quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sigur Ros - Ágaetis Byrjun (1999) [Iceland]



Assim como é muito difícil definir os limites formais do rock progressivo ou art rock, também é uma tarefa inglória saber que características, dentro de um estilo que abrange músicos e músicas tão diferentes, podem definir a qualidade artística de um trabalho. Observando aficcionados pelo prog-rock, construí uma pequena tipologia, de que me servirei nesta resenha. Basicamente (e muito grosseiramente também), os fãs de art-rock que conheço podem ser divididos em três grupos, a saber, os que se deleitam com a capacidade técnica, os que apreciam a verve criativa, e os que adentram o clima da música. É claro que há um imenso intercâmbio de gosto entre esses três grupos, que são conjuntos em permanente intersecção. Entretanto, essa divisão muitas vezes se justifica quando se analisa o escopo das preferências individuais: os que tendem a preferir bandas tecnicamente impecáveis são os que habitualmente cultuam Rush, Gentle Giant, Yes, Dream Theather e afins; os que admiram a criatividade e a força inventiva de uma banda normalmente são fãs de Jethro Tull, primeira fase do Pink Floyd, King Crimson, Genesis, Radiohead e afins; os que, por sua vez, gostam de trabalhos com intensidade, sentimento e profundidade musical, viajam com a fase progressiva do Pink Floyd, Queen, Kraftwerk.
É a esse terceiro tipo de ouvinte que Ágaetis Byrjun, obra-prima do Sigur Rós, atingirá em cheio, na minha opinião. Cada uma das faixas deste trabalho mescla, com habilidade rara, sensibilidade e atmosfera própria. Esse grupo de islandeses tem grande talento para colocar a elaboração dos arranjos e a criatividade da concepção a serviço da sensibilidade. Mesmo cantando em um dialeto próprio, Jon Thor Birgisson faz a emoção transbordar em seus vocais, graças ao toque de singeleza que imprime. A sensação de penetrar em um universo sonoro paralelo perspassa a audição do CD, na medida em que cada uma das músicas parece ter um "vulto" próprio e remeter a um determinado espectro de sensações profundas. É difícil não ser tocado por "Viorar vel til loftárása" (mais difícil ainda para quem vê o clip). É difícil não ser conduzido por "Svefn-g-englar", ou resistir à beleza doce de "Olsen Olsen". "Agaetis Byrjun", a faixa, e "Ný Batterí" tem em comum (cada qual à sua maneira) um clima poético e transcendente. Há, também, faixas mais experimentais, como "Intro" e "Hjartao hamast", tão imperdíveis quanto as outras, que fazem o contraponto psicológico das músicas mais emotivas, contribuindo para constituir, no todo, uma obra equilibrada e deliciosa.
Confessando minha admiração, não só recomendo fortemente a audição atenta deste CD, como considero que Sigur Rós, em pouquíssimo tempo, mantendo esse nível de produção, será uma referência canônica e indiscutível para o rock progressivo em todos os tempos e atingirá reputação inquestionável entre todos os três tipos descritos de ouvinte deste estilo musical.


1.Intro - 1:36
2.Svefn-G-Englar - 10:04
3.Starálfur - 6:46
4.Flugufrelsarinn - 7:48
5.Ný Batterí - 8:10
6.Hjartaõ Hamast (Bamm Bamm Bamm) - 7:10
7.Viõrar Vel Til Loftárasa - 10:17
8.Olsen Olsen - 8:03
9.Ágaetis Byrjun - 7:55
10.Avalon - 4:02

Download: http://rapidshare.com/files/63684758/Sigur_R_s_-_Agaetis_Byrjun__1999_.rar

Um comentário:

  1. Uma obra prima sonora, um trabalho lindo e profundo, suave como uma brisa e um sonho bom.
    Adorei esse album.

    Parabéns pela postagem e pelo comentário do album.

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