sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Hawkwind - Space Ritual (1973) [U.K]



Gravado no mês de dezembro de 1972, Space Ritual configura, certamente, entre os melhores e mais influentes discos ao vivo da história do rock, quiçá da música.
É na verdade uma apresentação onde tudo deu certo – há exceções minuciosas de caráter subjetivo -, e que sobremaneira mostra um Hawkwind diferente, mais ousado e brutal diante seus trabalhos anteriores.
O repertório do show é estonteante, reúne faixas e mais faixas (algumas até repetidas) dos dois discos anteriores, além de músicas inéditas. É válido ressaltar a também beleza desses dois trabalhos anteriores, o talento de criação intrínseca dos músicos na época era, sobretudo, o ápice elementar que qualquer banda de rock psicodélico tentava – e deveria mesmo - atingir. Não obstante, poucas conseguiram, ao passo que podemos afirmar tranqüilamente que o Hawkwind é uma das principais do estilo.
Com a ajuda do poeta Bob Calvert, fica-se registrado a adição da maravilhosa poesia que enriquece o álbum do início ao fim, além das letras criadas a partir de semelhantes temas poéticos, como cosmologia, temor e futurismo.
Da que podemos chamar de space ópera-rock, devemos destacar o seu ambiente, é raro encontrar outro álbum com uma atmosfera hipnótica tão densa, a causar alucinações abstratas e delírios intergalácticos tão profundos.
O equilíbrio instrumental alcançado é de se salientar por muitas mais décadas também; teclados com sons espaciais, uso necessário dos sintetizadores, percussão sustentadora de tamanha potência sonora, guitarradas pesadas e distorcidas, fraseados de sax engenhosamente utilizados, seções rítmicas pulsantes no baixo, bem como um virtuosismo inteligentemente dosado acerca da proposta em questão.
Interessante também são as novas ramificações de gêneros vinculadas à banda, o que é caráter das faixas inéditas, a exemplo de 'Electronic No. 1', um maremoto de efeitos eletrônicos, a oscilar idéias de planos sci-fi artísticos a analogias efetivas empolgantes de bandas como Tangerine Dream em uma de suas melhores fases, à ainda fazer fronteira com a ambient music.
Dessas novidades apresentadas, em particular destaco 'Born to Go', um heavy-acid psych com riffs saturados da melhor categoria, a lembrar o estilo rock n' roll de fazer música da futura banda de uma das figuras mais lendárias de toda a cena: Lemmy Kilmister e seu Motörhead.
Vamos centrar agora nas canções do "In Search Of Space" e "Doremi Fasol Latido". Das do primeiro supracitado disco, destaco as "novas" 'Master of the Universe', já que na verdade existe uma repetição da mesma. A primeira é a minha predileta. Mais brutal e pervertida do que qualquer outra versão, a sua introdução é uma taxa superlativa de expectativa para qualquer ouvinte fã de rock pesado. E não tem com o que se decepcionar adiante. Toneladas e toneladas de riffs saturados e pesados, adjuntos com a performance stoner de Dave Brock, o baixo carregado de Lemmy e toda a energia turbulenta e estimulante que permeia a música é de fazer inveja as bandas hard da época que tentavam assaz transfigurar sons mais pesados, de instâncias rock cada vez mais superiores, como se fosse uma disputa.
Já do outro álbum, destaco duas faixas diferentes. 'Brainstorm' e 'Lord of Light'. Ambas são absurdas e bem menos light que as do disco anterior, creio que sejam as minhas músicas prediletas da banda. Os assombros de ambas atmosferas estão acima de qualquer descrição, são derradeiros e violentos hinos alucinógenos que servem para apenas três características: satisfação, influências e parâmetros valorativos inalcançáveis a medir canções com propostas semelhantes, como se fosse uma régua, onde estas estão no altar.
Não era bem minha intenção criticar alguma coisa do álbum, mas particularmente sinto ainda a falta da faixa 'Silver Machine', poder-se-ia mais uma a ser destacada.
Em tom libertino e criativo de se proclamar uma obra-prima futurista e semi-anárquica, a banda emergiu uma fusão músicas/capa das mais complacentes na história da música. É sem dúvida nenhuma, esteticamente, uma capa extremamente bela mesmo, dos mais altos âmbitos psicodélicos e qualitativos (obviamente subjetivo) que conheço. O que serve de forma inteiramente igual ao genial "Space Ritual" num todo.

CD 1:

1.Earth Calling (Live) (1:46)
2.Born To Go (Live) (9:56)
3.Down Through The Night (Live) (6:16)
4.The Awakening (Live) (1:32)
5.Lord Of The Light (Live) (7:21)
6.Black Corridor (Live) (1:51)
7.Space Is Deep (Live) (8:13)
8.Electronic No 1 (Live) (2:26)

CD 2:

9.Orgone Accumulator (Live) (9:59)
10.Upside Down (Live) (2:43)
11.10 Seconds Of Forever (Live) (2:05)
12.Brainstorm (Live) (9:20)
13.7 By 7 (Live) (6:13)
14.Sonic Attack (Live) (2:54)
15.Time We Left This World Today (Live) (5:47)
16.Master Of The Universe (Live) (7:37)
17.Welcome To The Future (Live) (2:03)
18.You Shouldn't Do That (Live) (6:55)
19.Master Of The Universe (7:26)
20.Born To Go (Live) (5:04)


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2 comentários:

  1. Opa, outro discão, do Hawkwind,agora.
    Este blog é um prato cheio, tenho todas estas pérolas em vinil, esse, o In search of space, o Warrior... e o Doremifasollatido em cd.
    muito massa este blog!

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  2. Bela postagem, "88 minutes of brain-damage"

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