sexta-feira, 15 de abril de 2011

Led Zeppelin - Led Zeppelin III (1970) [U.K]



O ano de 1970 teve dois tricampeões: o Brasil e o Led Zeppelin. Enquanto Pelé, Jairzinho & cia. papavam nosso terceiro título no México, Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham terminavam seu disco de número III. Já estabelecido como maior banda de rock do planeta, o grupo não precisava provar nada pra ninguém. Mas Jimmy Page tinha uma dívida consigo mesmo.
A imagem da banda “pesada” o incomodava demais. Seus colegas também não dormiam bem com a idéia. "Era uma coisa de jornalismo burro, escroto mesmo", cuspiu Robert Plant, em uma entrevista em meados dos anos 90. "E sabe qual foi a melhor coisa que fizemos para nos livrar disso? Led Zeppelin III, um disco radicalmente diferente do que se esperava", concluiu Plant na mesma entrevista.
Jimmy Page resolveu descansar sua Les Paul 59, trocando-a por violões Harmony e Martin na maioria das faixas. Mas, muito além de simplesmente explorar o lado acústico da banda, o álbum revelou seus novos horizontes. "Friends" usava escalas orientais; "Gallows Pole" tinha suas raízes celtas, "Tangerine" tinha inspiração country...
A mudança só foi possível graças a uma paradinha estratégica. Depois de dois anos de intermináveis excursões e, e por consequência, rios de goró e toneladas de tietes, o Led deu uma limpada no carburador se isolando em um bucólico sítio no País de Gales, Bron-Y-Aur. Naquele ambiente árcade, os cabeludos contiveram seus impulsos barulhentos e entregaram-se aos nobres raptos do folk. "Na época, acharam que era suícidio comercial", lembrou Robert Plant.
Quanta estupidez! Difícil não se contagiar pela alegria de "Bron-Y-Aur Stomp" ou pela eletrizante slide de "Hats Off To (Roy) Harper". Impossível não acreditar no fascínio de obras-primas de canção como "Tangerine" e "That's The Way".
E não era só isso não. Os rocks da safra III, poucos e bons, são todos inesquecíveis. A começar pelo que abre o disco, "Immigrant Song", saga viking de pilhagens e estupros imaginada por Plant. "Celebration Day" tem Page infernal, acompanhando o banho de euforia dos vocais: "Ma-ma-ma, I'm so happy!" E, claro, "Out On The Tiles" (expressão que faz referência às noitadas ultra megaetílicas de John Bonham).
Nada disso, porém, se compara ao derramamento de sangue, suor e lágrimas promovido pelo bluesão (não-ortodoxo no que tange aos doze compassos) fundo-de-poço "Since Iove Been Loving You". Sete minutos de êxtase, gravados ao vivo no estúdio (John Paul Jones fez o baixo nos pedais do órgão). Para muitos, o momento mais emocionante do Led Zeppelin. Quando Robert Plant canta: "Can't you hear me? Can't you you hear me?", pareçe que o céu vai desabar. Ilusão pura. Nesta hora, o ouvinte é que está lá em cima, nas alturas.

1.Immigrant Song (2:25)
2.Friends (3:54)
3.Celebration Day (3:29)
4.Since I've Been Loving You (7:23)
5.Out On The Tiles (4:07)
6.Gallows Pole (4:56)
7.Tangerine (3:10)
8.That's The Way (5:37)
9.Bron-Y-Aur Stomp (4:16)
10.Hats Off To (Roy) Harper (3:42)

Download: http://www.megaupload.com/?d=E64XIBZW

Um comentário:

  1. Olá Ve Tor

    Não vou poder adiccionar o vosso blog no Museo pela simples razão de que os administradores há muito que abandonaram o blog, sem nada dizerem. Eu sou apenas um coloborador sem poderes para fazer qualquer alteração no blog.

    Qualquer disco que queiram ver postado ou sugestões que tenham para fazer podem conunica-la para o meu mail que eu, na medida do possível tentarei concretizar.

    Um abraço

    Até breve

    ResponderExcluir

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