da música mais famosa do Yes dos anos 70. Começa com um acorde de piano de tras pra frente, uma harmonia muito interessante no violão e finalmente entra um riff matador de baixo. A bateria de Bruford (em todo o disco) é muito incomum. Minimalista, poucas batidas, muita tecnica, muita sensibilidade e tempos absurdos ele faz uma das percursões mais bonitas que eu já escutei. Os vocais de Jon Anderson são muito bons, apesar das letras serem totalmente ridículas e sem sentido. A voz funciona como mais um instrumento. A música tem ainda pequenos solos excelentes de Wakeman e Howe "duelando".
Cans And Brahms, faixa solo do mago Rick Wakeman em que foram usados vários teclados para reproduzir um pequeno trecho de música clássica do compositor Brahms.
We Have Heaven, música em que Jon Anderson cria harmonias consigo mesmo sobrepondo sua voz várias vezes com melodias interessantes.
South Side Of The Sky, mais uma música excelente da banda que por razões desconhecidas, nunca foi executada ao vivo. O riff principal (que dizem ser roubado de uma composição de Howe com uma banda de que fez parte anteriormente) é intimidante, intercalado por pequenas improvisações (sim, Howe afirmou que sempre tocava e até compunha improvisando!) que nunca se repetem. Ainda temos uma passagem
solo de Wakeman no piano que dá uma sensação espacial, cuja parte final é sobreposta por uma harmonia vocal belíssima feita por Anderson, Squire e Howe. A música parece que se encaminha pro fim com o som do piano ficando cada vez mais baixo, mas inesperadamente a música volta à distorcida frase principal antes de terminar, uma obra prima.
Five Percent For Nothing, uma das músicas mais estranhas já feitas. Bruford gravou a bateria e os outros integrantes da banda foram sobrepondo riffs que contrariam qualquer teoria musical, com tempos
de lógica muito obscura. A música parece estar toda quebrada quando surge um acorde de orgão para consertá-la e todos instrumentos parecem se ajeitar. Essa música de 35 segundos não é um groove... é um exercício de independência de cada um dos músicos. O título se refere aos 5% que pertencia ao empresário da banda.
5% do trabalho pra nada.
Long Distance Runaround, a musica mais pop do disco, se é que se pode dizer isso. Começa com piano e guitarra tocando exatamente a mesma melodia, que me lembra chorinho. Logo entram baixo e bateria tocando em tempos diferentes sobre essa melodia. A parte vocal é mais lenta com baixo e guitarra tocando praticamente a mesma coisa. E volta ao riff inicial. Isso se repete algumas vezes, com pequenas mudanças. É a música mais simples do album e termina emendado-se com a próxima.
The Fish (Schindleria Praematurus, composição solo de Squire em que baixos e mais baixos vão sendo adicionados e se sobrepondo aos poucos, acompanhados por bateria. Squire Usa baixo com vários efeitos diferentes, inclusive um wah-wah e uma distorção que fazem o baixo soar como uma guitarra. Sobre isso Anderson repete "Schindleria Praematurus" ecoando a melodia de um dos baixos. Gostaria de saber oque isso significa. É uma boa música, mas após ter escutado o disco muitas vezes se tornou um pouco repetitiva e irritante.
Mood For A Day, belíssima música de Steve Howe, mostrando que domina o violão como poucos. Com influências óbvias de música clássica e espanhola. Ótima, mas ainda prefiro The Clap do Yes Album.
Heart Of The Sunrise, e o melhor fica guardado para o fim. Essa música é um petardo. A frase inicial, pesadíssima, me lembra muito uma certa parte da música 21'st Century Schizoid Man (King Crimson - In The Court Of The Crimson King). Segue-se uma frase muito bonita e lenta do baixo que aos poucos vai sendo preenchida com um mellotron com som de violino e uma bateria que... Bom, essa bateria é um caso a parte. Bill Bruford consegue não apenas fazer a percursão da música, como também parte da melodia!! Sem nunca repetir nada!! Esse é um dos trechos mais bonitos de música que já pude deliciar. Ao fundo a guitarra surge tocando a frase incial que se encaixa perfeitamente nesse novo tempo!! Genial!! Após voltar à quebradeira inicial, a musica praticamente cessa para entrar os vocais. É notável a maneira como a música passa várias vezes de totalmente empolgante para calma e pacífica em questão de segundos. Um show de todos os músicos, especialmente de Wakeman no Moog, Hammond, Piano, Mellotron e sabe-se lá mais oque.
Tudo isso faz com que esse seja não apenas um dos trabalhos mais importantes do Yes, como um dos melhores albuns de progressivo de todos os tempos.

1.Roundabout (8:29)
2.Cans And Brahms (1:35)
3.We Have Heaven (1:30)
4.South Side Of The Sky (8:04)
5.Five Percent For Nothing (0:35)
6.Long Distance Runaround (3:33)
7.The Fish (Schindleria Praematurus) (2:35)
8.Mood For A Day (3:57)
9.Heart Of The Sunrise (10:34)

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quinta-feira, 17 de março de 2011

Orion's Beethoven - Superangel (1973) [Argentina]



Realmente na América do Sul os argentinos tem uma supremacia sobre os outros quando o assunto é Rock e a cada dia descobre-se mais bandas obscuras ou não vindas de nossos "Hermanos"quase sempre bandas maravilhosas.
Banda Argentina obscura ( Uma das mais obscuras da América Latina) o Orion's Beethoven começou sua carreira no final dos anos 60 mais precisamente em 1969 quando os irmãos Ronan Bar ( Baixo e teclados ) e Adrian Bar ( Guitarra e Vocal ) resolveram montar uma banda de Hard Rock psicodélico com o intuito de participar do lendário festival de musica beat na Argentina.Tocaram tambem no festival B.A.Rock II em novembro de 1971.Meses depois seriam convidados para a terceira edição do B.A.Rock que logo depois se transformaria no filme "Rock Hasta que Salga el Sol".
Após estes festivais e uma certa projeção nacional graças ao filme, entram em estudio e gravam seu primeiro album em 1973 chamado "Superangel", onde havia musicas tocadas no filme como "Nirmanakaya".
O album formado por 4 faixas excelentes, tem uma sonoridade bem densa,as vezes sinistra, psicodélica , com bastante peso e certos momentos de placides, mais o que prevalece mesmo é um Hard Rock Psicodélico de primeira qualidade.
A Sonoridade da banda está entre o nosso Modulo 1000 e o Hard Rock sujão do Blue Cheer. A musica de abertura "Superangel" é sem duvidas a melhor com 3 movimentos. O inicio lembra demais o Modulo 1000, com toda psicodelia e peso da banda brasileira. O restante da faixa em seus movimentos vai intercalando-se entre psicodelia e o Hard Rock tipico do Blue Cheer , esta faixa tem quase 18 minutos e é um verdadeiro deleite do inicio ao fim.
A segunda musica "Retrato de Alguien", já é bem mais blues, mais mesmo assim conserva todo o clima pesado do disco, com guitarras de timbre bem sinistro a todo instante. Musica maravilhosa apesar de pequena ( menos de 4 minutos).
A terceira musica é outra que se destaca. "Hijo del Relampago", tambem é excelente em seus quase 12 minutos, a faixa segue a linha da primeira com bastante guitarra suja e pesada a la Blue Cheer e o clima denso permeia por toda a musica, as vezes a guitarra soa mais blues e o clima psicodelico tambem aparece aqui. Esta faixa é um assombro e o guitarrista da um show a parte.
A ultima musica tambem é muito boa, uma versão Hard Rock para a peça classica "Sinfonia Nro 8 en Si Menor" do compositor austríaco Franz Schubert, o resultado é excelente fechando o disco de forma soberba.
O Lp é uma peça raríssima, de colecionadores, chegando a valer centenas de Dolares. Trata-se sem sombra de duvidas de um dos maiores discos da história do Rock Argentino, com uma combinação unica de Hard Rock bem pesado e denso com o psicodelismo . Editado agora em cd pela Universal, remasterizado e em capa de digipack é mais do que aconselhado , é simplesmente obrigatório. Se curtem Hard Rock com as caracteristicas citadas não deixem de conhecer ou pelo menos tenham a consciencia da existencia deste album de qualidade altíssima.

1-Superangel (17:40)
a)El Caminho de los Superhombres
b)Soy el Sol
c)Nirmanakaya
2-Retrato de Alguien (3:55)
3-Hijo del Relampago (11:35)
4-Sinfonia Nro 8 en Si Menor (6:20)

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Fukkeduk - Ornithozozy (1994) [Belgium)



Fukkeduk é outra grande banda belga da escola R.I.O./chamber-rock (cenário que tem como precursores os não menos que brilhantes Univers Zero e Present), certamente uma das mais notáveis, tendo à frente o violinista Rik Verstrepen, que em muito supera a sonoridade de sua banda original, o Cro-Magnon, que apesar de ainda em atividade, não conserva a relativa qualidade de seus primeiros discos.
Este Fukkeduk, pelo contrário, consegue em um único disco alcançar resultados mais do que satisfatórios dentro de um gênero tão complexo de difícil apreciação. A banda, assim como também o Cro-Magnon (que aqui uso como referência apenas devido ao fato de dividir com o Fukkeduk o violinista, como já dito anteriormente), junto com X-Legged Sally e Simpletones, outras muito prolíficas bandas, dão forma a uma muito criativa família de bandas similares em Gent, Bélgica.
Foi em 1994 que gravaram seu primeiro e único álbum, Ornithozozy, um grande disco que, curiosamente, teve como produtor e guitarrista Nick Didkovsky, integrante e um dos principais compositores da Doctor Nerve, de New York, que, certamente, usou de toda a sua experiência no estilo para ajudar a dar forma ao som encontrado do disco em questão.
O entrosamento entre a banda e o produtor, surtiu resultados mais do que satisfatórias, pois sua música é selvagem, levada à s últimas conseqüências, primando por uma execução irrepreensível, quiçá um híbrido entre o próprio Doctor Nerve e o também belga, e já citado, X-Legged Sally.
O que realmente distingue a banda de suas conterrâneas é a maneira enérgica, intensa e com uma irreverência a la Frank Zappa, com que executa suas curtas obras musicais, não fazendo uso, em momento algum, de sutilezas ou melodramas.
Nessa obra, o que as vezes pode parecer extravagente e louco, é conduzido com grandes doses de lúcido virtuosismo, com canções carregadas de influêncas folk moderadas, peso e densidade quase metálicos, com alguns misteriosos elementos de jazz, gravado como se parcialmente improvisado, como uma grande orquestra avant prog.
Mesmo quando mergulhada em um complexo virtuosismo de música de câmara, é possível de se sentir nitidamente toda a fúria de uma banda de Free-jazz-rock movida a violoncelos furiosos, violinos afiados, guitarras pesadas e sopros em geral, sem nunca perder um direcionamento e estilo avant bastante característico mesmo para uma banda que lançou um disco só. E é justamente neste ponto que se encontra o seu único defeito como banda: O fato de não nos ter brindado com outra pérola como esta.

1.Louis CXIV (4:36)
2.Wrong Country (3:18)
3.Cochonet (1:46)
4.Ortekè! (5:58)
5.Lulu de l'Odeur de Bibi (5:42)
6.L'homme qui rêvait de mettre la Lune dans sa Poche (4:29)
7.Si vous êtes Alfred Schlicks, then I have to be Julius Meinl (2:53)
8.Brauchen Sie noch ein bisschen Sand? (5:26)
9.Chico (5:02)
10.Fnuk (5:24)
11.Suck (6:10)
12.Treponema (3:30)

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Tangerine Dream - Alpha Centauri (1971) [Germany]



Como você pode por em palavras sua paixão incondicional por um disco? Árdua tarefa, somente pra corajosos. Precisa haver o cuidado, tens que deixar claro que esse disco é da melhor qualidade, mas sem expor isso por toda resenha. Deveria deixar essa tarefa pros mestres resenhistas, mas não! Eu preciso, ao menos, tentar. Tangerine Dream, Ah, Tangerine Dream. Todos sabem que essa é a maior banda de Space Rock, se não a melhor, foi a mais representativa. Seus trabalhos são sempre climáticos e calmos, dando a sensação de estar flutuando ao fundo de paisagens espaciais. Se o universo tivesse música, soaria como o Alpha Centauri! Na época, o genial Klaus Schulze havia deixado o Tangerine Dream pra formar o Ash Ra Tempel com Manuel Göttsching, onde participaria apenas do primeiro disco da banda (depois voltaria pra gravar o também excelente Join Inn) antes de seguir numa genial carreira solo. Foi então que a brilhante e insana mente de Edgar Froese assumiu a banda de vez. Para o lugar de Schulze, foi chamado o jovem Chris Franke. Nesse vai e vem, a banda gravaria o que é, pra mim, seu melhor álbum.
A viagem começa com "Sunrise In The Third System". Ouvindo essa música junto com o Electronic Meditation observa-se o quanto a banda mudou de um trabalho pro outro. Não tem mais aquela agressividade encontrada no primeirão... O que se ouve aqui são efeitos eletrônicos ecoando, até a entrada do órgão (Nota: Sem duplo sentido aqui, por favor!), levando a calmaria ao limite da sanidade. Mais toques eletrônicos, agora fazendo um som bizarro, contraposto pelas simples "pontuadas" de flauta. A música ganha ares drásticos quando vai se aproximando do final, dando a impressão que a música não caberá nos seus quatro minutos de duração. Incrível como conseguiram resumir em uma faixa de curta duração toda a viagem espacial que a maioria das bandas nunca chegou perto.
"Fly And Collision Of Comas Sola" segue o disco, sendo ainda mais viajada que a primeira! Instrumentos eletrônicos dominam altamente relaxantes, até a nova entrada do órgão (Nota: Sem duplo sentido aqui também, por favor!), que soa tão bem quanto soou na primeira, mas de uma forma diferente... Diferentemente da primeira, aqui a flauta está em primeiro plano, o que dá um clima mais calmo. Ao final, a música cresce numa intensa jam, onde se ouve pela única vez no disco a bateria de Franke. Sensacional!
A longa "Alpha Centauri" é o ápice do som espacial (pensando bem, o disco inteiro é!). Sons de um tipo de vento, muita flauta e estranhos instrumentos eletrônicos. A música se intensifica, mas logo volta ao quase silêncio. Que segue até a única parte com voz do disco. Uma fala em alemão ("Der Geist Der Liebe Erfuellt den Kosmos, und der das All zusammenhaelt kennt jeden Laut. Der Geist steht auf, und seine Feine zerstieben. Und die Ihn hassen, fliehen vor seinem Angesicht. Sende aus Deinen Geist, und Leben entsteht, und also... Komm, Geist, und erfuelle die herzen Deiner Menschen, Und entzuende in jedem das Feuer Deines ewigen Lebens!", traduzindo seria algo como: ""O espírito do amor completa o cosmo. E ele que mantem o universo junto, sabe todos os sons. O espírito se mostra, e seus inimigos se desintegram. E aqueles que o odeio saem de sua vista. Libere seu espírito, e a vida começará a se formar. E assim... Venha, espírito, e encha o coração das pessoas, e ligue em todos o fogo de sua vida eterna") dá o clima mais assustador que já ouvi... Distorcida e colocada sobre um teclado sinistro. Não consigo descrever o que essa fala me provoca, mas não é pouca coisa. E, dessa maneira, o disco se encerra.
O Tangerine Dream conseguiu com esse disco recriar o gênero Space Rock. A banda seguiu lançando excelentes álbuns e fazendo por merecer o título de "A" banda de rock espacial. Edgar Froese ainda teria tempo pra se lançar numa excelente carreira solo, que inclui o que pra muito é o melhor disco eletrônico de todos os tempos, “Epsilon In Malaysian Pale”. Mas esse é para um outro momento. Nem todos conseguiram "captar" esse álbum, mas todos deveriam dar uma checada.

1.Sunrise In The Third System (4:20)
2.Fly And Collision Of Comas Sola (13:03)
3.Alpha Centauri (22:00)

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Daimonji - Improg (2003) [Japan]



Bastante complexo com um estilo claramente Zeuhl podemos ouvir também RIO, Jazz e avant-prog. Contem quatro faixas num total de 77 minutos. Esse é um excelente registro album do grupo, que por sinal, não poderia ter um nome melhor. Trata-se de album ao vivo embora praticamente não se note, com ambientes extremamente variados aqui pode ouvir-se de tudo desde sons que fazem lembrar musicas árabes a ritmos progressivos extremamente bem constituídos passando por complexos diálogos. Absolutamente recomendado para fãs de Magma, Ruins e de música no seu geral tocada de forma extremamente virtuosa, totalmente improvisada e criativa, como uuma boa banda de Zehul tem que soar.

1.Glimpse (14:29)
2.Mongo lian Bandits (22:03)
3.Night Dust (Monosyllabic Sex) (19:12)
4.Ombre Moned (21:25)

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Skip Bifferty - Skip Bifferty (1968) [U.K]



Uma excelente banda da cena psicodélica britânica, ouvindo a primeira faixa do trabalho já pode se ter uma dimensão do que se encontrará durante todo o album, piano com otimas harmonias, efeitos sonoros super bem colocados, guitarras fuzzy, enfim, um excelente trabalho em conjunto entre os seus integrantes.
Um destaque(entre tantos) é a faixa Guru, se houvesse uma eleição de melhor faixa de psicodelia do ano de 1968, me baseando no meu conhecimento das faixas daquele ano, certamente meu voto seria pra ela.
Album extremamente recomendado.

1.Money Man (2:52)
2.Jeremy Carabine (2:23)
3.When She Comes To Stay (2:00)
4.Guru (2:43)
5.Come Around (2:46)
6.Time Track (3:27)
7.Gas Board Under Dog (2:17)
8.Inside The Secret (3:01)
9.Orange Lace (2:31)
10.Planting Bad Seeds (2:02)
11.Yours For At Least 24 (4:04)
12.Follow The Path Of The Stars (2:29)
13.Prince Germany The First (2:09)
14.Clearway 51 (2:16)

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quinta-feira, 10 de março de 2011

Earthless - Rhythms From a Cosmic Sky (2007) [USA]



Esses americanos fazem um som extremamente viajante e de excelente qualidade passando por um Space/Stoner Rock, onde fica impossível não enfatizar o trabalho de guitarra do grupo, simplesmente fantástico, de bandas do estilo é uma das melhores da atual cena. Em Rhythms From a Cosmic Sky convergem toda a exuberância lisérgica do Krautrock e o peso Stoner de formações como Black Sabbath e Blue Cheer, num álbum realmente indispensável para todos os amantes do que há de mais alucinado na música psicodélica contemporânea.
Álbum extremamente recomendado.

1.Godspeed (20:55)
2.Sonic Prayer (21:12)
3.Cherry Red (4:36)

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Brian Eno & Robert Fripp - Evening Star (1975) [U.K]



Neste segundo projeto (ou em outra palavras, experimentações profundas em novas sonoridades) do mentor do King Crimson e do tecladista do Roxy Music, pode-se dizer que a coisa caminhou para uma unidade menos áspera, mais variado, e também mais perto da idéia já pré-concebida de Eno sobre a música ambiente, do que havia sido feito na primeira vez no disco da dupla, o "No Pussyfooting" de 1973, fazendo deste disco algo mais expressivo. É certo que o resultado desse disco agradou ambos e com isso seria irresistível para os dois que a coisa toda se repetisse, até por que sempre havia detalhes técnicos que ambos iam desenvolvendo e que nem sempre se enquadrariam dentro da proposta sonora de seus grupos correspondentes. Em se tratando de discos com gravações de temas encima de timbres pesquisados em estúdio, vale destacar que ambos não foram pioneiros, nessa matéria. No primeiro disco solo do então Beatle, George Harrison "Wonderwall Music" de 1968, já havia colagens de experimentos porém como pequena vinhetas. Claro que guardadas as devidas proporções há milhares de diferenças nesses trabalhos, mas há ambos em comum o fato de que exigem uma atenção e um embasamento por vezes até conceitual do ouvinte para se entreter com os temas. No caso de Eno/Fripp o patamar foi muito mais elevado e hoje a obra em conjunto se tornou "cult", e já foi vendido nos EUA no formato CD duplo, o que prova que os dois discos fazem mesmo parte de uma só história.
O método usado para as composições dos temas (todos compostos por Eno) compreendia em fazer com que o sistema de gravação fosse deteriorando quase que incansavelmente os rolos de fitas em "looping", ou seja, a tática chamada Frippertronics só que mais refinado, como se nota em "Wind em Water" que desvanece sobre uma cama já complexa de sintetizadores mergulhados com todo o excesso de guitarra que Fripp cuidadosamente jogou, com seus solos longos e sinuosos porém num plano discreto. O disco no geral é meditativo e calmo com escalas delicadas balançando em timbre pesquisados dentro da concepção linear de Fripp. Os sustentos que nivelam o disco são puramente sons de fundo que se escutam enquanto vai se chegando em uma série das distorções de guitarra em meios a efeitos de estúdio, Frippertronics as vezes é pura dissonância. Como uma culminação de experiências de Fripp e de Eno, pode-se dizer que "Evening Star" mostram o qual mais longe a parceria chegou.
O disco abre com "Wind On Water" que é uma relaxante viagem ao universo da sonoridade inventiva da dupla. Pode-se ouvir a guitarra de Fripp servindo de apoio para seqüência de loops de Eno. É uma espécie de boa vinda para um excitante caminho que vai se seguindo. Pode-se dizer que seria o "embrião" do disco solo de Eno, o "Discreet Music" de 1975. Ela é logo emendada na faixa titulo "Evening Star", que é um dos melhores mantras instrumentais composto pelo duo. A distorção da guitarra explode como fogos de artifícios num céu espalhado de uma seqüência simples de três em três notas de teclados que nos levam para uma outra dimensão. É incrível como um tema gravado a tanto tempo se mantém tão atual. É um dos melhores momentos disparado da empreitada de ambos.
Em "Evensong" o clima muda mas a idéia é a mesma, porém não tão intensa. São quase três minutos de "conversas timbrísticas" entre os dois que giram como uma manivela. Já em "Wind On Wind" os experimentos ficam quase confundidos com a monotonia da "New-Age" exploradas por outros tecladistas como o mago japonês Kitaro. Mas são justificáveis para servir de repouso para se atentar aos quase 29 minutos da faixa "An Index Of Metals", uma suíte com elementos mais dissonantes que vai crescendo a cada 5 minutos, mas que por sua tensão faz dela uma música de ambiente com surpresas modestas mais por parte de Fripp que as vezes usa a Fripptronics para criar efeitos surreais e por que não, espaciais.
O disco "Evening Star" é disco recomendável para quem quer entender o quanto a sonoridade eletrônica foi difundida ao longo dos anos, porém não é uma audição para muitos. Nem mesmo para fãs do King Crimson ou Roxy Music. Se você esta acostumado com o "Red" pode se entediar bastante, mas se quiser liberar sua mente para outras dimensões ouvindo atentamente as passagens timbrísticas e não pensar em mais nada, esse é o disco certo.

1.Wind On Water (5:33)
2.Evening Star (7:50)
3.Evensong (2:54)
4.Wind On Wind (3:11)
5.An Index Of Metals (28:45)

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King Crimson - Islands (1971) [U.K]



Islands, possivelmente o mais melancólico e "melodicamente depressivo" trabalho do King Crimson, talvez seja o disco deles que mais tenha influencia dos Beatles. Certamente um dos discos que mais me transmite um sentimento de tristeza e depressão, as linhas de composição de Fripp já estavam absolutamente cristalizadas e sedimentadas. Lançado em 3 de Dezembro de 1971 foi composto integralmente por Fripp, que na época já tornava público que mais este trabalho de estúdio tinha uma importância secundária e que a real satisfação do músico eram as apresentações ao vivo. Neste disco niguem mais questionava que o King Crimson era Fripp. Este trabalho conta com a paritipação de Sinfield e o VCR3 Synthetizer. O sax de Collins dá um toque especial a ele e divide os solos com Fripp. Há vinhetas muito interessantes nele como o prelúdio Songs for the gulls. As musicas Islands e The sailor's Tale são uma viagem lisérgica pela "Fripperland" e o Frippertronics.lá existentes. Claro que este trabalho faz parte da discoteca básica do progressivo. Afinal é um autentico disco do King Crimson dos anos 70.

1.Formentera Lady (10:14)
2.Sailor's Tale (7:21)
3.The Letters (4:26)
4.Ladies Of The Road (5:28)
5.Prelude: Song Of The Gulls (4:14)
6.Islands (11:51)

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Tal Wilkenfeld -Transformation (2007) [Australia]




Nascida na Austrália, Tal Wilkenfeld vem se destacando no cenário dos graves nos Estados Unidos por estar em uma espécie de ascensão meteórica. Tocando baixo há apenas seis anos – antes a moça tocava guitarra -, Tal já fez (e ainda faz) parte da banda de grandes nomes da música internacional, como Chick Corea (com quem já tocaram ninguém menos que John Patitucci e Jaco Pastorius), Jeff Beck e Vinnie Colaiuta. Além do currículo invejável, Wilkenfeld já começa a ser vista com outros olhos por causa de sua participação no Bass Day, uma feira de workshops que acontece uma vez por ano nos States, ao lado de Marcus Miller, Stanley Clarke e Victor Wooten.
Dadas as devidas credenciais, vamos à musica, que é o que interessa. Transformation, gravado em 2006 e lançado em 2007, traz sete intrincadas faixas de um jazz-fusion que consegue soar moderno sem descaracterizar o som vintage do estilo. Além de gravar as linhas de baixo, Tal compôs todas as músicas e produziu o álbum.
Acompanhada por Wayne Krantz (guitarra), Keith Carlock (bateria), Geoffrey Keezer (piano) e Seamus Blake (saxofone), Tal Wilkenfeld demonstra uma técnica apuradíssima, mas que em momento algum descamba para o virtuosismo estéril. Faixas como “BC” e “Cosmic Joke” são exemplos perfeitos disso. Não fosse suficiente a habilidade em tocar linhas complexas, Wilkenfeld demonstra ter muito feeling, como em “The River of Life” (a melhor do disco) e “Table for One”.
Os timbres utilizados pela baixista são perfeitos para o tipo de som que ela e sua banda tocam – algo entre o grave “aveludado” de Jaco Pastorius e a agradável combinação de médios e agudos de Victor Wooten. Os outros instrumentos também foram muito bem regulados, de forma que a música é valorizada como um todo, e não apenas as linhas e solos de baixo.
É uma grande satisfação poder ver que ainda existe gente empenhada em tocar e difundir o fusion pelo mundo afora, tanto tempo depois do sucesso de Weather Report e Uzeb. Se você gosta de música instrumental de qualidade, tocada por gente que entende do assunto, pode conferir sem medo: Transformation é uma aula de bom gosto, tanto em termos técnicos quanto musicais.

1.BC
2.Cosmic Joke
3.Truth Be Told
4.Serendipity
5.The River of Life
6.Oatmeal Bandage
7.Table For One

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