terça-feira, 25 de maio de 2010

Espiritu - Crisalida (1973) [Argentina]



Dois anos após seu surgimento, a banda Argentina Espiritu lança seu primeiro trabalho intitulado Crisálida. Ele não é um álbum conceitual, embora o início dos anos 70, na Argentina, tenha sido marcado pela ânsia dos experimentalismos traduzido por praticamente se abandonar os singles e investir em álbuns conceituais e pela então- era de Aquário. Pode-se dizer que ele é um álbum que se aproxima bastante do progressivo que surgia no cone sul, na época e igualmente datado, incluindo o Brasil é claro, uma vez que é nítida a semelhança com o trabalho do Terço e da última fase dos Mutantes, que foram naturalmente influenciados por Beatles e as principais bandas inglesas como Yes, Émerson Lake & Palmer e até pelas de Hard rock como o Purple e o Led Zeppelin . No caso do Espiritu, percebe-se também, ainda que de modo tímido, influencias de algumas legendas do rock Argentino como, L. A Spinetta (Almendra e Invisible) Cláudio Gabis (Color Humano) e naturalmente, nas partes acústicas inseridas nas músicas, do Sui Generis. Ele não é sinfônico, experimental e nem tem características jazzísticas ou psicodélicas. Diria que esbarra muito no formato hard-progressivo tradicional ou talvez, convencional. Suas músicas têm estrutura melódica relativamente simples com bastante variação rítmica, harmônica e melódica e um número significativo de baladas. É freqüente a interposição de fragmentos acústicos e de solos teclados ou guitarras e riffs de hard rock. O trabalho acaba sendo bastante homogêneo e agradável de ouvir, pois como já salientei, composto de várias "easy musics" Entendo que seja um ótimo disco do progressivo Argentino, ainda que não original ou vanguardista. Destaco a quinta faixa instrumental,Eterna Evidencia, como uma das melhores do álbum. É cantado, mas predomina o instrumental, e o vocal não compromete e nem entedia o ouvinte. Particularmente longe de considerá-lo uma obra prima do progressivo Argentino, ou mesmo um item obrigatório em sua extensa discografia, entendo que é um ótimo trabalho pela homogeneidade e bom gosto nas composições e performance dos seus músicos o que justifica plenamente figurar como destaque do progressivo portenho.

1.La Casa De La Mente
2.Prolijas Virtudes Del Olvido
3.Sueños Blancos Ideas Negras
4.Sabios De Vida
5.Eterna Evidencia
6.Tiempo De Ideas
7.Hay Un Mundo Cerrado Dentro Tuyo
8.Hay Un Mundo Luminoso

Download: http://rs224.rapidshare.com/files/63165185/Espiritu.rar

terça-feira, 4 de maio de 2010

Return to Forever - No Mystery (1975) [USA]




Em 1974 o RTF já havia se consolidado como uma banda de fusion, em parte devido às ambições eletrônicas de Chick, convencido de que poderia extrapolar sua música além do piano, passando assim a montar um grande set de teclados tanto no palco como em estúdio. Outro ponto decisivo foi a aquisição do solista Al di Meola, garoto prodígio, que aos dezenove anos, egresso da escola de música e de uma pequena banda de fusion local, revolucionou o cenário com um vibrato, velocidade e técnica impressionantes. "Hymn of the Seventh Galaxy", 1973, album de poderio maciço, ainda com Bill Connors na guitarra, já mostrava para que lado o fusion do RTF apontava, o que se consolidou com "Where Have I...", sendo que este último entrou com elegância no TOP 40 americano ao final de 74. Stanley Clarke e Lenny White, filhos do proto-fusion de Miles, e virtuoses de renome, contribuíram para maquinaria monstruosa do RTF, sendo Clarke, baixista monumental, um dos responsáveis pela coesão definitiva de estilos dentro do RTF (do qual foi membro desde o início, onde Chick ainda buscava um rumo entre a bossa-nova e o electro-jazz, contando com Airto Moreira e Flora Purim, fase de muito bom gosto), empregando um suingue totalmente peculiar ao som de Chick, engajando também uma levada funk visceral, retirada de seu baixo com drive no máximo. Todos os elementos ficaram óbvios em "Where Have I...", e o caminho do RTF dentro do fusion estava aberto.
Entrando em estúdio para gravar mais um album para a Polydor (o último pela gravadora, já que "Romantic Warrior", de 1976, o maior sucesso da banda, viria a ser gravado pela Columbia, sendo que Chick permaneceria como artista solo dentro da Polydor) o RTF se dispôs a produzir um fusion mais hermético, talvez dentro da proposta de concentrar o trabalho em um perfeccionismo técnico, em detrimento de improviso e poderio individual. A política de Chick em estúdio sempre foi calcada em disciplina e rigor, mesmo que pelo formato latinizado e baseado em arranjos beirando o flamenco, a banda tivesse espaço para incursões solo, improvisadas, bem proeminentes. De qualquer forma, o trabalho foi concluído com certa rapidez (visto que entre 74 e 76 o RTF soltou 3 petardos, ambos de grande competência técnica), e "No Mystery" acabou por figurar entre os melhores albums do quarteto, se diferenciando em aspectos bem interessantes: um album com nove músicas, a maioria relativamente curta; solos curtos mas de alta precisão; muito groove e diversas passagens altamente ritmadas, se distanciando do fusion devastador, como de praxe. O album gerou uma turnê de grandes proporções para a banda, estabelecendo o RTF como grupo de ponta no fusion mundial e, obviamente, queiram os puristas ou não, no jazz em vigência. O resultado disso tudo foi um TOP 40 bastante honroso, o segundo na sequência, e um Grammy notável, como "Melhor album de Jazz instrumental". Chick e cia. agradeceram e permaneceram, pelo menos por mais um ano, como A BANDA de fusion em atividade, visto que Mahavishnu, Soft Machine, e mesmo novatos como o Brand X e outros tantos de menor calibre, estavam descendo a ladeira, e nada até o momento soava tão novo e genuíno como a metralhadora sonora de Di Meola, o caminhão gorduroso de Clarke, a destreza harmônica de Chick e o suingue de White. Importante lembrar que Di Meola em muito pouco tempo gravaria algumas pérolas solo (algumas aos 21 anos de idade!), se estabelecendo como guitarrista mór no cenário late 70´s, conquistando Grammy´s e alguns number one na Guitar Magazine, além de que Clarke, White e Chick, mais do que nunca, carimbariam sua marca em trabalhos solo e em parcerias bombásticas.
Sem a penetrância magmática de "Where Have I..." ou sem o deleite progressivo de "Romantic Warrior", "No Mystery" poderia passar desapercebido, mas seu formato redondo e valorizando o coletivo faz com que o album seja o presente ideal para se iniciar na discografia do RTF. Extensão da latinidade polirítmica de Chick e cia., aqui o RTF começa a dar espaço a Di Meola e Clarke, mesmo que a predominância de qualquer músico não seja deveras evidente. O Grammy presenteou o grupo pelo seu notável entrosamento e capacidade de combustão em detalhes mínimos, incluindo belos e complexos duetos de teclado e guitarra, além de um dinamismo sobrenatural, o que permitia a Clarke e White desdobrarem o tempo em pelo menos 2 compassos sem desconstruir a harmonia rígida de Chick ou de Di Meola (mesmo que o contrário também ocorresse, onde Chick engrena diversos ritmos polimodais, formulando bases concretas no piano elétrico, dando espaço para White, inclusive, criar pequenas passagens solo, dentro de uma melodia em andamento. Precisão absoluta.)
"Dayride" é uma pérola dentro de "No Mystery". Faixa bastante complexa, com ritmo intrincado, lembrando o fusion dos trabalhos anteriores, mas com uma harmonia bastante peculiar e agitada. Notável o trabalho de baixo e bateria, que constróem o ritmo com uma solidez invejável, mesmo que, muitas vezes, o ouvinte seja levado a acreditar que a faixa se desmanchará. Ponto para o moog setentista de Chick e para os vocalises um pouco estranhos. Excelente.
"Jungle Waterfall" funciona como uma extensão de "Dayride" e aqui é bem evidente a preocupação com a sessão rítmica, como citado no texto introdutório. Batida frouxa, groove com slap e wah-wah bolinando uma ou outra incursão tecladística. Tende ao pop-fusion setentista e engana um pouco quem esperava por um dark fusion. O solo de Di Meola, pra variar, ganha a faixa.
"Flight of the Newborn" é a primeira bomba do album e sem dúvida marcante. Um black funk legítimo, acomodado por piano elétrico e wah-wah, que se estende a um belo solo de guitarra de di Meola, com fuzz exagerado. Aqui a banda soa como seus trabalhos anteriores, o que dá um certo vigor para puxar as outras faixas. Nota 10. Clarke presenteia o ouvinte, ao final, com um excelente solo, capitaneado por viradas monstruosas de White. Chick conclui com moogs e mais moogs paranóicos. Invejável.
"Sofistifunk" é das faixas mais curiosas. De altíssima complexidade, Chick constrói uma base avassaladora de sintetizadores dentro de um turbilhão Baixo/Bateria grandioso. O funk é predominate, e di Meola e Chick descontróem o ritmo completamente. Mais uma pérola. Ponto para a sessão percussiva.
"Excerpt From The First Movement Of Heavy Metal", pelo título, soa como uma piada. A abertura ao piano de cauda é somente um gancho para a levada maciça de baixo, bateria e guitarra. O funk frenesi do RTF, recheado de breaks complexos e peso, deixa di Meola realizar um de seus solos mais pesados dentro do RTF. Curiosa.
"No mistery" é uma das faixas mais bonitas do album. De grande complexidade, e essencialmente acústica, lembra temas diversos criados principalmente por Di Meola e Chick em alguns de seus trabalhos solos. Lindas passagens de piano e violão, em uma atmosfera jazzística low-fi. Excelente pedida. Conta com um belo solo de Clarke, utilizando, desta vez, arco.
"Interplay" é uma extensão de "No Mystery". Acústica, curta e bastante gentil. Chick e Clarke duetam com precisão e técnica.
"Celebration Suite part I" resgata o virtuosismo do RTF com primor. Bombástica, conta com diversas incursões tecladísticas e se envereda pelo fusion latino, com pitadas flamencas, onde Chick dá um show a parte ao moog. O ritmo é seguro e carrega o padrão de qualidade do RTF, vide as constrangedoras quebras de ritmo na segunda metade da faixa.
"Celebration Suite part II" fecha "No mistery" com excelência. Um tapete de piano elétrico permite a Chick e Clarke moldarem um fusion bastante característico, pesado e complexo. Di Meola ressurge com o seu melhor solo no album, duetando com Chick por alguns minutos, relembrando os momentos dark fusion de "Where Have I...". A parte final da faixa é extremamente complexa e muito rápida, impressionando o ouvinte desatento. Essencial.
"No Mystery" é logo de cara uma obra obrigatória para amantes de fusion e/ou instrumental complexo. A obra pega o RTF em seu auge e conta com alguns de seus melhores momentos, sem contar que é o retrato de um passado onde o fusion era a bola da vez na música pop, além de ter escancarado para o mundo musical e para a mídia a obra talentosa destes quatro músicos, mais notadamente Al di Meola, visto que os outros membros já possuíam know-how mais do que suficiente.

1.Dayride (3:25)
2.Jungle Waterfall (3:03)
3.Flight Of The Newborn (7:23)
4.Sofistifunk (3:51)
5.Excerpt From The First Movement Of Heavy Metal (2:45)
6.No Mystery (6:10)
7.Interplay (2:15)
Celebration Suite:
8.Part I (8:27)
9.Part II (5:32)

Download: http://www.megaupload.com/?d=6YN74BX9
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