quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Marillion - Misplaced Childhood (1985) [U.K]



No início dos anos 80, uma nova geração de músicos e bandas que surgiam no combalido meio progressivo, que serviu de vidraça para os punks e que perdeu parte de seu público e mídia para a disco e posteriormente para os movimentos new wave e new romantic, decidiu adaptar o som progressivo, misturando influências sonoras marcantes de Camel, Pink Floyd e Genesis fase Gabriel com pitadas de um som mais pop, acessível, bem típico do período. O resultado foi o surgimento do que iria ser conhecido como Neo-prog, um progressivo muito bem tocado e construído, mas obviamente perdendo, ou melhor cedendo parte de sua ousadia para se adaptar ao período. Dos grupos que surgiram durante essa época, talvez o Marillion tenha sido o que conseguiu adaptar esses dois fatores(som progressivo com melodias acessíveis) de forma mais eficiente e com um resultado de melhor qualidade.
O grupo, surgido em 1980, apresentava influências progressivas bastante nítidas, seja pela guitarra de Rothery, altamente influenciada por David Gilmour ou pelas performances do vocalista Fish, altamente inspirados por Gabriel de 1972-75 (o vocalista seria acusado durante o período que ficou no grupo de copiar o estilo do ex-front man do Genesis). Mas também apresentava uma sonoridade um pouco menos complexa, onde as letras mesmo quando caiam na subjetividade, apresentavam um caráter acessível em que ouvinte pudesse entender a história, e onde traços mais pop e melodias mais simples intercalavam longos e complexos solos.
Em seus dois primeiros álbuns, os bons Script for a Jester Tear de 1982 e Fugazi de 1984, percebia-se uma certa dificuldade em impor uma sonoridade que fizesse a fusão entre o complexo e o acessível de forma contrabalançada, dando assim, uma identidade definitva ao grupo, mas com Misplaced Childhood, a banda não só atingiria essa fusão de forma eficiente, como conseguiriam uma maturidade musical que serviria de base para muitos grupos que trilhavam o mesmo caminho e garantindo que o progressivo se mantivesse como um estilo artisticamente e comercialmente viável nos tão simplificados anos 80.
O álbum começa com uma longa suíte, dividida em cinco partes, onde a banda mescla canções altamente complexas e difíceis (Bitter Suíte e Heart of Lothian) com musicas nitidamente pop (como em Lavender e no seu maior sucesso comercial, na romantica Kayleigh), obtendo um resultado surpreendentemente bem-sucedido.
No decorrer do trabalho percebemos a qualidade dos músicos do grupo (muitos consideram a formação desse álbum a melhor da banda), seja pelas viradas competentes de Ian mosley (ex-steve hackett) e pelos solos gilmourianos de Rothery na monumental Blind Curve, seja pelos arranjos e bases do teclado de Kelly nas pequenas porém altamente climáticas Lords of the backstage e White feather. Aliás percebe-se uma coesão na banda, onde as letras de Fish (que talvez tenha feito suas mais bem estruturadas e consisas letras de toda a sua carreira) se casam quase a perfeição com arranjos precisos e competentes do grupo.
Após esse disco, o grupo ainda lançaria mais um trabalho com essa formação (Clutching At Straws de 1987), sendo que Fish sairia repentinamente do grupo no fim de 1988 para seguir com uma irregular carreira solo. A banda chamaria Steve Hoggart em seu lugar, e mesmo com uma adaptção inicialmente um pouco difícil,conseguiu ser superada com trabalhos excelentes como Brave de 1994.
Um disco excelente, um dos mais significativos trabalhos progressivos dos anos 80 e sem dúvida o melhor trabalho desse ótimo grupo.

1.Pseudo Silk Kimono 02:13
2.Kayleigh 04:03
3.Lavender 02:27
4.Bitter Suite 05:53
5.Heart of Lothian 06:02
6.Waterhole (Expresso Bongo) 02:12
7.Lords of the Backstage 01:52
8.Blind Curve 09:29
9.Childhoods End? 04:32
10.White Feather 02:23

Download: http://www.megaupload.com/?d=OCP1IDP1

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