sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Gong - Camembert Electrique (1971) [France]



Muitos fãs do Gong consideram este album sendo o primeiro gravado pela banda, o fato é que através dos catálogos musicais oficiais "Camembert electrique" é o segundo feito pelo grupo, sendo portanto "Magick brother" (1.969) sendo o primeiro e entitulado já sob o nome da banda; mais precisamente o nome correto e completo é "Mystic sister : Magick brother" e para muitos classificado muitas vezes como um projeto solo de Daevid Allen e Gilly Smyth e até mais precisamente encontrando com o nome "Daevid Allen´s Gong" (se bem que a palavra "Gong" no caso deste trabalho está fortemente muito mais presente na aparência pela capa do que as palavras "Daevid Allen´s").
Quem acreditava que o "King Crimson", "Yes", "Renaissence" ou até o "Soft Machine" (que faz parte dos mesmos cenários musicais canterburiano e fusion igual o Gong) eram bandas que mudavam constantemente de formações e retornos de entra e sai de membros (ou ex-membros) com o tempo se enganou; explicar sobre o Gong no decorrer do tempo desde a sua fundação no final de 1.968 até os tempos mais atuais é muito complicado, aliás complicadíssimo porque são muitas formações e muitas vertentes que originaram muitos grupos que mantem próximo como o nome de Gong criado por membros que foram participantes do grupo como por exemplo: "Mother Gong", "Planet Gong", "Glo", "Pierre Moerlen´s Gong", "Gongmaison" e por ai vai uma continuidade enorme.
Não confundir inclusive o nome deste album "Camembert electrique" com o "Camembert Eclectique" que foi realizado em 1.995 feito sob excurções e apresentações em estações de rádio entre março de 1.970 até o início de 1.971 e possui uma formação diferente. ja sentiu a complicação aqui? Então se prepare para saber porque isto não é nada...porque nos anos 70 muito fã do Gong provavelmente se descabelava de tanto que as formações mudavam até semanalmente, acredite se quiser, acompanhar Daevid Allen desde o início de sua carreira por volta do ano de 1.961 nunca foi uma tarefa simples, nem mesmo sequer para os críticos que evidentemente sempre tiveram dificuldades para poder fazer avaliações sobre o músico em questão.
Neste caso do trabalho "Camembert electrique" tudo começa obviamente aproximadamente após o lançamento do primeiro trabalho "Magick brother"; em março de 1.970 a formação era tida pelos seguintes membros fundadores: Daevid Allen fazendo vocais e guitarras, a esposa e companheira francesa Gilly Smyth fazendo os vocais, Christian tritsch no baixo, Didier Marlhebe nos instrumentos de sopro e Raschid Houari nas baterias daí naquele momento começavam as trocas de membros e uma outra quase metade de músicos ficam de fora da formação sendo acrescido apenas por Michael Brown nos vocais permanecendo curtissimamente em setembro e outubro de 1.970.
Durante este espaço de tempo ocorrem duas façanhas: a primeira delas as gravações que futuramente resultaram no trabalho "Camembert Ecletique" aproximadamente 25 anos após estes resultados; a segunda uma série de sessões que resultaram num album solo de Daevid Allen chamado "Banana moon" sendo em janeiro de 1.971. Vale uma ressalva a respeito deste trabalho: este album inclusive nunca foi feita excursões ao vivo para promocioná-lo e o interessante é que Allen convoca alguns dos colegas que se tornariam membros do "Soft Machine", Robert Wyatt tocando nas baterias e Hugh Hopper no baixo e um outro detalhe interessante para quem não sabe Allen foi um fundador da banda "Soft Machine" junto com Wyatt no caso e Hopper neste caso foi integrante apenas no segundo album "Volume 2" (1.969), em compensação no ano de 1.962 Allen formaria um primeiro embrião do "Soft Machine" sob a forma de um trio e fazendo parte além do músico estes outros 2 (Wyatt e Hopper). Outro membro que fazia parte do "Soft Machine" e convidado no album solo de Allen é Nick Evans no trombone (participou do fabuloso "Third" gravado em 1.970) além dos membros citados anteriormente participa também o tecladista/pianista Gary Wright que fazia parte de uma banda chamada "Spooky Tooth". O "Banana moon" além de ser um album solo de Allen foi uma banda que surgiu em 1.968 junto com Gilly Smyth sendo chamados de "Bananamoon Band" e que nasceria alguns meses depois o Gong no ano de 1.969.
Retornando ainda no início de 1.971 Allen planeja um novo album desta vez para o Gong e aí mais mudanças ocorrem durante este ano para o que viria a ser gravado e posteriormente lançado em setembro ainda daquele ano; a troca viria ser nas baterias em que Houari seria substituído no mes de abril por Pip Pyle que provia de uma banda chamada "Delivery", mas Pyle teve o seu talento aproveitado por Allen no album "Banana moon" e reforça com Venux Deluxe nos sintetizadores, mas estariam participando também no trabalho Eddy Louiss, um pianista/tecladista da área jazz na França que era membro do "Les Double Six" estando ao lado de Dizzy Gillespie no início dos anos 60 e tocou piano na metade daquela década com Kenny Clarke, Jean-Luc Ponty e Johnny Griffin; e além disso o Gong acrescentou nas seções das gravações também Gerry Fitzgerald nas guitarras através de uma banda chamada "Mouseproof" e Lol Coxhill nos saxofones permanecendo em sessões especialmente com Marlherbe estes dois útlimos músicos (Coxhill e Fitzgerald) futuramente chegam a tocar juntos em outra ocasião.
Resultado: a formação então de "Camembert electrique" (descontando os músicos participantes de ocasião) era então formada por Allen/Smyth/Pyle/Marlhebe/Tritsch/Deluxe e a mesma que gravaria um projeto especial ainda no ano de 1.971 e lançado no ano posterior chamado "Continental Circus" mas ai é outro assunto. A idéia das constantes mudanças de formações era obter os músicos e que estes se transformassem em excelentes profissionais da área.
O album teve como produção de Jean Georgakarakos proprietário da Byg Records e já havia participado do primeiro album do Gong assim como o "Bananamoon" de Allen e além disso fez trabalhos de produções de artistas do meio jazz como "The Art Ensemble of Chicago", "Dewey Redman" e "Archie Sheep" junto com este produtor estava também outro chamado Jean Luc Young que praticamente participou dos mesmos trabalhos do Gong além dos artistas citados anteriormente da linha jazz e os dois por outro lado auxiliados por Francis Linon e tendo (mais um !?) como produtor executivo do trabalho chamado Pierre Lattes.
A capa foi elaborada pela Raven Design Group em ilustrada somente em tons de cores preta e branca e sendo possível encontrar alguns trabalhos lançados em vinil com encarte de letras que posicionadas de algumas maneiras bem esquisitas (do lado esquerdo, do lado direito, de ponta-cabeça, etc) e exitem pelo menos duas capas de versões frontais ilustradas diferentes mas com os tons de cores branca e preta e pode-se observar os personagens (músicos) ilustrados também. A capa de "Camembert electrique" pode também ser observada numa foto de encarte do album solo de Daevid Allen em "Twelveselves" (1.993) em que o artista está utilizando uma camiseta desenhada com a ilustração deste trabalho.
Gravado na França, país de origem da banda, entre os meses de maio a setembro o trabalho ia sendo gravado durante as fases da lua cheia (!!) (seria a idéia de um lunático ?) e durante este período de gravações alguns membros da banda cooperam com um trabalho em cima da música com o poeta francês do meio "underground" da França gravando um album chamado "Obsolete" (1.971), muito raríssimo por sinal de ser encontrado. Este album já demonstra (assim como o anterior) o que o Gong queria introduzir no meio musical durante os anos 70 e a música aqui muito conceituada no meio do psicodelismo está também num quesito conhecido pelo rock progressivo como "space-prog" e isso sem contar no cenário que na época era muito reconhecido e respeitado pelo ambiente canterburiano (a França fortemente como um deles) tendo bandas como "Soft Machine", "Caravan" ou "The Crazy World of Arthur Brown" e deve-se levar em conta que que todos os membros praticamente do trabalho são franceses, a exceção de Allen que é australiano.
A pergunta é: o que faz um australiano no meio de um cenário "underground" da música francesa neste meio nesta banda? Daevid Allen quando fundou o "Soft Machine" teve oportunidades antes do primeiro album ser lançado em cena, "The Soft Machine" (1.968) (mesmo sem a sua participação) de trabalhar no território francês e o que não muito a tardar imprimiria já em sua banda, neste caso o Gong, justamente este conceito do que se definiria o "space-rock", e encontram-se.
É difícil de associar a música aqui diferente de trabalhos da trilogia da banda como "Angels egg" (1.973) ou "You" (1.974) tidos nesses casos tendo um dos melhores line-ups acontecidos com a banda e ninguém escutará membros como Steve Hillage nas guitarras, Pierre Moerlen nas baterias e Tim Blake nos sintetizadores (embora este músico foi na época deste trabalho convidado por Allen para retornar a França a fim de poder ter oportunidade de acompanhar as sessões de estúdio da banda para fazer mixagens na sonoridade do conjunto), portanto uma das diferenças que com muita atenção o ouvinte vai perceber em "Camembert eletrique" são muitos momentos que associam também a um "hard-psicodélico" ou "hard-space-prog" digamos ou em outras palavras, é um pouco mais "dark" ou com elementos musicais do rock mais pesado completamente de energias frias e cruas com ruídos de guitarras dispersadas e barulhentas feito pelos efeitos de deslizes de objetos sobre as cordas da mesma, sussurros e murmúrios e efeitos sonoros que se entrelaçam entre si.
Não acredite que só o "The piper at the gates of down" (1.967) do Pink Floyd é o único trabalho já realizado em termos de viagens psicodélicas, este do Gong também possui seus momentos quase que do início ao fim e o mais sensacional pela sonoridade obtida em meio disso tudo são os instrumentos de sopro, especialmente de saxofones que mantém algumas pequenas doses de jazz e chamam atenção do ouvinte neste trabalho pois não é muito comum o uso de saxofone em especial estar em sonoridades muito a nível em aspecto de "hard" e "psicodélico", não destas maneiras e outro detalhe é que o PF apesar de possuir músicos realmente muito bons só não teve oportunidade de possuir músicos com extrema virtuose (no caso aqui, o Gong), como é o caso por exemplo do membro fundador Syd Barret, diferente do baterista Nick Mason que foi responsável pelo trabalho de produção do Gong no album "Shamal" (1.975) já com outra formação e sonoridade totalmente diferenciada de "Camembert eletrique".
Os vocais do album também fazem este se tornar um trabalho que poderia também ser classificado como um "bizzarro psicodélico", estas categorias citadas anteriormente só mesmo o ouvinte propriamente dito pode julgar mais adequadamente. Durante as apresentações no ano de 1.971 e 1.972 na divulgação do trabalho um novo sinal de mudança de formação (como sempre) surgiria antes que fosse gravado o próximo album que faz parte da trilogia criada pelo Gong em "Flying teapot" (1.972) de uma estória sobre o "Radio Gnome Invisible" e era Kevin Ayers sendo um membro semi-permanente; Ayers também foi fundador do "Soft Machine" assim como Allen estreiando no primeiro trabalho do "Soft Machine". Conforme ia sendo divulgado o trabalho na ocasião, o ambiente musical do estilo se representava era muito fortemente pela onda "hippie", é só observar por uma foto da banda no encarte do album (repare que inclusive a banda se encontra num local fotografados que lembram um cortiço) mas o Gong não se incomodava muito com isso, o espaço nas apresentações era aberto livremente para as pessoas fazerem o que se sentissem bem.
Quanto a idéia do trabalho era introduzir o conceito que se chamava de "Planet Gong" ("Planeta Gong" em ingles) sendo um local habitado por personagens como "Radio Gnomes", "Octave Doctors" e "Pothead Pixies", complicado entender o que seria isso? Até os próprios músicos tinham apelidos como "Bloomdido Bad de Grasse" (Didier Marlhebe), "Submarine Captain" (Christian Tritsch), "Shakti Yoni" (Gilly Smyth) e assim por diante. Imagine isto tudo sendo incluso na cultura musical francesa que também tem seu público educadamente conservador; não há no que se preocupar muitas pessoas também que admiram a banda não se incomodam com essas "doideiras" de Daevid Allen, elas tem um significado sim, para Allen é claro e seus assíduos "lunáticos" seguidores.
Em alguns momentos algumas faixas minúsculas de apresentação surgem a introdução da estória do "Planeta Gong", alguns falado no idioma francês. Daevid Allen é o responsável pela elaboração da música e letras em sua maioria deste album tendo Smyth e Tritsch oferecendo também suas idéias e a banda como todo se esforçando o suficiente pelo resultado final de "Camembert electrique" (aliás dos outros também do qual tem sua participação). Quanto ao resultado ainda estava um pouco reprovado por parte da crítica na época, mas seria o suficiente para que com as vendas e divulgação do album no shows o levantassem dinheiro suficiente para que Allen e Smyth pudessem comprar uma residência já que inclusive na época do lançamento Smyth estava grávida esperando pelo primeiro filho, Taliesin, e o detalhe mais curioso é que no ano de 1.971 Allen e Smyth já estavam com mais de 30 anos de idade (naquele ano Smyth estava com 39 !!!!), diferente de uma grande maioria de bandas de rock progressivo (e até as de puro rock) independente da categoria especialmente as mais conhecidas como o "Pink Floyd", "Yes", "Jethro Tull", ou "Genesis" em que os músicos mal ultrapassavam os 30 anos de idade.
Radio Gnome, com menos de 30 segundos de duração é a faixa introdutória de apresentação inicial sobre a respeito do "Planet Gong" e praticamente se tornou como quase que obrigatória nas execuções ao vivo introduzindo também os músicos e a música do Gong quando que composta pela presença de Daevid Allen (diferente de no caso o Gong coordenado por Pierre Moerlen em "Pierre Moerlen´s Gong" como por exemplo). Introduzido inclusive por vocais extremamente bizarros em sintonia aguda acompanhado por teclados sintetizadores que já inicialmente demonstra o "space-rock" no qual a banda está associada ao genero do rock progressivo e falado em frases em francês (como "Bon soir", que quer dizer "Boa noite" em francês) e inglês com uma curtíssima cantata em francês e vem a ser emendada com a próxima faixa.
You can´t kill me, considerada por muitos fãs da banda como uma das melhores faixas do album apesar de que não existe neste album como classificar qual das faixas até então é a melhor no caso, mas possivelmente porque é uma das mais em estilo de melodia "hard-space-prog", se tornou também quase que indispensável no set-list da banda geralmente seguida pela faixa anterior nas apresentações. Repare que o Gong nesta faixa, mesmo "dark" consegue abrir caminhos que futuramente originariam anos mais tarde o gênero "Punk", mas é difícil saber se de fato o grupo premeditou esta façanha porque o Gong seguiu depois dos anos 70 uma formação que se tornou jazz-fusion. Possuindo vários riffs de acordes de guitarra violentas e furiosas e vocais de Smyth que parecem "causar tonturas" a faixa mantém um astral muito bacana com os sopros de saxofone de Marlhebe e além de Pyle que está excepcional no ritmo. Emendada com a faixa anterior introdutória inicia com o ruído de um público e acordes de guitarra de Allen recebendo a bateria e baixo e em seguida Allen cita os primeiros versos da faixa acompanhado pelos vocais da companheira Smyth sendo alguns até feitos por gemidos até que aos poucos começa a entrar os primeiros sopros de saxofone de Marlhebe num ritmo mais crescente entrando repentinamente num estilo mais jazzístico com bateria, baixo e saxofone finalizando o primeiro refrão. Posteriormente entram num outro tema com batidas mais rápidas de bateria e baixo com Allen citando alguns versos e solando a guitarra fazendo ruídos como que se estivesse esfregando algo nas cordas da guitarra tendo o saxofone também dando algums toques e aí este mesmo instrumento também faz o seu solo instrumental até que o ritmo aos poucos vai tentando se tornar um pouco mais lentos do que anteriormente seguidos de frases citadas repetidamente sem pausa. A banda retorna ao segundo refrão e finalizam a música. Em algumas versões ao vivo no final da faixa é incluso um trecho final de "Dynamite: I am you animal" que está presente também neste mesmo album. Uma boa versão exemplo pode ser encontrado no album ao vivo "Live etc" (1.977)
I´ve Been Stone Before, o destaque aqui mais interessante é o órgão tocado por Eddy Louis e é uma das únicas que diferencia a nível de instrumento do restante das outras do album e Allen caracteriza a música por um estilo único solene como se estivesse cantando um hino de alguma pátria ou uma sessão de igreja (cita inclusive a seguinte frase: "In Saint John's Wood crematorium") com uma sentimento profundamente exagerado. O mais engraçado e interessante da faixa é que parece que Allen está fazendo graça e "onda" na letra como que se não quisesse finalizá-lo e uma versão ao vivo por exemplo pode ser mais ainda que comprovando esta situação de Allen no caso do album "Live in on tv - 1.990" (1.992). Inicia-se silenciosamente com Allen pronunciando "Gentlemen, attention" sendo que uma palavra é em inglês e a outra posterior em francês, e a pergunta é: dá pra entender por quê? Logo após esta frase entra Allen citando as letras da música acompanhada pelo órgão e o baixo de Tritsch e em seguida vai surgindo Marlhebe com o saxofone até quando termina as letras escuta-se os vocais de Smyth citando algumas frases em francês junto com a percussão de Pyle que vem ficando crescente para emendar a próxima faixa.
Mister long Shanks / O Mother / I am your fantasy, título longo para música? Na realidade é um meddley que a banda fez dividido em três partes e está uma melodia tradicional européia conhecida como "A tisket, a tasket, a green and yellow basket" que inicia a faixa que é emendada com a anterior. Num ritmo baixo, saxofone, bateria que mal se observa a guitarra e vai ficando crescente e ainda mais quando Allen se introduz na música citando as letras até que repentinamente a banda acompanha o saxofone e bateria indo para a segunda parte "O mohter" (veja que a palavra "mother" foi inclusive utilizada como o nome de uma formação do Gong na metade de 1.978 por Gilly Smyth: "Mother Gong") e neste caso muito melódica e alegre, parecendo uma melodia bem de festinha inicialmente repetindo várias frases e pode ser percebido ao fundo um piano acústico no ritmo muito estruturado pelo grupo junto com as baterias, baixo, guitarra e o saxofone quando repentinamente entram na terceira parte que neste caso escuta-se apenas Smyth cantando (ou dizendo apenas?) muitíssimo sinistra, misteriosa e mística que neste caso não está presente a percussão e baterias de Pyle, mas tendo simples toques de baixo de Tritsch, sintetizadores de Deluxe, a flauta de Marlhebe e Allen com a guitarra glissante mantendo um tipo de ambiente muito calmo e tranquilo cheio de expectativa.
Dynamite: I am you animal é uma das faixas agressivas e selvagens do album e geralmente tocada pela banda nas apresentações. Pela melodia parece ser a princípio do jeito repetitivo dos acordes tocados pelos instrumentos uma fanfarra de um exército de algum líder ditador e isto por causa da maneira como a bateria é ritmamente executada além dos vocais feitos repetidamente e muito rapidamente "Yer finger at the trigger, yes sir", que quer dizer "Seu dedo no gatilho, sim senhor" em inglês; veja que só o trocadilho "Yes sir" é como que uma ordem de um superior imediato de linha dura (aqui no caso), mas mais de alguém que lida com a segurança de algum líder pelo menos é o que aparenta da maneira que a faixa vai sendo executada ao longo, isso possivelmente porque Allen foi treinado pelo exército australiano como um cadete e o curioso é que o jazz de "Miles Davis Quintet" fez algo parecido no final dos anos 50, ou seja este tipo de sonoridade já havia sido explorada anteriormente pelo mundo musical. Mas a parte mais agressiva além da instrumentação é a citação das letras que talvez seje ainda por parte de Smyth, que é mulher, é autora principal da faixa e que um determinado momento ela dita o seguinte: "I am your animal; Your head is in my hands; And I'm going to fuck you up" (são feitas por uma palavra muito chula utilizada no cotidiano: "Foda-se") e ela repete pelo menos só a palavra "Fuck" no mínimo umas 20 vezes dando uma impressão sem deixar dúvidas de que parece que uma mulher está transando (sem contar os gemidos), talvez nem mesmo a cantora Madonna da maneira que já foi em certos tempos em sua carreira levando a sedução e a indução do erotismo até os palcos tenha citado tal palavra em alguma música e cantarolando a mesma. Aqui vale uma ressalva sobre a este respeito com relação a palavras deste tipo porque esta não é a primeira vez que Smyth dita uma palavra de baixo calão; no album pertencente ao início da trilogia do Gong chamado "Flying teapot" (1.972) existe uma faixa chamada "Witch's song: I Am your pussy" a cantora e também autora da faixa, (só pelo título já se percebe e diz outro palavrão) cita "pussy", que quer dizer "vulva feminina (na forma educada de se pronunciar, e não a chula)" em inglês, e não confundir com "pussy cat" que significa "gatinho (a)" mais até então é outro caso a ser comentado. Agora magine num ano de 1.971 ou 1.972 mulheres cantoras do meio musical cantando músicas que contenham palavrões, é muito raro porque naquela época existia um conservadorismo muito fortíssimo na França e inclusive em grande parte dos paises no mundo, talvez algo parecido (mas não exageradamente como o de Gilly Smyth) feito pela esposa de John Lennon, Yoko Ono como por exemplo na faixa "Don´t worry, Kyoko" no album "Live peace in Toronto 1.969" (1.969) pelo "The Plastic Ono Band". E olhe que a artista na época não era uma moleca e sim uma quase quarentona !!!!!! De qualquer maneira a faixa não deixou de ser brilhante ou magnífica ao ter sido editada e gravada por estes detalhes polêmicos. O trecho final desta faixa já comentado anteriormente geralmente é incluido no final da "You can´t kill me" em apresentações ao vivo e ditando as palavras do nome do album Camembert Electrique.
Wet cheese delirum, é outra pequena faixa com pouco mais de 30 segundos que são ditos numa mesma frase em francês incluindo a palavra "Camembert" em meio de um sintetizador feito por Deluxe. Para quem não sabe "Camembert" é um tipo de queijo muito comum na França e "cheese" que pertence ao título significa "queijo" em inglês.
Squeezing sponges over policemen's heads, é a menor faixa do album com pouco mais de 10 segundos de duração, sendo uma minúscula vinheta servida também com elementos da anterior e a que abre o album no caso a próxima faixa sendo a introdução da próxima que será emendada. Uma curiosidade com relação ao título: Allen e Smyth tiveram no final dos anos 60 problemas com relação a polícia pois o fundador do Gong foi um dos líderes estudantis na revolução ocorrida em 1.968 na França e antes e sem vacilar muito Allen saiu a tempo antes que os policiais entrassem em seu apartamento e revirassem tudo a procura do artista. É bem certo de que Allen da maneira de pensamento que possuia, muito anarquista, não suportava olhar de frente para um e o título é hilário que significa "espremer esponjas sobre as cabeças dos policiais" em inglês, só imaginando em que o músico estava pensando com relação a toda essa sua filosofia.
Fohat digs holes in space, até a palavra inserida no título já confirma; esta é uma faixa sensacional que enfoca o conceito chamado "space-prog" e a marca no caso do Gong. São sintetizadores com sonoridades "espaciais" feitas por Deluxe, os ruídos da guitarra glissante de Allen, os vocais "celestiais" de Smyth. Inicia (o começo lembra um pouco um trecho da faixa "Facelift" do album "Third" do "Soft Machine") com o saxofone coordenando a melodia junto com a bateria e ao fundo um teclado que emite um ruído inicialmente feito um assobio ao lado do baixo e guitarra tirando os músicos desta introdução e entrando numa parte instrumental que o baixo, bateria e teclados ficam sendo tocados em acordes razoavelmente repetitivos tendo a guitarra de Allen um pivô do solo junto com os vocais de Smyth que faz gemidos de uma forma bem psicodélicas e aos poucos vem surgindo os sopros de Marlhebe que tem a sua sonoridade baixinha mas aos poucos vai ficando relativamente alta sendo acompanhada a melodia deste instrumento pelos vocais de Allen e Smyth até que Allen inicia ditando as primeiras letras por meio de simples acordes de guitarra junto ao baixo, bateria e conforme cita cada frase o saxofone vai surgindo no meio de alguns gritos e solando por um instante seguido posteriormente pelo solo de guitarra de Allen que próximo da faixa vai sendo tranquilizado aos pouco sendo as últimas letras acompanhadas apenas pelo baixo e finalizando a música de vez.
Tried so hard é uma faixa relativamente melódica, mas possuem alguns momentos meio "hard" pelo que ela é como um todo. Foi feita num incetivo de que pudesse ter sido criato um compacto, o que não ocorreu. Inicia com alguem rindo e sentando em um banquinho e Allen toca a guitarra acústica que dão origem em acordes principais lembrando David Bowie na faixa "Kooks" do album "Hunky dory" (1.971). Aos poucos surgem os primeiros toques de baixo de Tritsch e recebendo o ritmo de Pyle tendo Allen citando os primeiros versos da faixa ficando até uma certa altura com acorde de guitarra muito pesados além dos vocais evidentemente acompanhados pela percussão de Pyle no primeiro refrão. Depois a melodia fica com o ritmo e guitarra tranquilos recebendo pela primeira vez no album os sopros de flauta de Marlhebe e Allen vai continuando a citar as letras da faixa quando entram em acordes pesados por uns instantes voltando a serem tranquilos quando Smyth canta uma certa parte da música tranquilizando os instrumentos e repentinamente voltam a ficar com a harmonia mais densa e "hard" mas a banda volta em toda a tranquilidade retornando num segundo refrão finalizando a faixa com a mesma melodia que iniciou a música.
Tropical fish: Selene, é a maior faixa do album com pouco mais de 7:30 minutos de duração e chegou a ser registro no album "Pre-Modernist Wireless: The Peel Sessions" (1.995) com o guitarrista Kevin Ayers fundador do "Soft Machine" junto com Allen. Com muita característica de "space-rock" e alguns momentos de jazz. "Selene" no caso é a mãe de todas as coisas, irmã de Isis dos 7 véus que separam-nos do sétimo céu. Allen inclusive cita o nome "Selene" na faixa "Selene" que foi inclusa no album "Angel´s egg" (1.973) da trilogia da banda. Possui bons momentos com o saxofone de Marlhebe junto com o baixo de Tritsch e as baterias de Pyle e na parte solo instrumental Marlhebe faz bonito e aqui encontra-se alguns gemidos também de Smyth junto com a guitarra glissante de Allen e alguns efeitos de sintetizador tocados por Deluxe. Mais a frente o ouvinte pode ter oportunidade de ouvir o "space whisper" que na realidade são sussurros feitos geralmente por Smyth no fundo diversos ruídos de pássaros, após Allen manifestar o nome "Selene" diversas vezes. Posteriormente a banda antes de concluir a faixa entra num mini-medley com os temas finais de "You can´t kill me" e "Dynamite: I am your animal".
Gnome The Second, outra vinheta com menos de 30 segundos que no caso encerra o album mas contém elementos que lembra a primeira faixa introdutória do album.

1.Radio Gnome" - 0:28
2.You can´t kill me" - 6:20
3.I´ve been stone before" - 2:36
4.Mister long Shanks / O Mother / I am your fantasy" - 5:57
5.Dynamite: I am you animal" - 4:32
6.Wet cheese delirum" - 0:34
7.Squeezing sponges over policemen's heads" - 0:12
8.Fohat digs holes in space" - 6:22
9.Tried so hard" - 4:38
10.Tropical fish: Selene" - 7:36
11.Gnome the second" - 0:27

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