terça-feira, 16 de março de 2010

Höyry-Kone - Hyönteisiä Voi Rakastaa (1995) [Finland]



Höyry-Kone, que em português significa 'Máquina a vapor', foi formada na Finlândia em 1991 por Jussi Kärkkäinen e Teemu Hänninen. Em pouco tempo chamaram a antenção de Jan-Erik Liljeström (Anekdoten), a partir do que conseguiram um contato com o selo APM. A banda finalmente aparece com seu primeiro disco em 1995, intitulado Hyönteisiä Voi Rakastaa, cuja tradução revela curiosamente 'É possível amar insetos'. Este disco de imediato estabelece a banda como uma das melhores surgidas no progressivo nórdico durante os anos 90 junto a Änglagård, Anedokten e Landberk.
Musicalmente as semelhanças em alguns momentos permitem comparações em maior escala com King Crimson (Discipline, que rendeu a banda o injusto apelido de Finn Crimson) e Anekdoten, esta última à qual estiveram obviamente bastante ligados.
Com boa vontade é possível admitir influências díspares atribuídas à banda como Can, Henry Cow, Van der Graaf Generator, Gentle Giant; e embora em nenhum lugar tenha sido dito, acredito ainda que o nome da banda seja mesmo uma reverência fonética a Henry Cow, não uma mera coincidência. Os membros do grupo ainda afirmam unanimamente ter escutado Iron Maiden e chegaram a tocar um cover instrumental de The Trooper no disco tributo Slave to the Power, faixa também executada em shows.
Desde o prog sinfônico ao heavy prog, passando por doses de psicodelia canterburiana, ska, opera, chamber-rock e techno-trance presente em alguns momentos, Höyry-Kone é muito diferente de todas as bandas citadas, sempre buscando uma mistura surpreendente e uma diversidade de estilos quase excêntrica. Utilizando instrumentação rica, interessantíssimas variações rítmicas e dinâmicas aliadas a uma melancolia e tristeza melódica típica da música finlandesa, a diversidade é tanta que seria difícil escolher uma faixa que representasse com fidelidade as influências contidas, mas ainda assim é um trabalho bastante coeso.
Formada por músicos com sólida formação musical, a performance é executada com perfeição, sempre precisa nos arranjos (onde a presença de violino, cello e oboe garantem certa erudição) e na orquestração até nos momentos mais insanos e complexos, a produção também é excelente. As letras são sempre cantadas em finlandês, que soa bastante interessante e sempre um complemento perfeito para a música. Algumas faixas apresentam vocais líricos em coral ou operísticos, visto que Topi Lehtipuu é cantor com verdadeira formação em música clássica e ópera. Na performance avantgarde de Kosto e precisamente na metade de Myrskynmusiikkia, com certo acento étnico árabe, a voz chega a lembrar Demetrio Stratos (Area).
Um segundo disco, intitulado Huono Parturi, foi lançado em 1997 e é considerado, dentro do possível, um disco mais acessível que Hyönteisiä Voi Rakastaa. Com a saída de três integrantes, Jarno Sarkula, Teemu Hänninen e Marko Manninen que com uma proposta acústica bem diferente formariam em 1997 o Alamailmaan Vasarat, houve uma debandada que entre outros fatores provocaria o encerramento de Höyry-Kone. Segundo os próprios: "devido à carência de motivação, inspiração, tempo e outros ingredientes necessários para manter em atividade um grupo musical criativo, nós há algum tempo atrás decidimos deixar o vapor remanescente fugir ao boiler e encerrar o Höyry-Kone (máquina de vapor)". Há ainda um agradecimento aos fãs e a todos que deram suporte à música da banda de alguma forma durante todos os anos.
Um disco bastante original, daqueles que cativam à medida que mais audições se fazem necessárias para uma boa compreensão de seu conteúdo (pois é mesmo daqueles difíceis de gostar à primeira vez), é uma audição obrigatória em termos de progressivo nos anos 90.

1.Örn (3.58)
2.Raskaana (3.10)
3.Hämärän joutomaa (7.07)
4.Pannuhuoneesta (2.08)
5.Luottamus (4.30)
6.Kaivoonkatsoja (4.00)
7.Kosto (5.57)
8.Hätä (3.42)
9.Myrskynmusiikkia (6.46)
10.Hyönteiset (3.13)

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