quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Latte e Miele - Papillon (1973) [Italy]



Trio progressivo originário de Gênova com formação em música clássica e características semelhantes a bandas como ELP e Le Orme, Latte e Miele (leite e mel) surgiu no cenário italiano participando do festival pop de Villa Pamphili em 1972, trazendo o jovem baterista Alfio Vitanza, então com apenas 16 anos. O primeiro disco Passio Secundum Mattheum é considerado a obra-prima do grupo, contendo uma sofisticada orquestração e arranjos de coral que trariam dificuldades para um trio executá-la ao vivo, motivo que possivelmente influenciou a banda a optar por arranjos relativamente mais simples em Papillon. Fiz questão de escrever relativamente, porque mesmo assim são muito ricos.
Assim como nos outros discos da banda, Papillon é totalmente cantado em italiano. No mesmo ano foi gravada também uma versão inglesa para Papillon, as partes instrumentais são praticamente as mesmas, no entanto as vocais foram regravado para o inglês pela própria banda. O fato é que a versão inglesa permaneceu obscura até o ano de 1992, quase vinte anos depois, quando foi finalmente lançada em CD.
A suite Papillon, que dá nome ao disco, tem cerca de 20 minutos de duração e é dividida em uma abertura e sete partes, sendo que algumas versões em CD trazem esta como uma única faixa. Com sons de hammond, moog e mellotron, a música traz um tema central e variações, passa por trechos refinados de música clássica, temas de complexidade jazzística, música folk e momentos pastorais na suave voz de Marcello Dellacasa. Em Divertimento predominam o classicismo dos teclados de Oliviero Lacagnina e o bom trabalho de baixo.
Patetica traz a sonata para piano de Beethoven em uma adaptação mais clássica e refinada do que fizera Capsicum Red no seu Appunti Per Un'Idea Fissa, ainda que menos completa e apenas nos momentos iniciais, como uma citação. Em seguida passa para uma abordagem rock com sons de hammond, variações de jazz e temas próprios, lembrando ELP.
As partes seguintes de Patetica, apesar do nome, não retomam a sonata de Beethoven. Parte Seconda traz com boa orquestração um breve trecho de La Primavera de Vivaldi em uma leitura bem próxima a música de câmara, trazendo em seguida momentos jazzísticos em um bom solo de bateria de Vitanza. Parte Terza é um tema marcado por música mais folk e pastoral.
Na faixa seguinte, Strutture, a banda traz um jazz instrumental centrado no excelente trabalho de guitarra acústica, acompanhada por piano, bateria e baixo.
Tem sido prática das gravadores adicionarem faixas de singles como extras em muitos relançamentos de discos originais. A faixa Tanto Amore é uma música romântica que fazia parte do single de 1974 que continha também Mese Di Maggio (incluída como extra em Passio Secundum Mattheum). Não acrescentem muita coisa, senão pelo registro histórico.
Após participar de alguns festivais, no ano de 1974 a banda encerrou as atividades, voltando em 1976 para gravar o disco Aquile E Scoiattoli, contando apenas com Alfio Vitanza da formação original.
Passio Secundum Mattheum é considerado o melhor disco de Latte e Miele, mas Papillon é igualmente bom, um clássico incontestável do progressivo italiano que certamente vai agradar fãs de progressivo sinfônico na linha de ELP, PFM, Le Orme ou mesmo Locanda Delle Fate.

1.Papillon - tempo total (19:50)
a)Ouverture - 1:09
b)Primo Quadro (La Fuga) - 2:04
c)Secondo Quadro (Il Mercato) - 3:23
d)Terzo Quadro (L'Incontro) - 3:58
e)Quarto Quadro (L'Arresto) - 2:51
f)Quinto Quadro (Il Verdetto) - 1:32
g)Sesto Quadro (La Trasformazione) - 3:45
h)Settimo Quadro (Corri Nel Mondo) - 0:48
2.Divertimento (2:02)
3.Patetica - tempo total (16:42)
a)Parte Prima - 4:30
b)Parte Seconda - 6:21
c)Parte Terza - 5:51
4.Strutture (3:52)
5.Tanto Amore (bonus) (3:50)

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