quarta-feira, 17 de março de 2010

Pulp - Different Class (1995) [U.K]



Pulp é uma banda realmente singular, perdoem o chavão, mas é a pura verdade. Não singular no que diz respeito à musicalidade mas também a forma como a banda foi acontecendo. Ela surgiu com o nome de Arabacus Pulp no final da década de 70 quando Jarvis Cocker era ainda um estudante. Mas pode-se dizer que a banda tornou se conhecida apenas com o lançamento de His 'n' Hers que ao contrário de trabalhos passados fez um relativo sucesso. E principalmente nesse álbum, Pulp vai tomando a forma que irá atingir o estado de arte em Different Class.
Pop, britpop. Pop. Até aí normal, ainda mais com a característica daquele pop meio boiolinha que surgiu na década de 80 e culminou em bandas como Suede e Echo & The Bunnymen. O fato é que em 1995 é lançado Different Class. Ponto.
Correto, outro parágrafo. Mas é que é Different Class. Um álbum que marca tudo que se conhece por britpop, pop e essas coisas que se tornaram sinônimas de frescura. Different Class não deixa algumas das marcas do Pulp de lado. Continua sendo um pop denso, teátrico e carregado das tendências synth-pop da época. Um álbum que usou o que tinha na época para imortalizar todo um estilo de música. De uma forma simplista ouso a caracterizar as letras e o contexto de Different Class em 2 palavras-chaves: Sexo e sociedade.
Mis-Shapes já mostra bem principalmente a coisa da sociedade. É uma música de abertura digna do álbum inteiro, com letras expondo bem o lado inútil de se viver em sociedade e essas coisas. Mas calma, ainda não é a hora. Pencil Skirt ao meu ver já vai assumindo a musicalidade típica do Pulp, uma coisa meio cafona, meio metrossexual e essas coisas. Mas ainda, não é a hora. A hora chega para muitos em Common People, quase 6 minutos da epopéia cotidiana e metropolitana que enfim sintetizam todo o contexto no qual Different Class está inserido e quer inserir você.
Mas pra mim a hora chega mesmo é em I Spy. E você realmente conhece Jarvis Cocker. E você que tava achando um vocal meio boiolinha, ouve o começo da música, uma voz sexy, é, eu escrevi isso. É realmente um convite ao sexo, ao voyeurismo. Do começo másculo e metrossexual ao final "gritinho-gay-esclerosado" a música o convida a experimentar coisas até então proibidas Sem boiolices é claro. E aí vamos para Disco 2000 que sem dúvidas é o hit do álbum e lhe faz lembrar o porquê de Pulp ser tão pop, tão britpop. Mais algumas faixas igualmente boas, porém sem muito brilho e...
Parágrafo. Você se depara com F.E.E.L.I.N.G.C.A.L.L.E.D.L.O.V.E. e novamente tem aquela sensação esquisita. Só esquisita, é claro. Mas então você percebe que o mesmo britpop do Pulp se torna uma coisa profunda, densa e altamente envolvente. E então vemUnderwear. Confesso, essa música me deixa meio emo. É simplesmente uma balada melancólica, cafona mas sem perder o charme de ser cafona. 2 faixas depois e chegamos a Bar Italia e vem o encerramento do álbum. E sem perder a uniformidade. Mais uma faixa com letras melancólicas SIM porém extremamente incitantes e com o vocal de Cocker que é totalmente inigualável.
É isso. Sério, é isso. É Different Class, pode ser considerado o melhor álbum do que hoje falam por aí de Britpop/Britrock ou sei lá mais o quê. Mais do que o melhor é único porque mostra a sobriedade, a profundidade e a densidade da música pop de forma natural, sem se tornar algo que poucos entendam.

1.Mis-shapes (3:46)
2.Pencil Skirt (3:11)
3.Common People (5:11)
4.I Spy (5:55)
5.Disco 2000 (4:33)
6.Live Bed Show (3:29)
7.Something Changed (3:18)
8.Sorted For E's & Wizz (3:47)
9.F.E.E.L.I.N.G.C.A.L.L.E.D.L.O.V.E. (6:01)
10.Underwear (4:06)
11.Monday Morning (4:18)
12.Bar Italia (3:43)

Doenload:
http://rapidshare.com/files/343949233/Pulp_DifferentClass-FM.rar

terça-feira, 16 de março de 2010

Höyry-Kone - Hyönteisiä Voi Rakastaa (1995) [Finland]



Höyry-Kone, que em português significa 'Máquina a vapor', foi formada na Finlândia em 1991 por Jussi Kärkkäinen e Teemu Hänninen. Em pouco tempo chamaram a antenção de Jan-Erik Liljeström (Anekdoten), a partir do que conseguiram um contato com o selo APM. A banda finalmente aparece com seu primeiro disco em 1995, intitulado Hyönteisiä Voi Rakastaa, cuja tradução revela curiosamente 'É possível amar insetos'. Este disco de imediato estabelece a banda como uma das melhores surgidas no progressivo nórdico durante os anos 90 junto a Änglagård, Anedokten e Landberk.
Musicalmente as semelhanças em alguns momentos permitem comparações em maior escala com King Crimson (Discipline, que rendeu a banda o injusto apelido de Finn Crimson) e Anekdoten, esta última à qual estiveram obviamente bastante ligados.
Com boa vontade é possível admitir influências díspares atribuídas à banda como Can, Henry Cow, Van der Graaf Generator, Gentle Giant; e embora em nenhum lugar tenha sido dito, acredito ainda que o nome da banda seja mesmo uma reverência fonética a Henry Cow, não uma mera coincidência. Os membros do grupo ainda afirmam unanimamente ter escutado Iron Maiden e chegaram a tocar um cover instrumental de The Trooper no disco tributo Slave to the Power, faixa também executada em shows.
Desde o prog sinfônico ao heavy prog, passando por doses de psicodelia canterburiana, ska, opera, chamber-rock e techno-trance presente em alguns momentos, Höyry-Kone é muito diferente de todas as bandas citadas, sempre buscando uma mistura surpreendente e uma diversidade de estilos quase excêntrica. Utilizando instrumentação rica, interessantíssimas variações rítmicas e dinâmicas aliadas a uma melancolia e tristeza melódica típica da música finlandesa, a diversidade é tanta que seria difícil escolher uma faixa que representasse com fidelidade as influências contidas, mas ainda assim é um trabalho bastante coeso.
Formada por músicos com sólida formação musical, a performance é executada com perfeição, sempre precisa nos arranjos (onde a presença de violino, cello e oboe garantem certa erudição) e na orquestração até nos momentos mais insanos e complexos, a produção também é excelente. As letras são sempre cantadas em finlandês, que soa bastante interessante e sempre um complemento perfeito para a música. Algumas faixas apresentam vocais líricos em coral ou operísticos, visto que Topi Lehtipuu é cantor com verdadeira formação em música clássica e ópera. Na performance avantgarde de Kosto e precisamente na metade de Myrskynmusiikkia, com certo acento étnico árabe, a voz chega a lembrar Demetrio Stratos (Area).
Um segundo disco, intitulado Huono Parturi, foi lançado em 1997 e é considerado, dentro do possível, um disco mais acessível que Hyönteisiä Voi Rakastaa. Com a saída de três integrantes, Jarno Sarkula, Teemu Hänninen e Marko Manninen que com uma proposta acústica bem diferente formariam em 1997 o Alamailmaan Vasarat, houve uma debandada que entre outros fatores provocaria o encerramento de Höyry-Kone. Segundo os próprios: "devido à carência de motivação, inspiração, tempo e outros ingredientes necessários para manter em atividade um grupo musical criativo, nós há algum tempo atrás decidimos deixar o vapor remanescente fugir ao boiler e encerrar o Höyry-Kone (máquina de vapor)". Há ainda um agradecimento aos fãs e a todos que deram suporte à música da banda de alguma forma durante todos os anos.
Um disco bastante original, daqueles que cativam à medida que mais audições se fazem necessárias para uma boa compreensão de seu conteúdo (pois é mesmo daqueles difíceis de gostar à primeira vez), é uma audição obrigatória em termos de progressivo nos anos 90.

1.Örn (3.58)
2.Raskaana (3.10)
3.Hämärän joutomaa (7.07)
4.Pannuhuoneesta (2.08)
5.Luottamus (4.30)
6.Kaivoonkatsoja (4.00)
7.Kosto (5.57)
8.Hätä (3.42)
9.Myrskynmusiikkia (6.46)
10.Hyönteiset (3.13)

quinta-feira, 4 de março de 2010

De De Lind - Io Non So Da Dove Vengo E Non So Dove Mai Andrò, Uomo è Il Nome Che Mi Han Dato (1972) [Italy]



Esse álbum é uma verdadeira raridade, embora a internet tenha feito essa palavra perder um pouco o sentido, quando me refiro á raridade, é em ter um álbum desse original.
A banda lançou apenas um álbum, fato mais do que comum entre as bandas italianas da época, mas antes disso também haviam lançado 4 singles que foram, Anche se sei qui, Mille Anni, Signore, dove va? e Fuga e morte, essa ultima tambem presente no album em questão aqui no tópico.
Formaram o grupo em 1969, e lançando o seu primeiro single como um sexteto, depois disso a banda permaneceu com cinco integrantes os quais lançaram os resto do material.
Essa banda nos trás alguns aspectos curiosos e por que não dizer interessantes. Gilberto Trama deve ser muito mais flautista do que tecladista, pois sua participação na flauta é muito mais expressiva do que nos teclados, uma vez que predomina a guitarra e uma pegada hard rock básico.Alias quase nem se percebe teclas neste disco. Utilizam um instrumento de percussão pouco utilizado e não convencional em bandas de rock : o tímpano. Alternam passagens rápidas e lentas com boa dinâmica entre elas, inclusive inserindo trechos acústicos muito bem colocados.
Indietro nel tempo e Voglia di rivere apresentam um aspecto muito peculiar, pois sua seqüência melódica básica é superponível ao "no time" da banda canadense Guess Who..
Paura Del niente, Smarrimento e Cimitero di guerra perfazem o miolo deste Cd e acaba sendo o melhor e mais interessante dele, pois suas linhas melódicas fogem um pouco do convencional e os arranjos são diferenciados, embora paguem certo tributo ao Jethro;.
A introdução de Fuga e Morte se faz pomposa, com tímpanos e acusticamente sombria, mas descamba para um hard rock comum.
Após o lançamento desse álbum a banda ainda deu dois grandes vôos quando tocou em dois importantes festivais italiano, em 1973, tocaram no Rassegna di Musica Popolare, realizada em Roma, e em Be-In Festival, em Nápoles, mas nessa época a banda estava com um novo baterista chamado Fabio Rizzato, desconheço totalmente o motivo dessa substituição. Após isso Vitor Paradiso teve uma breve carreira solo entre 1978-80, enquanto o resto da banda simplesmente desapareceu no anonimato. Só mais uma curiosidade, o primeiro baterista chamado Ricky Rebajoli e que saiu da banda por motivos desconhecidos de todos, antes de se aventurar com o De De Lind, havia tocado em duas outras bandas italianas, New Dada e I Nuovi Angeli, essa segunda pra qual ele regressou após a saída do grupo.

1.Fuga e Morte (7:20)
2.Indietro nel Tempo (4:17)
3.Paura del Niente (7:46)
4.Smarrimento (7:59)
5.Cimitero di Guerra (5:19)
6.Voglia di Rivivere (3:35)
7.E poi (2:03)

Download:
http://depositfiles.com/pt/files/8d5jus0j0

quarta-feira, 3 de março de 2010

Captain Beyond - Captain Beyond (1972) [USA]



É impressionante ouvir a qualidade desse trabalho, e com todo respeito aos medalhões Deep Purple e Led Zeppelin, por exemplo, mas essa estréia do Captain Beyond não deixa a desejar em nada aos maiores clássicos das duas bandas citadas no exemplo, difícil defini-lo, nos seus 35 minutos de duração não é exageiro nenhum em dizer que se poderá encontrar algum dos melhores riffs criados no Rock ‘n’ Roll, esse que é o bom do álbum, nunca se está exagerando quando se fala dele. Independente de alguns achar que se trata de Hard-Prog e outros apenas Hard Rock, o que de fato pode se dizer desse disco é que alguém que goste de Hard, sobre tudo o 70’s e não gostar desse trabalho, está sendo contraditória com ele mesmo.
E os responsáveis por tal maravilha sonora são músicos já experientes e com um belo currículo: Rod Evans, excepcional cantor e membro fundador do Deep Purple que participou apenas dos seus três primeiros (e um pouco subestimados) discos, e o não menos que excelente baterista Bobby Caldwell, vindo da banda de Johnny Winter, assinam todas as composições. Larry Reinhardt e Lee Dorman, respectivamente guitarrista e baixista do pesadíssimo (para a época) Iron Butterfly, completam a formação, acrescentando o peso que se complementa tão bem com as composições de Evans/Caldwell. Difícil dizer qual teve o melhor desempenho, digamos que o mérito pela altíssima qualidade das músicas pertença aos quatro, é bom que evita injustiça com algum dos músicos.
Pode-se dizer que o disco se divide em três suítes, com várias mudanças de andamento e de ritmo dentro de cada parte de cada uma delas, e todas as mudanças são extraordinárias, não há altos e baixos, é daqueles discos pra se ouvir do começo ao fim e não só porque todas as músicas são ótimas; na verdade cada segundo do álbum é muito bom, tudo se encaixa tão perfeitamente, os momentos pesados com os viajantes, passagens bucólicas de repente cortadas por um riff matador, e a versatilidade do vocal do Rod Evans sendo colocada à toda prova, e o resultado final agrada tanto fãs de Hard Rock quanto de Progressivo Psicodélico e Space Rock, ou qualquer outra pessoa que saiba no mínimo o que é de fato bom.
O único problema é que eles deram tudo de si para gravar esse disco, tanto que nunca conseguiram chegar perto de fazer algo tão genial. Mais dois discos foram lançados, o segundo tambem já postado aqui no blog, não chegam a ser ruim, longe disso, mas comparado a esse servem apenas como curiosidades, não chegam nem aos pés do impacto e magnitude desse primeiro registro, mas nem precisava, depois de uma contribuição dessas para o Rock ‘n’ Roll seria até injusto exigir mais alguma coisa deles. O que importa é que com apenas um disco colocaram seu nome eternamente junto aos melhores de todos os tempos.


1.Dancing Madly Backwards (On A Sea Of Air)
2.Armworth
3.Myopic Void
4.Mesmerization Eclipse
5.Raging River Of Fear
6.Thousand Days Of Yesterday (Intro)
7.Frozen Over
8.Thousand Days Of Yesterdays (Time Since Come And Gone)
9.I Can’t Feel Nothin’ (Part I)
10.As The Moon Speaks (To The Waves Of The Sea)
11.Astral Lady
12.As The Moon Speaks (Return)
13.I Can’t Feel Nothing (Part 2)

Download:
http://www.mediafire.com/?zwokomptnyx
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