quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Spock's Beard - V (2000) [USA]




V é sem dúvida alguma um dos albuns mais importantes da carreira deste supergrupo americano até o momento. Apresentando um direcionamento mais complexo e uma sonoridade mais vintage do que os álbums anteriores, o Spock´s Beard conseguiu criar uma distinta obra de rock progressivo sinfônico, justificando definitivamente o seu atual posto no topo do gênero. V também é o favorito entre a maioria dos fãs da banda.
O álbum pode ser convenientemente dividido em dois grupos de faixas: as quatro músicas curtas e os dois épicos. O som de uma solitária corneta em estilo medieval anuncia o primeiro destes épicos, a música At The End of The Day. Os arranjos demonstram um refinamento em relação aos trabalhos anteriores: uma das agradáveis novidades de V é a participação dos músicos convidados, que enriqueceram o som da banda com alguns instrumentos acústicos como o violoncelo. O tecladista Ryo Okumoto também não hesitou em aprofundar o uso dos timbres tradicionais do rock progressivo, sendo possível notar um extremo bom gosto nos sons de Mellotron, Moog e de um Fender Rhodes. Também é notável a evolução do trabalho do guitarrista Alan Morse, que mostra uma certa inovação na sua utilização de efeitos, expressa por exemplo no riff principal desta música. At the End of the Day flui em várias direções, apresentando contrastes de passagens e uma diversidade de elementos e: violões flamencos, partes percussivas, riffs de guitarra à la Progmetal, seções de cornetas, solos de Moog, refrões marcantes, partes lentas (Ou ‘sweet parts’, segundo Neal Morse), uma levada incrível de baixo e bateria no final da música, e, finalmente, os característicos backing vocals da banda.
As quatro músicas de menor duração aparecem na seqüência do disco. Eu sempre pulo as faixas Revelation, inspirada no Soudgarden, e a instrospectiva Goodbye to Yesterday, que não chegam a acrescentar muito. Thoughts (Part II), como a sua contraparte do álbum Beware of Darkness, revisita o fascinante universo do Gentle Giant e das superposições caóticas de harmonias vocais. A introdução com voz e violão lembra levemente o Jehtro Tull também. Na agradável All on a Sunday, a banda retorna ao pop prog de algumas faixas do Day For Night. Aqui, há uma interessante contraposição da melodia com o órgão Hammond de Ryo Okumoto.
Finalmente, o gran finale e ápice musical do álbum ficam por conta do épico sinfônico de 27 minutos The Great Nothing. Dividida em seis fragmentos, é a grande expressão do talento único da banda. Nas palavras do principal compositor da banda, o vocalista e tecladista Neal Morse, ela é a própria “Supper´s Ready” do Spock´s Beard. O conceito por trás da música gira em torno de uma crítica à interferência da indústria sobre o potencial criativo dos artistas. Versos como “The boy has potential, but he´s never had commercial success” sugerem uma referência a um falecido produtor da banda chamado Kevin Gilbert (para saber sobre a curiosa história deste homem, recomendo a leitura da resenha que eu fiz do álbum Shaming of the True, de autoria do mesmo).
Buscando ilustrar rudimentarmente a riqueza progressiva presente em The Great Nothing, seguirei adiante lançando uma breve descrição de cada uma das partes que a compõe. From Nowhere tem em seu início um peculiar acorde no mellotron, que é sucedido pela interessante progressão de acordes construída em cima da afinação incomum do violão de Neal Morse que introduz o primeiro tema. Esse mesmo tema aparecerá mais vezes ao longo da música, disfarçado em diferentes arranjos. Um violoncelo o repete novamente, até que o groove de Nick D´Virgilio e Dave Meros carregue a música para novas direções. Em One Note, o piano determina a harmonia sobre a qual a parte vocal aparece pela primeira vez, chegando naquele que é o magnífico refrão principal. Rumando para Come Up Breathing, Neal Morse e Nick D´Virgilio dividem a melodia cantada sobre uma levada de violão. Em um segundo momento, inicia-se uma intensa seção instrumental em que baixo, bateria e mellotron encontram bastante liberdade. As melodias cativantes reaparecem agora em Submerged. Nick D´Virgilio introduz um ritmo mais complexo dessa vez, com quebras de tempo e andamentos em 6/8. Aqui, o mellotron também se torna um pouco mais agressivo. Mais melodias e vocalizações interessantes aparem em Missed Your Calling, onde Al Morse também tem a oportunidade de despejar alguns licks Holdsworthianos no seu solo. Por fim, o violão singelamente revisita a introdução em The Great Nothing, até que o resto da banda ressurge e retoma a melodia de One Note, com o envolvimento de arranjo mais “triunfal” agora. Após mais um solo de guitarra, um arpejo simples no piano fornece o desfecho ao magistral épico.

1.At The End Of The Day
2.Revelation
3.Thoughts (Part 2)
4.All On A Sunday
5.Goodbye To Yesterday
6.The Great Nothing

Download: http://www.megaupload.com/?d=2N42BWEK

2 comentários:

  1. Grande resenha! O Spock´s Beard é minha banda favorita da nova geração de prog, "V" e "Snow" são seus melhores, mas gostei bastante do "X" do ano passado, a sonoridade parece ter amadurecido, absorvido umas nuances diferciadas, a saída de Neal Morse parece ter sido produtiva pra banda

    Que bom que o blog voltou a atividade, realmente senti falta.

    Ainda ando escrevendo, se quiser dê uma olhada, hehe:

    http://musicalaurora.blogspot.com/

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  2. Eu me identifiquei muito com o álbum Octane dessa banda, mas todos que ouvi até agora são muito interessantes, chamaram minha atenção logo de cara, assim como foi com o The Flower Kings. ^^

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