quinta-feira, 10 de março de 2011

Brian Eno & Robert Fripp - Evening Star (1975) [U.K]



Neste segundo projeto (ou em outra palavras, experimentações profundas em novas sonoridades) do mentor do King Crimson e do tecladista do Roxy Music, pode-se dizer que a coisa caminhou para uma unidade menos áspera, mais variado, e também mais perto da idéia já pré-concebida de Eno sobre a música ambiente, do que havia sido feito na primeira vez no disco da dupla, o "No Pussyfooting" de 1973, fazendo deste disco algo mais expressivo. É certo que o resultado desse disco agradou ambos e com isso seria irresistível para os dois que a coisa toda se repetisse, até por que sempre havia detalhes técnicos que ambos iam desenvolvendo e que nem sempre se enquadrariam dentro da proposta sonora de seus grupos correspondentes. Em se tratando de discos com gravações de temas encima de timbres pesquisados em estúdio, vale destacar que ambos não foram pioneiros, nessa matéria. No primeiro disco solo do então Beatle, George Harrison "Wonderwall Music" de 1968, já havia colagens de experimentos porém como pequena vinhetas. Claro que guardadas as devidas proporções há milhares de diferenças nesses trabalhos, mas há ambos em comum o fato de que exigem uma atenção e um embasamento por vezes até conceitual do ouvinte para se entreter com os temas. No caso de Eno/Fripp o patamar foi muito mais elevado e hoje a obra em conjunto se tornou "cult", e já foi vendido nos EUA no formato CD duplo, o que prova que os dois discos fazem mesmo parte de uma só história.
O método usado para as composições dos temas (todos compostos por Eno) compreendia em fazer com que o sistema de gravação fosse deteriorando quase que incansavelmente os rolos de fitas em "looping", ou seja, a tática chamada Frippertronics só que mais refinado, como se nota em "Wind em Water" que desvanece sobre uma cama já complexa de sintetizadores mergulhados com todo o excesso de guitarra que Fripp cuidadosamente jogou, com seus solos longos e sinuosos porém num plano discreto. O disco no geral é meditativo e calmo com escalas delicadas balançando em timbre pesquisados dentro da concepção linear de Fripp. Os sustentos que nivelam o disco são puramente sons de fundo que se escutam enquanto vai se chegando em uma série das distorções de guitarra em meios a efeitos de estúdio, Frippertronics as vezes é pura dissonância. Como uma culminação de experiências de Fripp e de Eno, pode-se dizer que "Evening Star" mostram o qual mais longe a parceria chegou.
O disco abre com "Wind On Water" que é uma relaxante viagem ao universo da sonoridade inventiva da dupla. Pode-se ouvir a guitarra de Fripp servindo de apoio para seqüência de loops de Eno. É uma espécie de boa vinda para um excitante caminho que vai se seguindo. Pode-se dizer que seria o "embrião" do disco solo de Eno, o "Discreet Music" de 1975. Ela é logo emendada na faixa titulo "Evening Star", que é um dos melhores mantras instrumentais composto pelo duo. A distorção da guitarra explode como fogos de artifícios num céu espalhado de uma seqüência simples de três em três notas de teclados que nos levam para uma outra dimensão. É incrível como um tema gravado a tanto tempo se mantém tão atual. É um dos melhores momentos disparado da empreitada de ambos.
Em "Evensong" o clima muda mas a idéia é a mesma, porém não tão intensa. São quase três minutos de "conversas timbrísticas" entre os dois que giram como uma manivela. Já em "Wind On Wind" os experimentos ficam quase confundidos com a monotonia da "New-Age" exploradas por outros tecladistas como o mago japonês Kitaro. Mas são justificáveis para servir de repouso para se atentar aos quase 29 minutos da faixa "An Index Of Metals", uma suíte com elementos mais dissonantes que vai crescendo a cada 5 minutos, mas que por sua tensão faz dela uma música de ambiente com surpresas modestas mais por parte de Fripp que as vezes usa a Fripptronics para criar efeitos surreais e por que não, espaciais.
O disco "Evening Star" é disco recomendável para quem quer entender o quanto a sonoridade eletrônica foi difundida ao longo dos anos, porém não é uma audição para muitos. Nem mesmo para fãs do King Crimson ou Roxy Music. Se você esta acostumado com o "Red" pode se entediar bastante, mas se quiser liberar sua mente para outras dimensões ouvindo atentamente as passagens timbrísticas e não pensar em mais nada, esse é o disco certo.

1.Wind On Water (5:33)
2.Evening Star (7:50)
3.Evensong (2:54)
4.Wind On Wind (3:11)
5.An Index Of Metals (28:45)

Download: http://www.megaupload.com/?d=WNGZPJUQ

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