quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Steve Hackett - Voyage Of The Acolyte (1975) [U.K]



Aqui nesse disco encontramos o que para alguns seria o disco que o Genesis nunca fez. Realmente esse álbum não fica a dever nada aos álbuns clássicos do Genesis, como Foxtrot 1.972 e Selling England By The Pound 1.973.
Aqui nesse álbum, vemos que Hackett é muito mais do que um simples guitarrista de uma banda. Aqui Hackett mostra, como tem capacidade para fazer um álbum solo. O Genesis, nessa época passava por múltiplas transformações, tanto sonora, quanto em sua formação. Peter Gabriel, (vocal flauta), sai da banda, após a turnê do álbum The Lamb Lies Dowm On Broadway 1.974. O álbum duplo, pode ser considerado o disco mais controvertido da banda, sendo o melhor para alguns, e o começo do fim para outros. Para se falar de Hackett, é preciso falar de Genesis. Hackett entrou para a banda no ano de 1.971, após a saída do guitarrista Antony Philips, Hackett foi o escolhido por um mero acaso do destino, por meio de um anuncio de jornal posto por Peter Gabriel, a procura de um novo guitarrista. Junto com Hackett, no também entrou Phil Collins, que assumiria as baterias do grupo. De nova formação e com animo de sobra o grupo lança um álbum no mesmo ano Nursery Crime de 1.971, o álbum saiu excelente. Um dos maiores problemas da banda, seria encontrar um guitarrista do mesmo nível de virtuosismo Antony Philips. Hackett provou seu valor em Nursery Crime, com suas belas atuações, mostrando ser dono de um estilo único, tanto de instrumentação, tanto em seu modo de composição, e sua postura no palco, já que ele toca sentado, só ele e o Robert Fripp do King Crimson tocam desse jeito "preguiçoso"...rsrsrs...
Um fato lastimável, é que nos álbuns seguintes como Foxtrot, Selling England By The Pound, a guitarra de Hackett perdeu espaço, para outros instrumentos, principalmente os Hammonds mellotrons enfim as teclas de Tony Banks. Chegando a um ponto critico em The Lamb Lies Dowm On Broadway, do qual, não é novidade pra ninguém que Hackett sempre reclamou que teve pouquíssima participação no contexto do álbum. A começar que o disco quase não tam guitarras comparado a álbuns anteriores como Selling England... Onde Hackett faz um dos seus mais clássicos solos, Firth of Fifth. Quando Gabriel saiu da banda, pode ter passo um pensamento na cabeça de Hackett que agora teria o espaço negado até então...
Infelizmente, não foi o que aconteceu, pelo contrario, se estabeleceu um certo domínio de Banks sobre os outros membros do grupo. O que acontecia é que o Genesis sempre preferia seguir as idéias de Banks as de Hackett, esse claro desequilíbrio, foi a gota da água para Hackett, que deu Bye Bye... Para o Genesis.
Um guitarrista do porte dele, não pode ficar rebaixado a um simples integrante...
Hackett só saiu da banda em um período entre 1.977 a 1.979 mais ou menos. Mais sua carreira começou um pouquinho antes em 1.975 com esse disco aqui resenhado Voyage Of The Acolyte, esse seria só o primeiro álbum, de uma carreia solo, muito melhor do que o Genesis viria a se tornar depois de sua saída, aliais dos Genesis, Peter Gabtiel e Steve Hackett, são indiscutivelmente dois solistas de peso, até os dias atuais. Passados trinta anos eles continuam ai com seus trabalhos seu público sempre procurando inovações, mais sem perder sua identidade, construída pelo tempo, isso é fascinante, coisa que com certeza o Genesis não conseguiu fazer.
Voyage Of The Acolyte é com certeza um álbum complexo, apesar de ter clara evidencia do som do Genesis, vemos o tempero de Hackett em cada nota. Melodioso ao extremo, sempre com muita flauta e teclado, somados as excelentes composições de Hackett, é lógico a competência de sua guitarra.O disco contou com um time de primeira de músicos e instrumentação, destaque para os companheiros de banda de Hackett Phil Collins e Michael Ruterford, e seu irmão John Hacket, ele toca a flauta do disco, e seguiria com o irmão pelo resto da carreira. Notasse a ausência de Tony Banks no grupo. Isso é explicado pelo seguinte fato de Banks com suas teclas apagar demais todo o brilhantismo de Hackett.
Uma observação importante: Esse disco apesar de ter a participação de alguns membros do Genesis se trata de um disco solo de Steve Hackett, e deve ser encarado como tal tudo bem que pode ser considerado um disco do Genesis, mais a partir do momento em que está escrito “Steve Hackett” na capa, é isso e ponto.
O único problema do disco, talvez o único é que sempre senti que está tudo muito mal distribuído, poderia ter um aproveitamento maior de espaço, o que poderia originar mais uma ou duas músicas O disco tem oito músicas, sendo três cantadas e as quatro restantes peças instrumentais. O disco se mostra, um trabalho tranqüilo, mais extremamente sombrio, tanto melodicamente quanto em líricas. A uma pitada de misticismo no disco, mesmo que discreta, procura ouvir com atenção, músicas como Hands of Priestess e The Hermit, são boas evidencias disso. A duração media de cada faixa é algo muito diversificado, indo dês de pequenas vinhetas com pouco mais de um minuto de duração, até suítes de quase doze minutos no total.
A capa, e todas a ilustrações do álbum foram feitas por Kim Poor, esposa de Hackett. Kim é pintora, e fez varias capas alem dessa para os discos de Hackett, como Spectral Mornings 1.979 e Defector 1.980. Kim nasceu em solo inglês, mas veio para o Brasil, essa fato contribuiu muito para que Hackett se apaixonasse pela nossa cultura, fazendo chegar a ponto de fazer discos de samba rock, e sons tipicamente brasileiros. O que mostra a diversidade do artista. Essa capa, sempre achei linda, o estilo de Kim, vai de uma mistura de dia dos mortos, com misticismo, mundos distantes, magos e bruxas, sempre retratados de uma maneira assombrosa, e às vezes macabras. No disco de vinil, é bem melhor, de ver os detalhes da complexa pintura. O disco de vinil, continha capa que quando era aberta, era mostrada uma pintura excelente, com um ser parecendo um mago, sentado, em um cenário tenebroso, de paisagens mórbidas. E notem na parte da frente, que como em toda boa pintura a discreta assinatura de Kim Poor na pintura pouco abaixo da porta, onde se encontra o spectro macabro com o nome “Kim Poor”. Ouvi serias criticas a essa capa, e a arte de Kim em geral, mais sinceramente: Para esse disco, não existe uma capa visual melhor, é praticamente a música retratada em forma de desenhos. Que capa seria a ideal para esse disco, um bosque luminoso com duendes em um picnic??? rsrsrs
A sua opinião sobre a capa, é relevante, mais não é tudo, esse disco deve ser apreciado com muita atenção, e com certo carinho. Com um cenário apropriado então fica ótima, uma floresta à noite, com uma lua cheia, curtindo Shadow of Heirophant, seria uma experiência chapante...Ace of Wands, composição instrumental, Ace of Wands te da as boas vindas ao mundo de Voyage of the Acolyte. Uma das melhore músicas do disco, dentre as instrumentais a melhor de todas. A música tem em torno de cinco minutos e meio minutos de duração, sendo a maior do lado um nos discos de vinil. Começa com a excelente bateria conduzindo a música, muito sintetizador, sinos e guitarra detonando, em uma melodia agitada, mais não necessariamente agressiva aos ouvidos. A trechos em que são ouvidos uns corais, junto ao som dos sinos, com certeza um momento magistral, da música. Mostrando até uma boa evolução, a música se segue, surpreendente, os diálogos entre os instrumentos, cria uma bela harmonia na música, fazendo um tipo de batalha entre os instrumentos ficando cada vez mais baixo até finalmente encerrar a música. Tive que abaixar essa música na net, porque mais da metade da música, é presenteada, com um belo risco, no disco de vinil. Era bem conhecida na época do lançamento do disco, mais hoje está meio que esquecida em shows, mais uma ótima composição, aqui termina a abertura do disco migremos agora para a segunda música...Hands of the Priestess Pt. I, outra composição instrumental. Hands of the Priestess diferentemente da música anterior, esse se mostra uma linda, e calma música. A música tem pouco mais de três minutos, mais existe no álbum uma segunda parte, com pouco mais de um minuto de duração, completando mais de cinco minutos juntando as duas partes. Esse tipo de divisão nunca foi usado pelo Genesis, que geralmente divididas em vários sub temas em uma só música, como o caso da suíte Supper´s Ready do álbum Foxtrot. É mais ou menos o que acontece no álbum Trilogy na música The Endlees Enigma do Emerson Lake & Plamer ELP, é o único exemplo que me vem à cabeça agora. A música é praticamente acústica, seguindo a combinação bombástica flauta violão teclado. Dou destaque para a flauta de John Hackett irmão do Steve Hackett, conduzindo a música de maneira angelical, apoiados pelo violão e teclados, e inclusões chorosas da guitarra. Pó incrível que parece é uma das minhas faixas favoritas, mesmo sem muito destaque, ainda assim na minha opinião ótima. A Tower Struck Down, aqui o disco começar a mudar radicalmente seu estilo, de calmaria. A Tower Struck Dowm, instrumental é a faixa mais agressiva do disco. Sempre disse que a faixa serve para acordar o ouvinte. A têm movimentos precisos e momentos magistrais, arranjos muito bem estruturados. Tudo isso baseado em uma base de contra baixo agressiva, e repetitiva. A música ao longo dos seus quase cinco minutos de duração oscila fortemente entre momentos únicos, mais também arranjos dispensáveis, que destoam à música. Como por exemplo, à parada em meio a música, em que se ouve uma tosse seca. Na minha opinião um grande erro na faixa, completamente dispensável. Destaque também aos sintetizadores em meio a faixa, formando atmosferas únicas. Aqui também é ouvido em pequenos trechos um coro de vozes, no maior estilo de corte medieval, surgindo em meio a música. Mais ou menos na sua metade, depois de um coro vigoroso de muitas vozes, a música acalma, parece ter acabado, não aqui a música toma uma aura sombria, muito sombria, com teclado, e aos poucos a guitarra de Hackett aparece fazendo alguns arranjos, ficando cada vez mais baixo e sumindo de vez. Nessa daqui eu dou destaque supremo aos baixistas Percy Jones e Mchael Ruterford, quem sabe no melhor momento deles em todo o disco, observação Percy Jones, só tocou nessa faixa. Está é a única faixa do álbum que Hackett escreveu em conjunto com seu irmão John Hackett, já uqe a maioria das músicas do disco são composta unicamente por Hackett, com dessa e da ultima música Shadow of The Heirophant. Hands of the Priestess, Pt. 2, é a continuação da segunda faixa do álbum, menor é a menor faixa do álbum, com um minuto e meio de duração. Completamente acústica, mantendo a mesma melodia angelical da primeira parte, tão linda quanto. Novamente destaque a flauta melodiosa ao extremo. Sinceramente não sei se ficaria melhor, sendo assim em duas partes, ou então, juntando as duas partes em uma música só. Seja como for bela música, mais uma das melodias calmas e acústicas tradição de Hackett.The Hermit, aqui finalmente chegamos a uma composição cantada, sendo que todas as anteriores são instrumentais. Se assemelhando um pouco a Hands of Priestress, The Hermit, se mostra uma música bela, mais sem muita exaltação. Aqui pode mos presenciar Hackett e seu violão acústico, e também seu vocal em toda a letra da música. Apesar de ser uma letra pequena e relativamente fácil de ser cantada, está foi a primeira música cantada por Hackett, única música do disco em que isso acontece. Não a como negar o fato de que Hackett, não é nenhum vocalista, brilhante, ou gloriosos, mais para suas canções relativamente calmas nesse disco, sua voz macia, e misteriosa, faz uma boa combinação entre voz instrumento. Com muita flauta violão, e um ar sombrio, The Hermit, tem também belas passagens ao longo de sua duração, as vezes pode insinua ser uma espécie de balada, muito bem estruturada, no estilo de músicas românticas, o que quebra um pouco a atmosfera sombria encontrada em todo o disco. É uma boa música, aqui se encerraria o lado um do disco, praticamente instrumental, menos dessa aqui. Aqui nos já estamos na metade do disco, e é percebível o fato de que o som proposto por Hackett é bem diferente do som proposto pelo Genesis. Star of Sirius
Aqui chegamos ao lado dois do disco. Essa sim pode ser considerada a balada do, álbum. Cantada por Phil Collins, é um dos grandes destaques do disco. Uma música até comprida, com mais de sete minutos de duração. Aqui vemos a diversificação de temas da faixa, hora calma com lindas inclusões de teclado e flauta, mais também um lado mais agitado com guitarra e bateria. O vocal de Collins é bom e se encaixou perfeitamente na faixa. É com certeza uma das minhas favoritas, chega a emocionar, pela beleza dos arranjos, não sei se por causa do vocal do Collins, mais sempre achei que a faixa muito parecida com Genesis, mais precisamente, o que o Genesis faria no álbum Wind Whutering de 1.977 em faixas como One For The Vine. Começa calma, com arranjos até consideravelmente repetitivos, esperando o vocal de Collins, essa aspira ser bem emotivo nessa faixa. Logo entra o refrão, acompanhado por bateria e guitarra, e logo entra o teclado em ritmo acelerado. Levando a faixa a um grande trecho instrumental, aqui vemos flautas teclados, muito melodiosos, a uma certa repetição de arranjos, mais completamente racional. Quando o vocal entra novamente citando o refrão da música na mesma forma agitada de antes, sobre os efeitos dos instrumentos abaixando cada vez mais seu volume, levando com si uma das melhores músicas do disco ao seu final. The Lovers,é mais uma das faixas de curta duração do álbum, assim como The Hands of Priestess II essa também não chega aos dois minutos de duração. The Lovers apesar de ter ouvido alguns bons comentários sobre a faixa, não vejo muito atrativos nessa aqui. Talvez por ser uma música extremamente baixa, somente simples. Não diria que é a mais fraca, mais em uma totalidade, fica muito pagada no disco. Serve de uma boa introdução para o que vira a seguir... Shadow of the Hierophant, nossa, chegamos a um épico, na mais fiel estilo de “o melhor ficou guardado para o final”. Essa música é um épico com quase doze minutos de duração, no vinil original essa música dominava, mais da metade do lado dois do disco. Extremamente dramática, a melhor música do disco com certeza. Aqui vemos algo que diferencia essa de todo o resto do disco, o vocal feminino de Sally Oldfield, irmã de Mike Oldfield. O que da uma aura única à música. O Mellotron aqui faz boas atuações, a guitarra dramatizada e repetitiva de Hackett inclusa em certos trechos, parece chorar me meio a música, fantástico. Aqui se percebe duas partes distintas, é só olhar o vinil, essa divisão e fato, a primeira cantada por Oldfield, e a segunda é uma composição instrumental, única, e tenebrosa. Segue uma linha de progressão musical hiper evolutiva, baseada em um riff sobrenatural de Hackett, começando com um som de chilofones, viria a se transformar em um dos melhores finais que já ouvi. Crescente e crescente, até a exaustão, com direito a coral e sinos, em uma instrumentação, devastadora, ouvir essa música em um aparelho de som potente, no Maximo, é uma experiência única. Após crescer baseada em um tema crescente na cabeça do ouvinte, quando chega em seu ápice, começara a ficar mais baixa, na mesma melodia sempre, se despedindo, deixando o ouvinte abastado. Na minha opinião a melhor música do disco. Foi composta por Hackett, junto a Ruterford. Recentemente foi tocada em um show ao vivo de Hackett no Japão junto com o John Wetton do ex-King Crimson, nunca assisti, mais deve ter ficado muito bom.
Com Shadow of The Heirophant Hackett termina seu disco de estréia e sua viagem por músicas sombrias com categoria, vital para qualquer admirador do Genesis ou de Hackett, um dos melhores discos daquele ano de 1.975.

1.Ace of Wands 5:25
2.Hands of the Priestess Pt. 1 3:28
3.A Tower Struck Down 4:53
4.Hands of the Priestess, Pt. 2 1:34
5.The Hermit 4:49
6.Star of Sirius 7:08
7.The Lovers 1:50
8.Shadow of the Hierophant 11:45

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4 comentários:

  1. Muito obrigado por essa obra-prima!!!!!

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  2. Disco fantastico, tenho o vinil adquirido na época do lançamento do disco. E a capa é demais, combina sim e muito com a musica.
    MrRockeveryday

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  3. Excelente descrição, vale dizer que mesmo a guitarra de Hackett não ser muito aclamada durante sua época no genesis, ela e o própio Hackett eram parte essencial dessa banda que nunca mais foi a mesma após a sáida de Hackett, pode se dizer que após sua sáida o toque progressivo de Genesis também sai e abre espaço para um Pop mais Meloso e Brega(no bom sentido) de Collins

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  4. Também tenho esse LP desde quando foi lançado, ouvi tanto que está até com chiados... Fazia muito tempo que não ouvia... Obrigado pelas informações adicionais

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