sexta-feira, 15 de maio de 2009

Herbie Hancock - Thrust (1974) [USA]



A partir dos anos 70 (após 2 ótimos trabalhos solo - “Mwandishi” e “Crossings” - porém ainda bastante experimentais em relação ao que estaria por vir), quando realmente emerge o estilo “fusion” através de pilares do movimento como a Mahavishnu Orchestra, Weather Report, Return to Forever e o “jazz-elétrico” de Miles, Hancock foi pegando cada vez mais o gosto por pianos elétricos, teclados eletrônicos e sintetizadores (apesar de nunca ter abandonado o jazz acústico por completo), lapidando e consolidando de vez sua bem-sucedida mistura de jazz-funk-electro nessa época, principalmente a partir do álbum “Sextant”, de 1972. Muitos inclusive o consideram o único pianista do jazz contemporâneo no qual se fez perceber sensível influência de Jimi Hendrix em seu som nos anos 70, talvez no que diga respeito à explorações de novas sonoridades, timbres e ruídos de seus teclados eletrônicos, principalmente nos seus intuitivos improvisos em sintetizadores.
“Thrust”, de 1974, poderia ser considerado o álbum onde ele alcança o auge desta nova química musical proposta em “Sextant”, tanto em termos de inovação e elaboração, quanto de bom gosto - assim como os álbuns posteriores, “Man-Child” e a trilha do filme “Death Wish” (este com expressão mais orquestral) que, contudo, apesar de ótimos também, já seriam apenas uma continuidade da chama de originalidade trazida por “Thrust”. O disco foi lançado logo após o estrondoso sucesso do fabuloso “Headhunters” e, além de novamente apresentar revolucionários grooves e novas linhas rítmicas de Mike Clark (sugerindo um novo conceito dentro do fusion), nos traz músicas com arranjos mais intrincados e trabalhados, além de performances mais complexas que o seu antecessor. O line-up é praticamente o mesmo de “Headhunters” (à exceção de Mike Clark no lugar de Harvey Mason).
Principalmente nas 2 primeiras músicas, “Palm Grease” e “Actual Proof”, e também na última, “Spank-a-Lee”, as criativas e elásticas linhas do saliente baixo de Paul Jackson (fundamental na estrutura musical) aliados aos quebrados andamentos da segura bateria de Mike Clark, se entrelaçam e se combinam de modo sinérgico às swingadas harmonias e timbres repletos de efeitos do tipo “phaser”, “flanger” e “wah-wah” dos teclados de Hancock e as melodias dos metais de Bennie Maupin, de maneira a propôr uma espécie de diálogo bastante inventivo e sugestivo entre os instrumentos. Os sofisticados improvisos, principalmente por parte de Hancock (em seu Fender Rhodes) e Maupin, são, como sempre, muito competentes. “Butterfly” seria o som mais “cool” do disco, apresentando um ótimo improviso de Bennie Maupin em seu sax soprano.
Desta maneira, é proposta à música uma sonoridade bem inovadora (para a época), descontraída e por vezes um tanto “cômica” (um traço típico da música negra norte-americana): É o puro “jazz-funk” em ação.

1.Palm Grease (10:37)
2.Actual Proof (9:40)
3.Butterfly (11:17)
4.Spank-a-Lee (7:12)

Download: http://rapidshare.com/files/30751512/_1974__Thrust.zip

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